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Nascida no Mali, em 1947, Aminata Dramane Traoré é escritora, ensaísta e activista cultural, social e política. Ela é uma Mestra do Mundo.
Catarina Antunes Gomes

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Nascida no Mali, em 1947, Aminata Dramane Traoré é escritora, ensaísta e activista cultural, social e política. Ela é uma Mestra do Mundo.
Catarina Antunes Gomes

 

 

Aminata Traoré

Catarina Antunes Gomes
Publicado em 2021-05-31

Nascida no Mali, em 1947, Aminata Dramane Traoré é escritora, ensaísta e activista cultural, social e política. Ela é uma Mestra do Mundo.

 

O seu percurso de vida tem sido testemunha do nível de empenho e compromisso para com causas relativas à democracia e à justiça no contexto da globalização. A sua ampla agenda reúne temas diversos, tais como a migração, o papel das mulheres, a globalização e as políticas económicas, o questionamento de modelos de desenvolvimento e a reivindicação por um reposicionamento em pé de igualdade do Continente Africano no seio do sistema-mundo contemporâneo. A diversidade desta agenda materializou-se em duas dimensões que são de realçar: uma de cariz profundamente humanista e outra que poderá certamente ser interpretada como um reflexo evidente do seu envolvimento e participação ao nível das mais diversas iniciativas e organizações malianas e internacionais.

 

Importa salientar a diversidade temática da sua agenda. Ao contrário de produzir uma comum radicalização de visões excludentes, sustentadas por entropias essencialistas que tendem a substituir a intratável e inescapável qualidade relacional, histórica e ‘open-ended’ de qualquer afirmação identitária, por uma incomensurabilidade desmedida, constrói uma visão humanista plena de ressonâncias empáticas entre posições identitárias, através das quais podem ser promovidos processos solidários de identificação entre lugares de enunciação, experiências históricas e processos de auto-nomeação.

 

Já no que se refere à segunda dimensão, é de sublinhar como esta preocupação foi espelhada no decurso da sua vida. Entre 1975 e 1988 foi investigadora da Universidade de Abidjan. Seguidamente, no contexto do seu trabalho no PNUD, e no âmbito do projecto regional PROWWESS/ Afrique (1988-1992), dedicou-se à promoção das mulheres e das comunidades desfavorecidas ao nível da gestão da água e saneamento. Adquirindo rapidamente reconhecimento nacional e internacional, Aminata Traoré ocupou o cargo de Ministra da Cultura e do Turismo, entre 1997 e 2000, tendo também pertencido à coordenação do Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas.

 

Em 2005 foi eleita para a direcção do International Press Service sendo, ainda, membro do comité científico da Fundacion IDEAS em Espanha. Em 2004, ganhou o prémio Prince Claus Award pelo trabalho que desenvolveu em prol da auto-determinação das comunidades locais. O seu activismo é, igualmente, manifesto na sua presença e participação em todos os Fóruns Sociais Mundiais, bem como no seu envolvimento nas iniciativas que leva a cabo no seu bairro, Missira, e das quais se destaca o centro cultural Amadou Hampâté Bâ criado em 1994. Doutorada em Psicologia e Psicopatologia, foi também fundadora do African Women for Research and Development.

 

A vida e obra de Aminata Traoré dificilmente poderão ser dissociadas em distintos níveis de leitura e compreensão. Na realidade, ambas as esferas são mutuamente constituintes e espelhadas. As análises por si produzidas materializam-se nas acções que promove. E ambas retiram o seu fulgor do compromisso para com uma comunidade humana e uma ciência eticamente orientadas. Um dos exemplos mais fulgurantes de tal embricação foi a organização, em 2005, da Caravane de la Dignité contre les Barbelés de L’injustice et de L’indiférence. Tratou-se de uma iniciativa do Forum Pour l'autre Mali e de uma rede de artistas e intelectuais africanos pela ética e pela estética. A caravana passou por Espanha, França, Bélgica e Itália e, das suas intervenções, dois aspectos fundamentais são de enfatizar: por um lado, a questão das mulheres e, por outro, a ‘marcha pela dignidade’. A simultânea transversalidade e centralidade do papel das mulheres nos processos de emancipação, justiça e democratização, é reiterada nos seguintes termos:
Le rôle des femmes africaines est central dans cette ultime lutte de la libération de leur continent. Le dépérissement de l'Etat, le bradage des entreprises du continent et la privatisation des services publics condamnent la grande majorité d'entre elles à redoubler d'effort pour nourrir les ménages et élever leurs enfants. Mais, faute d'emploi et de perspective d'avenir, ceux-ci peuvent se faire tuer en devenant des enfants-soldats dans des guerres d'adultes avides de pouvoir ou en prenant les chemins de l'exil.1

 

A marcha da dignidade destas mulheres foi afirmada como a luta por uma justiça para todas/os, não se restringindo unicamente, por isso, às questões femininas. Tal tradução de uma iniciativa de mulheres numa luta para e por todas/os é claro sinal da transversalidade e da centralidade do já referido papel das mulheres. Para além disso, é, ainda, uma tradução que relembra e reivindica a importância de um arquivo comum de lutas e solidariedades transversais, comunicáveis e disponíveis a terceiros. De facto, a ‘marcha da dignidade’ elegeu como principal figura as vítimas das migrações clandestinas em direcção à Europa alertando, ao mesmo tempo, para a precária situação social vivida em vários países africanos. Vale a pena ler no seu manifesto:
Comme les noyades lors de la traversée de Méditerranée, le sort des victimes de la répression de Ceuta et de Melilla relèvera bientôt de la rubrique des faits divers. Nous refusons de nous accommoder de cette terrible perspective de la banalisation de la mort de nos enfants. (...) Nous mourrons là où périssent nos enfants.
La marche que nous entreprenons vise à:
- briser le silence de plus en plus insupportable de nos pays en impulsant le débat national et régional sur les migrations internationales
- lever le voile sur les causes profondes et structurelles de l'émigration massive dont le caractère déloyal du commerce mondial, la désindustrialisation du continent, son surendettement, la misère et le désarroi des populations et des groupes vulnérables
- faire de la gestion responsable des phénomènes de migrations un enjeu électoral de manière à obliger les décideurs politiques à en débattre ouvertement
- inviter et encourager ces populations, en l'occurrence les femmes et les jeunes, à mieux défendre localement leurs droits économiques, politiques et sociaux dans le cadre d'élections qui, pour l'instant, ne sont que mascarades faute d'enjeux
- défier le G8, le FMI la Banque mondiale et plus particulièrement l'Union Européenne quant à leur volonté de libérer l'Afrique du fardeau de la dette extérieure et des conditionnalités de vie des populations
- fédérer et consolider davantage les mouvements sociaux africains, européens et mondiaux dans leur lutte pour la justice économique, l'égalité et la liberté pour tous les hommes et toutes les femmes de circuler librement.
2

 

Enquanto escritora e ensaísta, Aminata Traoré é autora de uma significativa obra publicada. Algumas referências não poderiam senão ser evocadas dada a importância estruturante que detêm para a compreensão do seu pensamento.

 

Em 1998, publica L’Etaut (Acte Sud, Paris), ensaio de denúncia sobre as entropias, injustiças e impossibilidades geradas pela aplicação em África dos programas de ajustamento estrutural pelas instituições de Bretton Woods. 

 

Uma outra obra de referência a este nível é o ensaio,  Le viol de l’imaginaire, editado por Actes Sud, em 2002 pela Fayard. Neste texto, Traoré denuncia o que percepciona e qualifica como sendo um impasse: um impasse de auto-nomeação. Como poderá África encontrar a sua própria via de desenvolvimento e realizar as suas próprias escolhas num contexto em que a descrição hegemónica imposta ao Continente é miserabilista e em que há uma sistemática privação de recursos financeiros, naturais e humanos? Como poderá África re-encontrar a sua humanidade no seio de uma globalização normativa e extractivista? Os nefastos efeitos da globalização neoliberal e da imposição indiscriminada de reforma de liberalização económica nos países do Sul, notavelmente ao nível da saúde, da educação e da dívida externa, são escalpelizados no artigo Civiliser la mondialisation, publicado em 2002, por Publications de l'Académie du royaume du Maroc. 

 

Cerca de três anos depois, é publicado um novo ensaio: Lettre au président des Français à propos de la Côte-d’Ivoire et de l’Afrique en général (Fayard, 2005, Paris). Neste ensaio, Taroré analisa as crises africanas no lastro da influência francesa e à luz da globalização hegemónica de cariz neoliberal.

 

Em 2008, é lançada a obra L’Afrique Humilliée (Paris, Fayard) em conjunto com Nathalie M'Dela-Mounier. Uma das críticas já tematizadas por Aminata Traoré ganha aqui especial protagonismo. Ela aborda directamente as políticas de representação de África e as suas consequências humilhantes e nefastas a propósito do famoso discurso de Nicolas Sarkozy, em Dakar, em 20073. Pertinentemente escapando ao logocentrismo vocabular e conceptual que sustenta tais políticas representacionais, as autoras evocam sistemas de conhecimento endógenos e invisibilizados e procuram criar novo espaço de diálogo e inteligibilidade mútua.

 

Nesse mesmo ano, o ensaio Humanitaire: S’adepter ou renoncer da autoria de Pierre Micheletti e editado em França pelas Éditions Marabout é prefaciado por Traoré. A crítica aos limites e às entropias do humanismo moderno e ocidental constitui o tema central.

 

Da autoria de Sanou Mbaye, L’Afrique au Secours de L’Afrique é publicada em 2010 com prefácio de Traoré (APIC, Atelier (L'), Editions d'en bas, Éditions Éburnie, Jamana, Presses Universitaires d'Afrique / Africaine d'Édition et de Services (PUA / AES), Cameroun, Côte d'Ivoire, France, Mali). As temáticas relativas à imposição de modelos de desenvolvimento são trazidas para a discussão e interrogam directamente as responsabilidades quer da comunidade internacional, quer de elites africanas cúmplices com tal imposição.

 

A intervenção global de Aminata Traoré não se reduz, contudo, à organização de iniciativas de base e de cariz internacional, nem apenas à publicação académica. Outras formas de participação e de criação integram o leque da sua acção – formas estas que desvelam aquela que parece ser uma necessidade sentida de multiplicar os canais e os registos de comunicação. Um desses modos diz respeito à sua participação em filmes e documentários. Destes destaquem-se os seguintes: HOROYA, LES INDÉPENDANCES AFRICAINES (2012), realizado por Sunjata, onde é realizado o balanço sobre os 50 anos de independência dos países africanos; a longa-metragem de 2010, AFRICA IS BACK - THE 2ND PANAFRICAN CULTURAL FESTIVAL OF ALGIERS, o qual retrata a vitalidade cultural e artística do Continente Africano e VICTIMES DE NOS RICHESSES (2007, Les Cinémas du Sud/FAR (Films Afrique Réseau)).

 

Cinco pontos de reflexão poderão ser identificados e enunciados do pensamento e acção de Aminata Traoré para a construção de uma compreensão que almeja ser ampla, mas que necessariamente será sempre parcial. Esses cinco pontos de reflexão são (1) a globalização; (2) a democracia; (3) o desenvolvimento; (4) as mulheres e, por fim, (5) as lutas em comum. Longe de serem pontos de análise susceptíveis de uma análise individual, cada uma destas reflexões se desenvolve em estreita ligação com as demais.

 

Assinalando tal, uma consciência rigorosa e aguda sobre as profundas interdependências que sustentam a vida social contemporânea, Aminata aborda tais dimensões como sendo mutuamente constituintes. Por exemplo, não será, na sua perspectiva, possível pensar um aprofundamento democrático sem recriar modelos de desenvolvimento fora dos ditames da globalização neoliberal e sem uma explícita valorização do papel das mulheres. Por outro lado, e de modo similar, não é possível pensar e compreender realmente o que é hoje a crise dos países centrais do sistema mundo, nomeadamente no que se refere à experiência social dos efeitos de visões cada vez mais restritas de cidadania e de possibilidades de inclusão no contrato social, sem evocar e aprender com a experiência tida por parte dos países periféricos. E este é o cerne da sua visão humanista, ancorada como está no reconhecimento da diversidade a par do reconhecimento de uma condição humana fundamental, ou seja, partilhável.

 

O tema da globalização constitui a pedra-toque do seu pensamento. Nessa temática, Aminata Traoré identifica as causas do seu activismo. Nessa temática também, produz uma análise compreensiva sobre as interdependências profundas dessas mesmas causas, o que a conduz a engajamentos que poderiam ser descritos como ambicionando uma recomposição pós-abissal do mundo. Evidente demonstração disso mesmo é a reflexão sobre os significados da globalização hegemónica e a forma como condiciona um pensamento sobre os significados da noção de desenvolvimento.

 

A ajuda internacional via mecanismo de dívida externa dos países facilmente se converte em instrumento de dominação e conversão dos países às lógicas que prevalecem nos circuitos globais do poder e da economia.

 

A actualidade destas questões é novamente enfatizada na publicação da autora, juntamente com Boubacar Boris Diop, La Gloire des Imposteurs. Lettres sur le Mali et l’Afrique (2014. Paris: Phillipe Rey) a propósito da intervenção francesa na crise do Mali.

 

De modo correlato é pensado o tema da democracia. Que a democracia constitui hoje um conceito polissémico é uma constatação que tem merecido acordo generalizado. Trajectórias históricas múltiplas, cosmovisões culturais também múltiplas, envolvências sociais, políticas e económicas particulares tornam-se indispensáveis para quem pretende compreender, caracterizar e analisar uma dada experiência de um dado regime e/ou dada sociedade que se descreve como democrata ou como almejando a democracia.

 

Esta polissemia intrínseca é, por seu turno, fortemente contestada, de tal modo, que ela se assemelha hoje a uma arena de embate ideológico (mas não só) em que as partes em confronto, embora se reclamem herdeiras e perpetuadoras de princípios tidos por partilhados – cidadania, participação, governo autorizado, etc. – competem, na verdade, por projectos de sociedade e de política que podem assumir características divergentes e até antagónicas. Um dos pontos de maior tensão nestes confrontos na contemporaneidade diz respeito ao lugar do Estado e à sua relação com o sistema económico. Da definição dessa relação, por exemplo, podem resultar projectos de sociedade de cariz mais socialista, ou de capitalismo regulado, ou de natureza neoliberal, ou de Estado Social, entre outros perfis e nuances possíveis.

 

Na perspectiva de Aminata Traoré, a hegemonia que a ideologia neoliberal exerce desde há algumas décadas, constitui-se como um forte poder disciplinador que constrange e reduz as possibilidades de experimentação democrática e de uma recuperação positiva da polissemia que a ideia de democracia encerra em si mesma, nomeadamente a das práticas participativas.

 

Esta redução do campo de possibilidades democráticas produziu, ainda, um outro efeito redutor: trata-se da redução do ideário democrático a um receituário democrático. Esta redução encontra-se bem patente na influência das análises de cariz procedimental sobre democracia, a qual tende a omitir uma reflexão aprofundada sobre os significados e as finalidades da participação das/os cidadãs/os e da indispensável inclusão das/os que habitam as margens, para além de meros formalismos. O caso das mulheres é, em Aminata Traoré, particularmente elucidativo, tal como o é o caso das/os filhas/os destas mulheres que se sujeitam a migrações condenadas à clandestinidade. Relembre-se, a este título, a já mencionada Marcha da Dignidade. A premência destas margens suscita, por seu turno, o repensar a democracia para além de sistemas político-partidários e coloca o desafio de expandir o político para além das suas fronteiras tradicionais, ao focar o que deverão ser as responsabilidades e o papel da sociedade civil. Nas suas palavras:
Quand vous êtes dans un parti, vous êtes dans la logique de la conquête du pouvoir et perçu comme une menace pour le pouvoir qui, a partir de ce moment, vous prend au sérieux, soit pour vous récupérer, soit pour vous combattre. Mais quand vous vous inscrivez en tant que contre-pouvoir sur le registre de la formation de l’opinion, vous ne pesez pas grand-chose. C’est pour cela que nous-mêmes, membres de cette société civile, avons le devoir de faire le point. Lorsque, face à 114 partis, vous êtes 3 000 associations ou plutôt 3 000 «détenteurs de récépissés» comme c’est le cas au Mali, comment fonctionne ce qu'il est convenu d'appeler la démocratie? Une société civile qui englobe, en plus des citoyens ordinaires, les imams, les chefs de village ou de quartiers, les hommes d’affaires etc. peut-elle parler d'une même voix, influencer les dirigeants et se faire entendre?4

 

Por fim, atente-se na forma pela qual Aminata Traoré formula a emergência de lutas comuns através de uma forte e ampla consciência histórica sobre a experiência de África. Essa emergência de lutas comuns é compreendida à luz da intensificação da globalização hegemónica, a qual tem promovido o deslocamento da linha abissal do Sul para o Norte, ampliando o Sul, enquanto espaço de marcado por exclusões históricas e formas contemporâneas de fascismo social:
Toutes les questions qui sont au cœur du débat politique ici au Nord: chômage, dette, précarité, austérité, etc. sont les nôtres depuis trois décennies! Et je ne parviens pas à comprendre… C'est une forme de racisme qu'à partir des problèmes que l'on provoque et que l'on exporte chez les autres, on ne puisse pas examiner la situation de ces pays, à la lumière de problèmes que l'on ne parvient pas, soi-même, à gérer. Je leur pose cette question tout le temps en leur demandant "Est-ce que vous pensez vraiment que le Mali peut faire mieux que la France, que le Portugal, que l’Espagne? Vous me dites que c'est une question de démocratie, mais pourquoi n'expliquez-vous pas pourquoi, dans ces pays qui n'ont aucun problème d'organisation d'élections et où les élections se déroulent comme vous le souhaitez, les jeunes sont-ils aux abois? Pourquoi les Indignés? Pourquoi Wall Street, si ce système est seulement lié à une question de démocratie?" Et ils n'ont pas de réponse à cette question, qu'ils ne veulent même pas écouter! Pourquoi? Parce qu'ils sont dans un carcan.5

 

 

REFERÊNCIAS
Traoré, Aminata, 1998, L’Étau. L’Afrique dans un monde sans frontières. Paris: Actes du Sud.
Traoré, Aminata, 2002, Le viol de l’impasse. Paris: Actes du Sud.
Traoré, Aminata, 2002, «Civiliser la mondialisation». In Quel Avenir por les pays en développment à la lumière des changements découlant de la mondialisation. Maroc: Publications de L’Académie du Royaume du Maroc. 89-94.
Traoré, Aminata, 2005, Lettre au président des Français à propos de la Côte-d’Ivoire et de l’Afrique en général. Paris: Fayard.
Traoré, Aminata, 2008, L’Afrique humilée. Paris: Fayard.
 

Como citar

Gomes, Catarina Antunes (2019), "Aminata Traoré", Mestras e Mestres do Mundo: Coragem e Sabedoria. Consultado a 13.06.21, em https://alice.ces.uc.pt/mestrxs/?id=27696&pag=23918&id_lingua=1&entry=34478. ISBN: 978-989-8847-08-9