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“As deslocações de uma figura. A metáfora da tradução e as teorias pós-coloniais” (vídeo) – Fabrice Schurmans

As deslocações de uma figura. A metáfora da tradução e as teorias pós-coloniais

Seminário com Fabrice Schurmans
16 de Junho de 2015, CES, Coimbra

Resumo
Os estudos pós-coloniais recorrem muitas vezes à metáfora da tradução tanto na abordagem a fenómenos sociais como na interpretação de textos literários. Este seminário visa investigar o que significa a metáfora no campo em questão. As teorias da tradução permitirão entender o que se mantém e o que se perde relativamente ao domínio semântico original. Num primeiro momento, examinarei o que pode vir a significar a metáfora da tradução a partir do trabalho de alguns teóricos. Compararei de maneira mais específica a abordagem à tradução em Antoine Berman e Boaventura de Sousa Santos. O primeiro multiplicou tanto as experiências de tradução como as reflexões em torno desta e associou o recurso à metáfora não só à dificuldade em definir o conceito como à reputação ambígua associada à prática de tradução. O segundo tem-se recorrido da metáfora da tradução como ferramenta central das lutas para a emancipação mas com relutância em se apoiar na teoria da tradução linguística «dado que esta tem sido tradicionalmente unilateral na medida em que tem estado ao serviço das línguas e interesses de difusão cultural hegemónicos». No entanto, veremos como a teoria da tradução linguística, nomeadamente a de Berman, se cruza e articula com questões centrais do pensamento de Santos.

Breve nota biográfica
Doutorado em Pós-Colonialismos (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra), Fabrice Schurmans é titular de duas licenciaturas, Filologia Românica e Artes e Ciências da Comunicação (Universidade de Liège) e de um mestrado em Literaturas Românicas Modernas e Contemporâneas (Universidade do Porto). Entre as publicações mais recentes, destacam-se os livros Michel de Ghelderode. Un tragique de l’identité (2011) e O Trágico do Estado Pós-colonial. Pius Ngandu Nkashama, Sony Labou Tansi, Pepetela (2014) assim como os artigos: «A representação do migrante clandestino no cinema contemporâneo: efeitos e cenas de fronteira» (2014); «O valor utópico da rutura em A Revolta da Casa dos Ídolos (Pepetela) e La Tragédie du Roi Christophe (Aimé Césaire)» (2013); «Les déplacements d’une figure. La métaphore de la traduction et les théories postcoloniales» (2012); «Relire Shakespeare, Reprendre Césaire. Pour une lecture d’Une tempête à partir du Sud» (2012); «O genocídio do Ruanda no cinema : ausência, representação, manipulação» (2010); «De Hannah Arendt a Nicolas Sarkozy: leitura pós-colonial do discurso africanista» (2009).