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Indignado y Comprometido
Antoni Jesús Aguiló

Destaque Semanal

Indignado y Comprometido
Antoni Jesús Aguiló

 

 

José María Arguedas 

Ana Regedor
Publicado em 2022-01-06

“Eu não sou um aculturado; eu sou um peruano que orgulhosamente, como um demónio feliz fala em cristão e em índio, em espanhol e em quéchua. Desejava converter essa realidade em linguagem artística e ao que parece, segundo certo consenso mais ou menos geral, consegui fazê-lo”1.

 

Escritor e antropólogo peruano comprometido com a defesa dos direitos dos povos indígenas aborda, nas suas narrativas de carácter autobiográfico, o multiculturalismo que caracteriza a sociedade peruana. Ao longo da sua obra proporciona ao leitor uma verdadeira experiência de imersão cultural, dando a conhecer a proliferação de costumes e celebrações andinas, bem como a variedade de povos originários de um país dirigido por uma sociedade colonialista.

 

Destacou-se como intelectual e humanista ao imprimir nos seus textos preocupações de teor social, não descurando as considerações económicas que alargaram a separação entre o proletariado “serrano” e as classes dominantes do poder político. Enquanto etnólogo, debruçou-se sobre a formação de uma cultura própria e mestiça por definição, na qual se revela a verdadeira identidade dos seus povos. Desempenhou esta tarefa insistentemente, destinado a cumprir um objetivo social. Chegou a chefe do departamento de Etnologia da Universidade de San Marcos, em Lima, tendo pertencido ao departamento de Sociologia da Universidade Agrária de La Molina, também na capital peruana, tratando a literatura, o folclore e a antropologia como áreas conexas de raiz marcadamente política e social. Com inigualável mestria mistura os géneros literário e científico, tanto na sua investigação como nos seus romances, fazendo deles verdadeiros ensaios antropológicos.

 

Na sua obra - Formação de uma cultura nacional indoamericana - aborda a temática dos movimentos sociais que levaram ao êxodo rural e ao crescente fluxo migratório para a zona costeira do país. Comparando os movimentos que tiveram lugar na antiguidade com os dos dias de hoje, caracteriza os primeiros como pontuais e finitos, como consequência de acontecimentos históricos, circunscritos a uma cultura e área fechadas. Por oposição, entende os segundos como expressão do neoliberalismo dos mercados e do capitalismo, anunciando uma movimentação a uma escala sem procedentes em prol da obtenção de um estatuto social superior. Não obstante, faz menção ao crescimento de algumas populações andinas que beneficiaram da construção de vias de comunicação e infraestruturas, salientando que o ritmo progressivo que caracteriza este processo é maior do que havia sido calculado.

 

É neste contexto que introduz a problemática da sobrevivência da cultura antiga do Peru, que denomina de “índia” porque não existe nenhum outro termo que a identifique com a mesma clareza2. Tal cultura é resultado de um processo evolutivo e de transmutação social que se refletiu na cultura peruana desde as invasões espanholas e que logrou manter-se, através dos tempos, distanciando-se da influência ocidental. A sua sobrevivência em muito se deve à plasticidade da cultura nativa, bem como à assimilação de elementos que lhe eram alheios, refletidos na inovação tecnológica e nas artes e consubstanciados na mestiçagem, uma vez que o ser humano é definido pela comunidade a que pertence que o inicia, tanto à prosperidade como à miséria e segregação social.

 

Arguedas encarna o mestiço narrador de histórias que sofreu a discriminação no seio da sua família, da infância à adolescência, e dos seus pares quando entra para a universidade na capital peruana. É o retrato de um branco órfão de mãe em tenra idade, maltratado pela madrasta e adotado pelos indígenas empregados na casa de um pai sempre ausente, advogado de profissão que se deslocava de povoação em povoação para o exercício das suas funções. “A mim, criaram-me os índios”3. Estes factos contribuíram para a particular vivência dos jovens anos que marcariam todo o seu percurso.

 

Consubstancia-se neste autor a dialética delicada, que ainda hoje caracteriza a realidade peruana, ao retratar um país dividido em duas culturas: andina, de origens indígenas (quéchua) e urbana, de raízes europeias e influências ocidentais. José Maria Arguedas foi um lutador constante pela integração e aceitação de todos os povos, no seio de uma sociedade multicultural, o que o fez afastar-se das práticas discursivas ocidentais e escrever preferencialmente na língua quéchua. Lucía Lockert defende que o autor “recupera a língua quéchua que se ouvia em todas as terras andinas do Peru na boca dos mestiços que falam castelhano”4.

 

A este propósito refere José Bento, tradutor da obra Os rios profundos para português, o desafio que foi para si proceder à tradução de um texto tão rico quanto complexo porque prolífero em expressões nativas. “A tradução deste livro foi para mim muito difícil: a um mundo muito diferente do que eu conheço teria de corresponder uma linguagem também diferente. Tanto, que só o prazer que a sua leitura me dera e a convicção de estar perante um dos melhores romances hispano-americanos me levou a, lentamente, concluir o trabalho há muito começado”5.

 

Utilizando a sua obra como meio de mobilização político-social, Arguedas retrata os movimentos sociais emergentes numa realidade múltipla em que o tecido social se move na procura de uma identidade cultural. Os seus relatos apresentam-nos perspetivas dicotómicas, evidenciando os estratos de poder político que se consubstanciam em duas realidades sociais distintas: “costa” e “sierra”.  A “costa”, para onde migram os membros de comunidades do interior em busca de uma vida melhor, é também onde se encontra o governo central do qual emana a autoridade máxima a ser posta em prática por todo o país. Na “sierra” idolatra-se a inocência daqueles que trabalham a terra de outros, retratando o convívio dos índios, senhores e mestiços por entre enredos que questionam a “consciência social andina”.

 

O autor não deixa de ilustrar outros aspetos da realidade social em que viviam os índios e mestiços nas aldeias da “sierra”, os abusos de poder e os conflitos “nessas aldeias onde há quinhentos índios por proprietário”6. Assim, nas narrativas de Arguedas, encontra-se plasmada a postura discriminatória da sociedade ocidentalizada face às comunidades andinas. Trata-se de uma expressão da complexa realidade sociocultural para a qual o autor quis chamar a atenção, enfatizando a riqueza da diversidade e dinâmica que emergem das relações interculturais.

 

No panorama literário da América Latina, a obra de José María Arguedas fecha o ciclo do indigenismo tradicional – corrente literária do século XX que visa incorporar os indígenas no âmbito literário. Não obstante, os autores que se iniciaram nesta corrente literária, não consideravam o crescente protagonismo social e político e, de acordo com as críticas que Arguedas lhes endereçou, contemplavam o índio do ponto de vista do europeu colonizador, tendendo a reproduzir a dicotomia que a geografia do país acentuava: “costa” civilizada, povoada por brancos e “sierra” atrasada, habitada por índios selvagens. Eis a razão pela qual o autor expressou a sua frustração face à literatura indigenista dos princípios do século, alegando que “as obras mais famosas da época mostravam os indígenas como seres decadentes”7. Por esse motivo, sentiu-se profundamente indignado e comprometeu-se a “revelar a verdadeira realidade humana do índio, totalmente diferente da apresentada pela literatura”8 que lhe era contemporânea.

 

Os seus estudos etnológicos, bem como a sua obra são resultado e “expressão do mundo andino, e o mundo andino é uma comunidade plural e de certo modo heterogénea, que se forma articulada ao que alguma vez chamámos espinha dorsal da nossa América: a cordilheira dos Andes que vai desde a Venezuela, nas margens do Caribe, até à Terra do Fogo. Nesse território onde se constituiu, antes da invasão europeia, uma organização político-administrativa plural e tolerante que pode considerar-se como um dos sistemas mais completos e extensos na história das sociedades humanas”9. Após a invasão e ocupação espanhola, o espaço andino foi fragmentado e os seus habitantes originários, despojados das suas terras e dos seus bens, foram submetidos a um sistema alheio de exploração e servidão quase escrava. Chamaram-lhes “índios” e conotaram-nos como inferiores, selvagens e bárbaros. Não obstante, os valores ancestrais, a língua e a cultura dos povos originários resistiram e mantiveram notas de interculturalidade na América Latina.

 

Arguedas é um escritor branco que escreve em castelhano sobre a realidade dos povos indígenas. Primeiramente, aprendeu a falar em quéchua e só começou a estudar castelhano a partir dos oito anos. José María Arguedas defendia que o quéchua conseguia expressar as emoções com maior intensidade do que o castelhano, recorrendo a ele para traduzir os sentimentos mais característicos do coração indígena: a ternura, o carinho e o amor à natureza.

 

A linguagem usada pelo autor não separa as perceções auditivas, visuais e plásticas num enredo coreográfico e musical, enquanto expressões integrantes da linguagem andina que não podem ser reduzidas à linguagem poética. A sua trajetória narrativa é bem marcada pela luta por encontrar uma forma de expressão literária para o mundo andino, o que o levou à construção de um estilo literário próprio, em que “o espírito do mundo indígena se verbaliza em castelhano, baseando-se no processo interior do quéchua”10, construindo, à sua semelhança, uma linguagem literária mestiça. Esta articulação entre a mundividência andina e a sua expressão/tradução num idioma que lhe é alheio resulta numa poética própria e complexidade conceptual plasmada no pensamento e escrita do autor.

 

Estas considerações remetem-nos para outro aspeto basilar da identidade indígena: a importância da oralidade, expressão musical e artística como um todo. Assim, se traduz, na realidade das comunidades quéchua, o conceito ocidental de poesia, consubstanciando-se no uso criativo da palavra, música e dança.

 

Recorrendo ao romance como género narrativo, José María Arguedas proporciona-nos uma leitura aberta e dinâmica, verdadeiras aprendizagens de outras realidades e tradições que nos permitem conhecer melhor universos culturais afastados do nosso. Apresenta-nos assim perceções alternativas do mundo andino, a partir de uma perspetiva eticamente comprometida com a representação das culturas nativas, propondo, através da literatura, uma forma de resistência cultural.

 

Não esqueçamos, porém, que o autor estudou antropologia, substituindo, em algumas etapas da sua vida, a produção literária por incisivas análises etnográficas, assentes numa premissa central: as comunidades rurais não são comunidades fechadas, isoladas ou resistentes à mudança, pelo contrário, estão articuladas de forma dinâmica com correntes externas e tratam de responder às forças sociais. Nesta mesma linha, defende que a tendência rumo à estratificação social e ao individualismo é consequência das alterações sociais e não uma tentativa de resistência.

 

A sua primeira obra, Água, trata da seca avassaladora que afetou a comunidade de San Juan de Lucanas, retratando as desigualdades que se faziam sentir quando a ausência de água da chuva trouxe consigo a necessidade de efetuar uma repartição justa das águas armazenadas. Não obstante, o personagem principal, homem explorador, tende a fazer uma divisão em favor das possibilidades económicas dos proprietários, dividindo-a com os seus amigos, proprietários brancos ou mestiços como ele e condenando as terras dos índios à seca que comprometia a prosperidade dos seus cultivos.

 

Nesta narrativa, os conflitos sociais e culturais do mundo andino são observados através dos olhos de uma criança que se apercebe da ternura e solidariedade do universo indígena face à disputa e violência que caracteriza o mundo dos brancos.

 

O segundo livro editado pelo autor, Canto Kechwa, aborda canções e contos da cosmologia andina que aprendeu na “sierra”. A poesia quéchua retratada é contemporânea do autor e incorpora já vocabulário castelhano, numa tentativa de superar a tendência colonial de pensar o mundo indígena como algo que pertence ao passado e associado ao parco desenvolvimento das populações mais pobres.

 

Na sua obra Yawar fiesta são narrados os contrastes que se fazem sentir na povoação andina de Puquio, quando as autoridades do governo central de Lima proíbem a tradicional corrida de touros, ordenando que esta seja substituída por uma outra, menos feroz e perigosa, levada a cabo por toureiros profissionais numa arena, ao estilo espanhol. Nesta obra poderosa, os idiomas quéchua e castelhano cruzam-se com os fatores sociais, económicos e culturais que dividem a população local: os indígenas que lutam por manter a sua dignidade e tradições vivas e os brancos que oferecem resistência às novas disposições do poder central, embora não se atrevam a opor-se aos representantes locais.

 

A obra Os rios profundos versa sobre o conflito entre o mundo indígena e o mundo ocidental, abordando ainda temáticas imbuídas de violência racial e social, falhas do sistema educativo opressor e o processo de identificação do autor com a cultura andina. A ação decorre entre Cusco, Abancay e o colégio religioso que Ernesto passaria a frequentar como aluno interno e retrata a longa viagem que empreendeu com o seu pai pelas imponentes paisagens andinas.

 

“Até ao dia em que o meu pai me confessou, num tom aparentemente mais energético que outras vezes, que a nossa peregrinação terminaria em Abancay. Tivemos que atravessar três distritos para chegar a essa pequena cidade silenciosa. Foi a viagem mais longa e estranha que fizemos juntos; umas quinhentas léguas em jornadas medidas que se cumpriram rigorosamente”11.

 

Esta obra profundamente humanizadora recorda-nos que devemos valorizar e respeitar o ‘homem’ andino, que durante séculos foi maltratado e explorado pelas classes dominantes. “O criado índio que permanecia de pé, fora, na galeria, poderia ser aniquilado se o Velho desse uma ordem”12.

 

O livro Todos os sangues retrata o sistemático desaparecimento das comunidades indígenas peruanas face à expansão das multinacionais estrangeiras que se implantam no país. Com a introdução de relações de produção capitalistas, agudiza-se a desintegração da estrutura andina de exploração dos recursos naturais. O romance explora o conflito entre a cultura e os interesses da comunidade indígena que se vê ameaçada pelo imperialismo trazido pela cultura norte-americana. Esta obra desenvolve-se num Peru diverso e multicultural onde as pequenas sociedades andinas se sujeitam aos consórcios internacionais, suscitando a questão da cultura indígena num contexto de modernização da cultura e desenvolvimento nacional.

 

A raposa de cima e a raposa de baixo é a última obra deste autor que permaneceu inacabada pelo motivo da sua morte. O romance está intercalado com diários pessoais do autor que revelam as suas últimas tormentas. A crítica aos poderes hegemónicos está presente, tal como em Todos os sangues, direcionada às corporações internacionais. A obra relata a luta entre classes sociais, o conflito de interesses antagónicos que perpetuam um regime de exploração. Retrata ainda a perda de identidade cultural de todos os índios que se mudaram para as cidades. Aborda em particular as consequências do acelerado processo de modernização do porto da cidade industrial de Chimbote, devido ao aumento do fluxo de pesca e à chegada de imigrantes andinos. O fenómeno do êxodo rural é explicado pela modernização da indústria e pela possibilidade de melhorar o nível de vida das populações indígenas e camponesas dos andes.

 

Nas palavras de Rosina Varcárcel, “valorizar o andino a partir de uma dimensão arguediana, significa não só recordar os intihuatanas13 ou relógios solares, ou os poemas míticos como expressão de uma grande cultura, mas também apelar à necessidade de novas formas de relacionamento com os homens e mulheres andinas e com os produtos culturais destas gentes, reivindicar a sua potencialidade e autonomia nos marcos de uma convivência política em que o racismo não continue a condená-los à miséria e isolamento permanentes, ou aos massacres dentro das suas comunidades”14. Esta autora defende a conceção de José María Arguedas de um socialismo andino que propunha uma vertente integradora, transparente e humanista, na qual a luta contra a dominação fosse feita através da cultura. Na sua abordagem à vida e obra do autor, Rosina Varcárcel refere-se aos estudos que este realizou de uma perspectiva da “andinização” de Lima, que passou a ser, nos meados do século passado, o centro da cultura crioula e mestiça, ao ser invadida por milhares de indígenas que levaram para a capital, juntamente com a sua força de trabalho, as suas danças, canções e espiritualidade, desprezadas pela cultura colonizadora.

 

A vida e obra de José María Arguedas constitui um importante legado, pela decorrente valorização das práticas ancestrais das culturas nativas, das particularidades linguísticas que as caracterizam, bem como da enorme riqueza das diferentes expressões artísticas que constituem o seu património. O autor, que pautou toda a sua vida pela convicção da premente necessidade de partilha da compreensão do mundo dos povos indígenas, lutou contra adversidades várias decorrentes da complexidade da sua condição social, cultural, intelectual e política. Teve um triste fim, suicidando-se aos 58 anos.


Notas

  1. Tradução livre de “Yo no soy un aculturado; yo soy un peruano que orgullosamente, como un demonio feliz habla en cristiano y en indio, en español y en quechua. Deseaba convertir esa realidad en lenguaje artístico y tal parece, según cierto consenso más o menos general, que lo he conseguido”. Discurso do autor na entrega do prémio ‘Inca Garcilazo de la Vega’, Lima, Outubro 1968.
  2.  Arguedas, J. M., ‘El complejo cultural en el Peru’, Formación de una cultura indoamericana pp. 4.
  3.  Arguedas, J.M, Os rios profundos, Assírio e Alvim, Lisboa 1992, página 278.
  4. Lockert, L. F., La conciencia social andina en la obra de José María Arguedas, pp. 604.
  5. Arguedas, J.M, Os rios profundos, Assírio e Alvim, Lisboa 1992 página 7.
  6.  Arguedas, José María, Canto Kechwa, con un ensayo sobre la capacidade de creación artística del Pueblo índio y mestizo, Lima, Editorial Horizonte, 1989, p. 59.
  7. Citado por Mario Vargas Llosa, “Tres notas sobre Arguedas. Indigenismo y buenas intenciones”, en La nueva novela latinoamericana, Editorial Paidós,Buenos Aires, 1972, p. 37.
  8. Ibidem.
  9. Nelson Osorio Tejeda, José María Arguedas y el linguaje de la identidade mestiza, in América sin nombre nº17, 2011,pp.75. 
  10. Nelson Osorio Tejeda, José María Arguedas y el linguaje de la identidad mestiza, in América sin nombre nº17, 2011, pp. 78.
  11. Arguedas, J.M, Os rios profundos, Assírio e Alvim, Lisboa 1992 página 43.
  12. Arguedas, J.M,Os rios profundos, Assírio e Alvim, Lisboa 1992 página 283.
  13. Intihuatana é um termo quéchua referente a uma pedra “onde se amarra o sol”, crê-se que servia como calendário astronómico para definir as estações segundo a sombra que o sol fazia à base da pedra.
  14. Rosina Varcácel, Perú: Arguedas y el socialismo mágico. Una primera aproximación, Sirvindi. Disponível em: http://www.servindi.org/actualidad/39123.

Referências

  • José María Arguedas, ‘Formación de una cultura nacional indoamericana’;
  • Arguedas, J.M, ‘Os rios profundos’, Assírio e Alvim, Lisboa 1992;
  • Lockert, L. F., ‘La conciencia social andina en la obra de José María Arguedas’;
  • Nelson Osorio Tejeda, José María Arguedas y el linguaje de la identidade mestiza, in ‘América sin nombre’ nº17, 2011. Disponível em http://rua.ua.es/dspace/bitstream/10045/26476/1/ASN_17_09.pdf ;
  • Rosina Varcácel, ‘Perú: Arguedas y el socialismo mágico. Una primera aproximación’, Sirvindi. Disponível em: http://www.servindi.org/actualidad/39123;

Como citar

Regedor, Ana (2019), "José María Arguedas ", Mestras e Mestres do Mundo: Coragem e Sabedoria. Consultado a 21.01.22, em https://alice.ces.uc.pt/mestrxs/?id=27696&pag=23918&id_lingua=1&entry=36612. ISBN: 978-989-8847-08-9