Escola de Verão
AVISO | O AGENDAMENTO DA ESCOLA DE VERÃO EPISTEMOLOGIAS DO SUL EM 2021 ESTÁ CONDICIONADO À ALTERAÇÃO DAS CONDIÇÕES IMPOSTAS PELA ATUAL SITUAÇÃO PANDÉMICA. 

A ESCOLA DE VERÃO INTERNACIONAL “EPISTEMOLOGIAS DO SUL” É UM ESPAÇO PARA CONHECER, EXPERIMENTAR, DISCUTIR E AMPLIAR AS EPISTEMOLOGIAS DO SUL

As Epistemologias do Sul são uma proposta epistemológica e política que denuncia a hegemonia do projeto moderno de matriz eurocêntrica e que aposta no alargamento das possibilidades de justiça social e justiça cognitiva, reconhecendo a impossibilidade de uma sem a outra. O Sul, neste contexto, não é um lugar geográfico, mas é, por um lado, uma metáfora do sofrimento injusto promovido pela opressão do colonialismo, do capitalismo e do heteropatriarcado e, por outro, um espaço plural de criatividade epistemológica intimamente ligada aos conhecimentos forjados nas resistências e nas lutas. O Sul assim pensado é heterogéneo e inclui espaços diversos, experiências variadas e uma infinidade saberes. As Epistemologias do Sul reconhecem essas diferenças e valorizam-nas, incentivando diálogos Sul-Sul, assim como diálogos Sul-Norte.

É urgente conhecer, valorizar e articular propostas epistemológicas, pedagógicas e metodológicas que promovam a luta contra o epistemicídio, isto é, a destruição de conhecimentos não validados ou feitos inexistentes pelos critérios do cânone científico moderno.

A Escola de Verão pretende contribuir para esse projeto. Funciona como lugar de encontro para a expansão da imaginação política e epistemológica, que não se basta na denúncia do pensamento hegemónico capitalista, colonialista e heteropatriarcal, procurando construir e pensar alternativas diversas, e em diferentes escalas, que através da tradução intercultural contribuam para a reinvenção das narrativas sobre o que vem a seguir. Articulando arte, ciência e os saberes das resistências e das lutas, o trabalho será coletivo e juntará investigadorxs do grupo das Epistemologias do Sul, poetas e músicxs, além de quarenta participantes provenientes de vários lugares do mundo e portadorxs de diferentes saberes.

À semelhança do que aconteceu nas edições anteriores, espera-se um grupo heterogéneo em termos de origem, idade, experiência de trabalho e de luta. Esta escola de verão será um espaço de troca e coaprendizagens para imaginar desenhar utopias a partir de experiências e saberes concretos.

São quatro as premissas em que assentam as Epistemologias do Sul:

  1. a compreensão do mundo excede em muito a compreensão ocidental do mundo;
  2. não faltam alternativas no mundo, o que falta é um pensamento alternativo de alternativas: muita da diversidade do mundo é desperdiçada, porque as teorias e conceitos desenvolvidos no Norte global e usados em todo o mundo académico não identificam grande parte dessa diversidade;
  3. a diversidade do mundo é infinita e nenhuma teoria geral a pode captar;
  4. a alternativa a uma teoria geral é construída em quatro passos: sociologia das ausências, sociologia das emergências, ecologia de saberes, tradução intercultural.

A Escola de Verão é autofinanciada e não gera lucro. O valor da inscrição é usado para assegurar a cada participante alojamento em quarto partilhado no hotel das termas da Curia; pequenos-almoços, lanches, almoços e jantares durante todo o curso; materiais de leitura e outros materiais usados nas oficinas; transporte ida e volta Coimbra-Curia.  O dinheiro das inscrições permite, ainda, financiar 4 bolsas para participantes sem condição económica para comportar o preço da inscrição, um mecanismo de ação afirmativa; bem como o alojamento e os honorários dos/as coordenadores/as de oficinas convidadas/os. Cobre, ainda as despesas de alojamento e alimentação das/os organizadoras/os da escola e dos/as formadores/as do CES, que não recebem qualquer honorário.

A Escola de Verão terá como línguas de trabalho português e inglês. A tradução simultânea de Português/Inglês e Inglês/Português nas sessões plenárias será assegurada por tradutores/as profissionais. Nas oficinas, irá apelar-se à responsabilidade partilhada dos participantes que possam ajudar na tradução. Os/as professores/as estarão sempre disponíveis para colaborar.

A Curia, perto de Coimbra, com o parque natural como paisagem, é um cenário que permite nove dias simultaneamente intensos e tranquilos de aprendizagens e enriquecimentos mútuos. As termas tiveram o seu período áureo entre as décadas de 1920 e 1950, após esse período o turismo termal foi decaindo levando ao encerramento de serviços e à progressiva decadência de muitas das instalações existentes. A presença anual da Escola de Verão na Curia é também uma forma de contribuir para uma economia local frágil de que dependem muitas/os trabalhadores/as. O hotel onde a Escola de Verão ficará instalada acolhe muitos estudantes de hotelaria em formação e garante tranquilidade e preços que seriam impraticáveis num contexto urbano. 

  

 

 

O que distingue esta Escola de Verão

O imaginário epistemológico presente nesta Escola de Verão extravasa o registo científico convencional. A escola será um laboratório social ativo onde cabem ciência, arte, experiências de luta social, corpos e emoções.

Entendemos o curso como espaço de convívio, bem-estar, partilha de saberes heterogéneos e aprendizagens mútuas entre todos/as. Reconhecemos a centralidade da produção de conhecimento para lá das paredes da academia e procuramos que a produção artística desafie a imaginação política.

Académicos, artistas, outros profissionais, estudantes e ativistas partilharão aulas, oficinas de ciência e lutas sociais, oficinas de arte, momentos de convívio e lazer, conversas, espaços de reflexão, visitas de estudo e tempos planeados pelos participantes. Propomos diversidade e diálogo intercultural. Por um lado, reconhecemos as extraordinárias diferenças que compõem o mundo e, por outro, estamos convictos de que as experiências de luta partilhadas permitem a constituição de um Sul diverso mas unido e com potencial de resistência contra o colonialismo, o capitalismo e o patriarcado.

A Escola de Verão terá como línguas de trabalho português e inglês. A tradução simultânea de Português/ e Inglês e Inglês / Português nas sessões plenárias será assegurada por tradutores/as profissionais. Nas oficinas, irá apelar-se à responsabilidade partilhada dos participantes que possam ajudar na tradução. Os/as professores/as estarão sempre disponíveis para colaborar.

A Curia, na região centro de Portugal, com o parque natural como paisagem, é um cenário perfeito para uma semana simultaneamente intensa e tranquila de aprendizagens e enriquecimentos mútuos.