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Hannah Arendt

Maria Elly Herz Genro, Jaime José Zitkoski
Publicado em 2021-01-18

Liberdade e Sujeito Político

 

Da obscuridade vindo,
Para a luz se arrastando,
Rápido e ousado,
Fino e dominado
Por forças humanas,
Atentamente tecendo...

 

(A Vida Subterrânea, Arendt)



A sua trajetória é marcada por uma intensa atividade intelectual, uma voz e uma vida de profundo comprometimento com a liberdade política, com a concretude dos Direitos Humanos, com a defesa de uma cidadania protagônica no combate as violências que marcaram o sec. XX. Esta dinâmica dialética entre ação e reflexão é mobilizada por um pensar apaixonado sobre os relevantes acontecimentos do contexto contemporâneo, em que a compreensão sobre historicidade do presente, vai se tecendo num movimento entre passado, presente e abertura frente ao futuro. Considerar esta pensadora como mestra do mundo significa valorizar sua atuação investigativa, suas preocupações com as consequências da práxis e suas múltiplas compreensões, envolvendo a construção da dignidade da política, o fenômeno do totalitarismo, a responsabilidade dos seres humanos diante do mundo e as implicações éticas da ação humana no mundo publico.


Hannah Arendt nasceu em 14 de outubro de 1906 em Hanover (Prússia). Viveu em um contexto familiar dinâmico, com abertura aos movimentos políticos e culturais. Estudou numa escola clássica alemã onde se destaca pela sua capacidade e empenho em compreender o mundo para além de seu cotidiano, tornando-se uma estudante engajada nas temáticas da filosofia, com um espírito aguçado e rebelde. Na sua formação acadêmica, destaca-se a tese de doutorado aos 23 anos com o tema: O Conceito de Amor em Santo Agostinho: ensaio de uma interpretação filosófica. Nesta obra, Arendt enfatiza a importância do nascimento e, a partir desta, mais tarde vai elaborar o conceito de Natalidade como uma categoria central para pensar a política, a sociedade contemporânea e, nesse contexto, a crise da educação e suas alternativas.

 

Reconhecida como a pensadora da liberdade, buscou refletir criticamente sobre o mundo da política e das mudanças sociais, pois viveu as grandes transformações do século XX. Nesse contexto, Arendt analisou a formação dos regimes totalitários instalados na primeira metade do século XX - o nazismo e o stalinismo - defendendo os direitos individuais e a liberdade política na crítica as "sociedades de massas". Por ser Judia, fugitiva do nazismo, se definiu sempre como uma apátrida, sendo testemunha consciente e sensível dos eventos trágicos de sua época, a partir dos quais aprofunda o estudo do Totalitarismo.


Com a ascensão de Hitler ao poder (1933), é perseguida e presa, mas conseguiu fugir da Alemanha indo residir em Paris, permanecendo na França até 1941. Ali, Conheceu Walter Benjamin, Bertolt Brecht e Raymond Aron, entre outros intelectuais engajados na luta contra os fascismos. Quando os alemães invadem a França, é detida novamente por sua defesa do povo judeu, pois em Paris trabalha junto com as instituições que protegiam as crianças órfãs (filhos de judeus presos e mortos pelos Nazismo). Nesse período é levada para o campo de concentração de Gurs. Em 1941, ao conseguir escapar vai para os EUA, onde passa a segunda metade da vida. Chegando em 1941 nos EUA, Arendt se destaca na sua atuação como intelectual engajada, através de ensaios de análises políticas que circulam em grandes jornais (Chicago e New York).


Na década de 1960, é contratada como professora da Universidade de Chicago e, em 1967 se muda para Nova York para lecionar na New for Social Research, instituição em que permanece até sua morte em 1975. Nesse contexto de atuação acadêmica, Arendt publica vários livros. Entre eles destacamos: As origens do Totalitarismo; A condição humana; O Julgamento de Eichmann a banalidade do mal e Entre o Passado e o Futuro.


Destacamos dois aspectos de seu pensamento, como pressupostos fundantes, que demonstram vigor para discutir a ação educativa. Em primeiro lugar, está sua abordagem metodológica, através de uma vertente existencialista em que trata os grandes temas da sociedade contemporânea numa perspectiva histórico-existencial, aliada à valorização da subjetividade humana. Os eventos concretos são trabalhados tendo em vista a universalidade da condição humana e a singularidade do pensamento e da ação dos sujeitos no mundo.
Um segundo aspecto, diz respeito ao modo como compreende e aborda o fenômeno político, em tempos de profunda crise do sentido do viver em sociedade. Arendt busca revisar a clivagem entre política e filosofia, isto é, entre ação e contemplação, que se desenvolve no pensamento ocidental, a partir das formulações de Platão. A politica precisa ser reconhecida como experiência humana constituinte da convivência humana em sociedade. Nesse sentido, sua crítica à sociedade de massa está relacionada aos limites da democracia representativa, centralidade da tecnocracia e a consequente despolitização da cidadania. Nesta direção, sinalizaremos a seguir a potência e a atualidade de seu pensamento em três dimensões centrais de sua obra, que contribuem para compreender a estruturação da vida coletiva na contemporaneidade. Estas dimensões buscam contribuir para repensarmos o processo formativo na atualidade.


A primeira dimensão reside na sua crítica a sociedade de massa, explicitando alguns elementos do totalitarismo e a necessidade da educação como formação da cidadania para esfera pública.


Arendt faz uma análise no livro As Origens do Totalitarismo sobre a sociedade massificada, que se constitui de uma população homogênea, formada por homens solitários, despersonalizados. Essa condição tem uma relação com o processo de alienação do mundo que caracteriza o advento da sociedade moderna desde o século XVII. Os avanços tecnológicos, no processo de fortalecimento da sociedade capitalista, contribuem para a massificação humana ao facilitar a perda dos vínculos comunitários e interpessoais. O processo de exclusão crescente nas diferentes esferas da vida em sociedade moderna (econômico, cultural, político, etc.), ao desenraizar os indivíduos, produz um terreno fértil para a cooptação das massas pelos regimes Nazi-fascistas, na Europa em pleno século XX.


A essência do Totalitarismo, segundo Arendt, é a burocratização da vida em sociedade e a produção do terror contra uma população em processo de massificação, com vistas a imposição de uma ideologia. Dessa forma, qualquer manifestação individual ou coletiva que foge a esse processo de padronização é considerado algo a ser eliminado. Por exemplo, o Nazi-fascismo, perseguia e eliminava judeus, homossexuais, comunistas, entre outros.


O Totalitarismo, caracteriza-se assim, pelo seu objetivo em privar suas vítimas de qualquer vestígio de identidade, tanto civil quanto psicológica. Suas vítimas são privadas de qualquer direito legal através do uso arbitrário de poder. A consequência direta é a perda de todos os direitos enquanto pessoa e dignidade humana. Nesse processo, as estratégias do regime totalitário é a produção da morte moral e psicológica e, finalmente, a morte física (nos campos de concentração).


Enquanto alternativa de enfrentamento e superação do processo de massificação e suas consequências, Arendt aposta na educação para o pensar objetivando a formação do sujeito político. Para a autora, formar o cidadão enquanto sujeito político não massificado é condição fundamental no processo de construção e fortalecimento da Esfera Pública. Este é o espaço e o tempo de um agir autêntico, em que as pessoas se relacionam na constituição de uma vida comum, a ser constantemente reinventada. A Educação para o pensar é o fundamento sobre o qual se forma o sujeito político, um indivíduo com capacidade e responsabilidade para a compreensão e autoria, enquanto sujeito de ação no mundo.


A compreensão dos fenômenos, como eventos históricos, significa a reconciliação com o mundo, sentir-se em casa, o quê e o porquê, fundamento e destinação. Pensar leva a conhecer e a compreender. O pensar vai além, superando os preconceitos na busca por sentidos, em conexão com questões filosóficas. Fundamenta escolhas para a ação e para a vida em comum.  Consciência racional e amor ao mundo como responsabilidade sensível pela preservação do mundo através de sua reinvenção como nova forma de vida de maior dignidade.


A autoria, enquanto autoreflexividade é o reconhecimento da capacidade de ser um inaugurador e produzir o inusitado, em que a experimentação do pensamento não é um ato solitário porque reconhece a condição de viver junto e dialoga com a ideia de nascer no mundo e para o mundo.  Para Arendt,  a  autoria interpela a tradição e  reconcilia o pensar e o agir, resgatando a indissociabilidade entre eles em uma perspectiva de responsabilidade diante do mundo.  Mas, toda autoria na vida humana é coautoria, pois pressupõe o reconhecimento de que o sujeito não é o autor absoluto, porque sua ação se dá sempre na relação com os outros.


A segunda dimensão, consiste na Crítica ao Status quo do mundo da política e na possibilidade de reinvenção da mesma  potencializando o  sujeito político não sujeitado.


A questão central  colocada  por  Arendt é  a  indagação  sobre  o  sentido  da  política  hoje? Pois, via  de  regra,  o  modus operandi do  mundo da  política reproduz  a  lógica  do  poder  pelo  poder e da  reprodução do  status  quo. Diante dos  processos  de  violência na política que  marcaram  o  século XX, principalmente as  guerras  e  as  revoluções  armadas (na  perspectiva de  implantar  o  socialismo), a  filósofa  analisa em A condição  Humana Introdução  à  política,  o  contexto do  poder político contaminado pela  violência e a necessária  ressignificação  da  política  como  expressão  da  liberdade.


Os grandes  desastres da  política no  século XX,  as  duas  guerras  mundiais  seguidas  da  guerra  fria, provocaram nas décadas de 50 e 60  um  clima  de  pessimismo  e  perda  de  sentido do  mundo  da  política.  Nesse  contexto,  emergiram  uma  série  de  preconceitos contra  a  política, que precisam  ser  explicitados  e superados.  Esse  é  o  objetivo de  Hannah  Arendt em  discutir  a questão  do  sentido da  política  e defender  a liberdade humana, como  seu  fundamento.


O principais preconceitos que emergiram, neste período, contra a política são: a) a ideia de que a política somente pode ser exercida nos aparatos do Estado, eliminando a espontaneidade e a liberdade da sociedade civil, b) a visão de que a política acontece através dos sistemas de controle e instrumentalização da vida social, c) a associação da política à violência do poder instituído contra as massas despossuídas, d) o senso comum de que o poder político confere o acesso aos benefícios sociais para atender as necessidades da população.


Arendt defende que o sentido da política é a liberdade enquanto processo de afirmação dos sujeitos. Assim, o sentido da política consiste na circunstância dos homens livres, para além da violência, do constrangimento e do domínio. Os cidadãos precisam estabelecer relações entre iguais.


No livro A Condição Humana (1958), ela analisa as condições indispensáveis para a formação de um Sujeito Político não sujeitado, resgatando a ideia de dignidade da política. Nessa perspectiva, ela trabalha com três categoria centrais: o labor, o trabalho e a ação. Segundo a autora, o labor é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujo crescimento espontâneo, metabolismo e eventual declínio têm a ver com as necessidades vitais produzidas e introduzidas pelo labor no processo da vida. A condição humana do labor é a própria vida.


Por outro lado, o trabalho é a transformação da natureza pela ação humana. É através dele que o homem, neste caso o homo faber, cria coisas, extraídas da natureza, convertendo o mundo num espaço de objetos partilhados pelo homem. Assim, o trabalho é a atividade que garante a permanência de um mundo comum, a durabilidade do mundo visando a satisfação das necessidades humanas. O trabalho é concebido como um processo organizado socialmente e, portanto, seu perfil muda histórica, cultural e socialmente de acordo com os regimes político-econômicos e as mudanças produzidas pelas lutas sociais.


A atividade especificamente humana, que melhor nos caracteriza enquanto humanos, é a ação. Segundo Arendt (1958), é a única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas, ou da matéria e tem como atributo criar a possibilidade para o exercício da liberdade, enquanto processo de indeterminação constituinte do sujeito político na geração do novo na história.


Entretanto, a formação humana, como um desafio central da educação, implica na articulação entre o velho, a herança da tradição, e a criação do novo, que se corporifica na ideia de Natalidade. Esta, segundo Arendt (2005), faz parte da essência da atividade educacional, cuja tarefa é sempre abrigar e proteger alguma coisa – o novo contra o velho, o velho contra o novo.


A terceira dimensão, destacamos a reflexão sobre a Crise da educação e a ideia de natalidade como reinvenção da esfera pública.


A noção de Crise em Arendt é pensada para além de nossos pré-conceitos, ou juízos pré- formados. Assim, a crise não é algo negativo apenas, pois não produz necessariamente, ou inexoravelmente, processos devastadores para a condição humana. Pois, a partir de uma determinada crise, de modo geral, é possível delinear outras alternativas para além do instituído, pois a crise possibilita a oportunidade de reflexão e reinvenção da própria existência. Um exemplo disso, diz respeito às experiências limites decorrentes das crises contemporâneas, em que a economia predatória e democracia de baixa intensidade, naturalizam a banalidade da existência, mas não determinam a história e seu potencial de reinvenção.


Outras formas de organizar a política e a economia se colocam como desafios para a formação humana nas experiências educativas das novas gerações. Nesse processo, a educação tem a sua co-responsabilidade na dinamização da esfera pública a partir da formação dos sujeitos políticos. Para a autora, a crise da educação é um problema de todos e tem relação direta com a crise da sociedade e com a própria modernidade, enquanto um pretenso modelo único de organizar a vida em sociedade.


Mas, o que realmente caracteriza a crise da educação para Arendt? Segundo ela, é uma crise da autoridade legítima dos educadores, por um lado, e das dificuldades em manter a tradição frente às pressões do novo, por outro lado. Tais dificuldades decorrem como consequência da crise de autoridade. Ou seja, a crise da autoridade na educação guarda a mais estreita conexão com a crise da tradição, pois já não temos a atitude coerente em relação ao passado.


Esse é um processo das sociedades contemporâneas, onde se cultuam as novidades, sobrepondo estas à tradição, onde tudo é passageiro, efêmero e descartado rapidamente. Isso traz consequências para o educador. Pois, é sobremodo difícil para o educador arcar com esse aspecto da crise moderna, pois é de seu ofício servir como mediador entre o velho e o novo, de tal modo que sua própria profissão lhe exige um respeito extraordinário pelo passado (Arendt, 2005: 245).


Desde a perspectiva de Hannah Arendt, a escola, enquanto instituição moderna que persiste apesar de todas as transformações atuais, tem sua função imprescindível diante da sociedade. A função da escola é ensinar às crianças como o mundo é, e não instruí-las na arte de viver. Dado que o mundo é velho, sempre mais que elas mesmas, a aprendizagem volta-se inevitavelmente para o passado, não importa o quanto a vida seja transcorrida no presente (Ibid.: 246).


Esta exigência fundamental da educação escolar traz inúmeros conflitos entre sociedade e escola. Pois o novo irrompe com as novas gerações, inovações tecnológicas, novos discursos e novas linguagens. Como manter a tradição diante dessa avalanche de novidades? como exercer a verdadeira autoridade diante das profundas mudanças nas relações intergeracionais?


Nesse contexto, os profissionais da educação sofrem antecipadamente pelos desafios colocados pela sociedade contemporânea, principalmente pela dupla exigência posta entre educar e ensinar. Essa responsabilidade é um dilema que traz angústia, e até pode produzir a perda do sentido em sua ação pedagógico-educativa, quando os educadores sentem-se impotentes, ou incapazes de articular a tradição com as novidades que irrompem de forma cada vez mais acelerada.


Mas, apesar de tudo, da profunda crise da educação e as relações desta com a crise da sociedade e, igualmente, dos desafios cada vez mais complexos para educadores (pais e profissionais da área), a educação e central para o nosso futuro enquanto humanidade.

 

A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as, em vez disso, com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum (Ibid.: 247)

 

O que podemos aprender a partir da crise na educação (de autoridade no contexto da sociedade de massa) – é no sentido de que sempre se pode aprender, mesmo com os erros. Assim, precisamos refletir sobre o papel que a educação desempenha em toda a civilização, ou seja, sobre a responsabilidade de formar as crianças e jovens e impõe para o cuidado com o mundo, apostando na capacidade humana de superação das situações limites.


A partir deste olhar, considera-se que os adultos assumem, na educação das crianças-jovens, a responsabilidade, ao mesmo tempo, pela vida e desenvolvimento dos mesmos e pela continuidade do mundo. Este processo requer o cuidado para que nada de destrutivo lhes aconteça por parte do mundo. Porém, também, o mundo necessita de proteção para que não seja destruído pelo assédio do novo (Arendt, 2005). Ou seja, A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruina que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens (Ibid.: 247)

 

Para finalizar nossas reflexões sobre a atualidade e a potência do pensamento da autora, dialogamos com sua escrita, quando diz que: A pluralidade é condição da ação humana, pelo fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, sem que ninguém seja exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista, ou venha a existir (Arendt, 1995: p. 16)


A pluralidade humana requer do processo  educativo novos  desafios diante do mundo contemporâneo.  O principal desafio é a formação do  sujeito político  empoderado para  atuar,  de forma democrática  e  cidadã, na  esfera  pública. Esse  processo  implica em  pensar  a  educação  para  o  novo na  vida  em sociedade. Ou  seja,  diante  do  instituído (já  institucionalizado),  que  muitas  vezes  encontra-se  demasiadamente  burocratizado, precisamos  formar  um  sujeito  político potente e  comprometido com  um  mundo em  comum, a  partir do qual, sua singularidade  possa  dialogar  de  modo  sensível com  as  diferentes  perspectivas da  vida em  sociedade.


Esse  movimento de  construir  o  novo  na  história e  resgatar  o  sentido de  um  mundo  partilhado, na  construção de um  sentido comum para  a  existência  humana,  implica  em  defender a dignidade  humana  como o  princípio  fundante  da  ação  humana.  Segundo  Arendt, buscar a  melhor  possibilidade  do  humano, com o  espírito  e  a  vontade de  instaurar  o  novo, nos  mobiliza para  a  defesa  do  princípio do direito a  ter  direitos, onde a liberdade  é  o  sentido  maior  da  política. Essa  é  a  perspectiva  de  uma comunidade  política ativa,  que  baliza  o  estatuto  legal e  a  proteção dos  sujeitos.


Nessa perspectiva, é fundamental assumirmos hoje a  radicalidade  democrática diante  da  massificação das  sociedades  neoliberais e da  lógica do  mercado, que regula as  diferentes esferas da  vida  em  sociedade. Pois  a  ameaça está sempre  presente e  os  seus  fundamentos têm  relação,  também, com os processos  educativos reducionistas da  condição  humana em que  predominam  a  instrumentalização voltada  para  a  lógica do homo faber.


Nesse  sentido,  os  desafios  formativos  colocados  acima possibilitam  a assunção de nossa  responsabilidade ético-política  na  contemporaneidade.  Pois,  como  bem  nos  lembra o poeta, “Não basta ter sido bom quando deixar o mundo. É preciso deixar o mundo melhor” (Brecht, Poema).

 

Bibliografia

Arendt, Hannah (2005), Entre o Passado e o Futuro. São Paulo: Perspectiva.

Arendt, Hannah (1995), A Condição Humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Arendt, Hannah (1989), As Origens do Totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras. 

 

 

Como citar

Genro, Maria Elly Herz; Zitkoski, Jaime José (2019), "Hannah Arendt", Mestras e Mestres do Mundo: Coragem e Sabedoria. Consultado a 10.05.21, em https://alice.ces.uc.pt/mestrxs/?id=27696&pag=23918&id_lingua=1&entry=32334. ISBN: 978-989-8847-08-9