<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Alice News &#187; Direito à cidade</title>
	<atom:link href="http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;tag=direito-a-cidade" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old</link>
	<description>Alice Project</description>
	<lastBuildDate>Mon, 01 Oct 2018 16:40:12 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1.4</generator>
		<item>
		<title>‘Cidades sustentáveis’: Painel do Fórum Social discute como mudar o mundo a partir dos municípios</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5151</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5151#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 23 Jan 2016 11:56:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Democratizing Democracy]]></category>
		<category><![CDATA[Events / Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[More countries]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Cidadanía]]></category>
		<category><![CDATA[Crise Ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Direito à cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Elections]]></category>
		<category><![CDATA[Financial Capitalism]]></category>
		<category><![CDATA[FSM-FST2016]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Institutional Politics]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Izquierdas]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Medio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5151</guid>
		<description><![CDATA[Há 15 anos o Fórum Social Mundial fala de um outro mundo possível. Um painel realizado nesta quinta-feira (21), na Assembleia Legislativa, defendeu que o outro mundo possível pode começar a ser construído...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5137' rel='bookmark' title='Fórum Social deve ir além do debate e agir mais, diz Boaventura de Sousa Santos'>Fórum Social deve ir além do debate e agir mais, diz Boaventura de Sousa Santos</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5103' rel='bookmark' title='Porto Alegre celebra 15 anos de Fórum Social Mundial'>Porto Alegre celebra 15 anos de Fórum Social Mundial</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4309' rel='bookmark' title='Fórum Social Mundial começa na Tunísia com mensagem contra o terrorismo'>Fórum Social Mundial começa na Tunísia com mensagem contra o terrorismo</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Há 15 anos o Fórum Social Mundial fala de um outro mundo possível. Um painel realizado nesta quinta-feira (21), na Assembleia Legislativa, defendeu que o outro mundo possível pode começar a ser construído pelas cidades. São elas que abrigam a maior parte da população mundial, que concentram renda e ações políticas, que definem questões de peso nacional. E é essa também a premissa do “Cidades Sustentáveis”, programa criado para fiscalizar e pressionar gestões públicas em agendas sustentáveis de desenvolvimento.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.sul21.com.br/jornal/cidades-sustentaveis-painel-do-forum-social-discute-como-mudar-o-mundo-a-partir-dos-municipios/">Sul 21</a><br />
Fernanda Canofre<br />
21 Jan 2016</p>
<div id="attachment_5152" class="wp-caption aligncenter" style="width: 900px"><a href="http://alice.ces.uc.pt/news/wp-content/uploads/2016/01/20160121-mesa-cidades.jpg"><img src="http://alice.ces.uc.pt/news/wp-content/uploads/2016/01/20160121-mesa-cidades.jpg" alt="" title="20160121-mesa-cidades" width="900" height="675" class="size-full wp-image-5152" /></a>
<p class="wp-caption-text">Cidades Sustentáveis foi tema de painel na AL nesta quinta (21) (Foto: Fernanda Canofre/Sul21)</p>
</div>
<p>O projeto tem como idealizador, o “pai do Fórum”, Oded Grajew. A ideia é utilizar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) das Organização das Nações Unidas – que deveriam ser alcançados até 2015 – e a partir deles traçar as metas para uma gestão sustentável de desenvolvimento para as cidades. Ou seja, parte do princípio de que para mudar o mundo, tem que começar mudando a própria aldeia.</p>
<p>“Nada está fora da sustentabilidade. Achamos por bem pegar esses objetivos e adaptar às cidades. Vamos lançar esse agenda este ano, que é um ano de eleições no Brasil, para que o máximo de partidos possa usar em sua plataforma [de governo]”, disse Oded em sua fala. O objetivo do Cidades também é levar o programa como um compromisso político nos três níveis do Executivo: prefeituras, governos estaduais e federal.</p>
<p>O trabalho do projeto iniciou em 2010, em São Paulo, tentando incentivar gestores e candidatos ao governo do estado e ao Senado a aderirem a agenda sustentável nas eleições do mesmo ano. Dois anos antes, o mesmo movimento já havia impulsionado a mudança na lei orgânica da cidade, que obriga todo prefeito que assume a capital paulista a entregar um plano de metas de governo – incluindo todas as áreas da administração pública – dentro de 90 dias.</p>
<p>“Obrigatoriamente, como está na legislação, ele tem que incluir suas promessas de campanha. Essa ação vai funcionar a medida que a sociedade acompanhar e exigir”, explicou Oded. Além de apresentar os objetivos aos gestores, o Cidades também tem função de fiscalizar e pressionar o cumprimento das metas. “Acreditamos piamente que estas coisas só vão acontecer a medida que a gente avance na democracia participativa”.</p>
<p>Segundo ele, 40 cidades brasileiras já seguiram a ideia de São Paulo. A última a assinar a mudança na lei orgânica foi Porto Alegre. O próximo prefeito ou prefeita que assumir a capital gaúcha já terá de cumprir a nova lei.</p>
<p>Em torno da ideia de Oded, se reuniram na mesma mesa Nelton Friedrich, diretor de Meio-Ambiente na Usina de Itaipu Binacional, Ieva Lazareviciute, representante do Programa da ONU de Desenvolvimento (PNUD), Eduardo Tadeu, presidente da Associação Brasileira de Municípios (ABM), Dorothy Martos, membro do GT Sociedade Civil para a Agenda 2030, e o sociólogo português, Boaventura de Sousa Santos.</p>
<p><strong>“A democracia participativa de Porto Alegre está se transformando numa farsa”<br />
</strong><br />
Boaventura não falou de utopias, tampouco temperou com otimismo sua visão de alternativa de mundo. Primeiro, ele falou sobre sua frustração com um sistema internacional envolvido em guerras, com crises migratórias sem planejamento, entregue cada vez mais ao capitalismo. “Esse é o mundo que vivemos. Não posso deixar de estar menos otimista hoje do que estava 15 anos atrás”, disse. Em seguida, retomou sua frustração com Porto Alegre – como havia feito ontem na cerimônia onde recebeu título de cidadão da capital – “A democracia participativa de Porto Alegre está a transformar-se numa farsa”.</p>
<p>A principal direção da crítica foi Porto Alegre ter caído numa receita velha conhecida para um português. Segundo Boaventura segue assim: municípios endividados se colocam nas mãos do capital privado para sair das dívidas. Ele se referia ao projeto do prefeito José Fortunati – aprovado na última sessão de 2015 na Câmara de Vereadores – que criou uma Empresa de Gestão de Ativos de Porto Alegre, vinculada à Secretaria Municipal da Fazenda. A empresa emite títulos dando como garantias bens públicos.</p>
<p>“Isso não é uma distopia abstrata. Isso aconteceu em Detroit e aconteceu na Grécia. Quando nós transformamos parte dos bens públicos em garantia da dívida, nós corremos o risco de as nossas cidades virem a ser tomadas pelos bancos. Não são apenas as moradias individuais, são os espaços públicos, os edifícios que constituem a identidade da cidade”, analisou Boaventura.</p>
<p>Em sua fala, ele defendeu que a grande crise das cidades está colocada em três temas: desigualdade social, injustiça espacial e violência urbana. Boaventura falou dos números de violência em Porto Alegre e no mundo. Ele foi aplaudido quando lembrou da violência policial nos Estados Unidos dirigida à população negra. “A violência é o outro lado da privatização do espaço público, porque aqueles que podem proteger-se da violência fecham-se em condomínios, urbanizações separadas, nos castelos neo-feudais. O que está acontecendo: são dois Brasis, o do neo, o do moderno e o outro. E infelizmente, o outro tem muito mais poder”, disse.</p>
<p>Boaventura fez uma leitura de como todas as crises se refletem no espaço das cidades, mesmo a política. “A rua da cidade é um espaço político cada vez mais importante e cada vez mais em disputa. É uma rua de contestação (…) daqueles que pensam que perderam o direito à cidade”, afirmou ele para em seguida lançar uma preocupação. “Aqui é algo que todos nós deveríamos nos preocupar bastante. A rua não é de esquerda. A rua também é da direita. Da direita reacionária. Da direita golpista. Ela está e vai ser um grande campo de disputa nas nossas cidades. Aí se põe a questão da segurança. A segurança vai criminalizar o protesto, em geral. Vai ter dois critérios, um para os movimentos sociais das classes populares e outro para os mais abastados”.</p>
<p>O sociólogo também abordou as crises do clima – chamando a atenção para o crescimento exponencial das migrações forçadas, causadas por mudanças climáticas – e classificou a Conferência do Clima, realizada em dezembro, em Paris, como uma “derrota”. “Foi uma fraude definir a COP21 como sucesso. Foi um grande fracasso. Por quê? Porque não foi possível assumir compromissos vinculantes por parte dos Estados. Porque não foi possível no documento final, sequer falar do petróleo, nem do carvão. Porque os Estados Unidos não deixaram”. A realidade mais provável, segundo Boaventura, é que a meta de aumentar apenas 1,5ºC da temperatura da Terra não será mantida até 2030.</p>
<p>“Eu penso que a gente continua a lutar por um outro mundo possível, mas o mundo real do 2001 era melhor do que esse. Então, houve retrocesso. Então, enfrentemos os fatos. Então, sejamos realistas”, disse ele durante a fala que classificou como “nota de inquietação”.</p>
<p>A esperança está no que Boaventura chama de “zonas de liberdade”, grupos que provam com suas experiências que “é possível tirar o capital da cidade”. Como exemplos, ele citou organizações envolvidas em hortas urbanas e jardins comunitários, além de grupos na Bolívia e na Índia que encontram em suas tradições a saída do modelo capitalista. Mesmo para um realista, sem muito otimismo, a economia solidária parece ser a única saída.</p>
<p><strong>“Ninguém mais tem cheque em branco para governar”<br />
</strong>Outros participantes do painel também salientaram a importância das políticas adotadas em municípios e dividiram suas próprias experiências.</p>
<p>“O programa do Cidades Sustentáveis agora é um novo capítulo, um novo momento e os prefeitos e prefeitas terão esse desafio”, declarou Jairo Jorge (PT), prefeito de Canoas, que aderiu a agenda em janeiro do ano passado. O petista estava representando a Frente Nacional de Prefeitos, entidade que apoiou a atividade do CS no Fórum. “A sociedade está empoderada para cobrar, para exigir que cumpram as metas de seus gestores. Ninguém mais tem cheque em branco para governar”.</p>
<p>Eduardo Tadeu, da Associação Brasileira de Municípios (ABM), que também apoiou o painel, falou da experiência prática da entidade e afirmou que “os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) só serão possíveis a partir do engajamento do município”. “Os ODSs têm um vínculo fundamental com o direito à cidade. Para que serve um governo local? Para garantir os interesses do capital ou para garantir a participação das pessoas nas cidades? (…) É aí que os governos têm de decidir se vão caminhar por um ou por outro”, ressaltou Tadeu.</p>
<p>Ele ainda lembrou de como as redes municipais de atendimento tem crescido. Se antigamente os estados possuíam postos de saúde e escolas fundamentais espalhados no interior, hoje todas estas questões recaem sobre os municípios. Mesmo a segurança – geralmente nas mãos dos estados – se tornou dependente do auxílio dos municípios desde compra de novas viaturas a abastecimento de combustível.</p>
<p>Além da experiência de gestores, o encarregado pelas políticas de meio-ambiente em Itaipu, Nelton Friedrich, também dividiu sua experiência de parceria entre a estatal e municípios da região selecionada por ela para iniciar o projeto. Segundo ele, 30% dos municípios da região assinaram o Cidades Sustentáveis.</p>
<p>Nelton destacou a formação de educadores ambientais pelos programas da Itaipu: hoje eles são cerca de 5 mil. E falou sobre o projeto de merenda escolar com produtos vindos de agricultura familiar: “O que mais deu resultado foi envolver as cozinheiras das escolas. Elas são protagonistas de uma comida saudável. Quando se envolve o ator local, está multiplicando por outros atores”, defendeu ele.</p>
<p>O Cidades Sustentáveis também enviou convites a representantes de todos os partidos para assinar um compromisso com a agenda sustentável, a ser aplicado nas eleições deste ano. Apenas três partidos estiveram presentes e firmaram o compromisso no palco: PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), PSB (Partido Socialista Brasileiro) e Rede Sustentabilidade. Os partidos foram representados, respectivamente, por Roberto Robaina, Beto Albuquerque e Montsserat Martins.</p>
<p>O PT (Partido dos Trabalhadores) e o PPS (Partido Popular Socialista) enviaram justificativas para ausência.</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5137' rel='bookmark' title='Fórum Social deve ir além do debate e agir mais, diz Boaventura de Sousa Santos'>Fórum Social deve ir além do debate e agir mais, diz Boaventura de Sousa Santos</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5103' rel='bookmark' title='Porto Alegre celebra 15 anos de Fórum Social Mundial'>Porto Alegre celebra 15 anos de Fórum Social Mundial</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4309' rel='bookmark' title='Fórum Social Mundial começa na Tunísia com mensagem contra o terrorismo'>Fórum Social Mundial começa na Tunísia com mensagem contra o terrorismo</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5151</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Para que Junho não seja aniquilado dentro de nós</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=3508</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=3508#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2014 09:13:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Human Rights]]></category>
		<category><![CDATA[Multimedia content / Contenido multimedia / Conteúdo multimídia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Direito à cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Evictions]]></category>
		<category><![CDATA[Freedom of Expression]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=3508</guid>
		<description><![CDATA[Quando a água que brota dos olhos, com revolta e certeza, se sublima e transmuta em criatividade insurgente, resistência poética e confronto de almas e corpos, entra em cena uma nova forma revolucionária...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=3282' rel='bookmark' title='﻿Brasil: &#8216;Que um grito de gol não abafe a nossa história&#8217;'>﻿Brasil: &#8216;Que um grito de gol não abafe a nossa história&#8217;</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=3317' rel='bookmark' title='Por que não abrir mão da crítica à Copa do Mundo?'>Por que não abrir mão da crítica à Copa do Mundo?</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=2542' rel='bookmark' title='Brasil Periferia(s): Andreia Moassab em Coimbra para conversa sobre cultura e comunicação'>Brasil Periferia(s): Andreia Moassab em Coimbra para conversa sobre cultura e comunicação</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Quando a água que brota dos olhos, com revolta e certeza, se sublima e transmuta em criatividade insurgente, resistência poética e confronto de almas e corpos, entra em cena uma nova forma revolucionária de ser, sentir e lutar.</p></blockquote>
<p>Especial para ALICE News<br />
19 Jun 2014<br />
Isabella Gonçalves Miranda</p>
<p><iframe width="460" height="260" src="//www.youtube.com/embed/6adqpoeuBs0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O ano de 2013 foi marcado pela democratização da democracia brasileira a partir das ruas. Em junho, pelo menos um milhão de pessoas ocuparam os espaços públicos e as redes sociais com a expressão de descontentamentos e desejos de transformação social, questionando a redução do exercício do político à esfera da institucionalidade. </p>
<p>As principais cidades do país foram palco de uma efervescência política e cultural sem precedentes, que gerou novos coletivos e movimentos sociais e fortaleceu a radicalidade da lutas urbanas. As ações diretas como greves, trancamentos, marchas e ocupações passaram a ser tomadas de outra maneira pela opinião pública e pelos meios de comunicação. Nos meses seguintes, junho permaneceu vivo nas cidades. A cidade do Rio foi tomada pela greve dos professores, o Ocupa Cabral e levantes da periferia contra a violência policial. Em Belo Horizonte, movimentos culturais e políticos se associaram para fazer ocupações culturais de espaços públicos e ocupações de terras para fins de moradia, agregando mais de 15.000 famílias. Em São Paulo nasceram mais de 90 ocupações de moradia e ocupações culturais e, nas vésperas da Copa do Mundo, grandes marchas de metroviários, militantes pelo passe livre e sem teto coloriram as ruas de vermelho.</p>
<p>Na medida em que Junho se tornou mais radical, popular e contestatório, os poderes financeiros e imobiliários perceberam que essa situação era demasiado perigosa. A aproximação da Copa do Mundo, maior evento do capitalismo global, exigia a redução da democracia à institucionalidade, retirando das ruas a sua potencialidade de se figurar um espaço de lutas ampliadas por direitos. Desde então, os coletivos, movimentos e indivíduos passaram a ser alvo de dura criminalização e descredibilização do protesto pelos meios de comunicação e de uma crescente repressão estatal. </p>
<p>A dualização entre manifestantes e vândalos, promovida pelo Estado e pela grande mídia, produz a imagem de que algumas pautas de teor mais nacionalista e difuso eram democráticas e justas, ao mesmo tempo em que eram invisibilizadas as pautas construídas mais à esquerda, como a própria questão da redução da tarifa, a desmilitarização da polícia e o fim do massacre da juventude negra, além dos ataques direcionados aos governos locais, responsáveis pela privatização das cidades. Além de imputar aos grupos mais à esquerda o “radicalismo”, por meio da construção “manifestantes versus vândalos”, a mídia legitimava a violência policial e definia uma forma certa, aceitável e dócil de se manifestar.</p>
<p>Durante a Copa do Mundo, a direita brasileira passou a difundir a ideia de que “lugar de manifestação é nas urnas”, ou nos camarotes dos estádios, espaço de gente privilegiada de onde ecoaram vaias e xingamentos à presidente da república. A chamada “revolta do camarote” protagonizada pela elite, apelidada ironicamente de <em>yellow blocks</em>, é um retrato de uma classe social que mesmo se beneficiando do crescimento econômico do país e da privatização das cidades no contexto do megaevento Copa do Mundo, não pode deixar de aproveitar para atacar um governo que, no cenário latino-americano, ainda representa uma promessa popular, ainda que cada vez mais evasiva.</p>
<p>Protegidos atrás da tela dos telões de jogos, essa elite sempre desprezou a luta social e se beneficiou de sua proximidade com o Estado, ou seja, de uma democracia trivializada e seqüestrada por interesses econômicos e relações interpessoais permeados por “favores” e “jeitinhos”. Confortável com o povo acalmado, ela explora a insatisfação dócil de vários brasileiros com a Copa do Mundo sem qualquer ônus econômico ou político, enquanto criminaliza qualquer um que queira fazer barulho na festa.</p>
<p>Movimentos sociais e ativistas independentes, que estiveram extremamente ativos no cenário urbano desde junho, e que nos meses seguintes se empenharam na ocupação dos espaços públicos e na luta por direitos, durante a Copa vão às ruas pela reparação dos direitos violados no contexto de realização da Copa do Mundo e contra o estado de exceção instaurado no país. São pessoas que mais cuidadosamente guardaram Junho dentro de si e que vêem hoje essa promessa de intensificação democrática esmagada pela repressão policial, pelo estado de exceção instaurado no país e pela criminalização da ação política extra-institucional.</p>
<p>No dia 12 de Junho, a violência da polícia militar e mais o gol contra do Brasil marcaram a abertura da Copa do Mundo. Instituição criada durante a ditadura militar essa polícia, que é treinada para o militarismo e não para a segurança pública e já teve a sua extinção solicitada pelas nações unidas, esteve pronta para reprimir durante manifestações. Cerca de 2 mil milhões de reais foram investidos em ‘segurança, na compra de armamentos, equipamentos de vigilância e treinamentos. Em novembro de 2012, o governo federal comprou 50 milhões de reais em armas “menos letais”.</p>
<p>Justificando a sua atuação em um contexto de acesso pelo amparo de legislações inconstitucionais, como a Lei Geral da Copa, essa polícia realizou em diferentes locais do Brasil detenções arbitrárias em massa, revistas coletivas públicas, procedimentos de cercamento das manifestações para impedir marchas, além de espancamentos e até práticas de tortura, como ocorreu em Belo Horizonte com a mídia ativista Ninja, Karinny de Magalhães (acesse o relato <a href="https://ninja.oximity.com/article/Voc%C3%AAs-deviam-todos-morrer-diz-PM-1">aqui</a>).</p>
<p>A repressão das manifestações no período da Copa atentam contra os mais básicos direitos civis e políticos dos brasileiros e tem criado uma cidade de exceção, exceção essa que aprofunda a regra do país: uma democracia militar cortada por fortes desigualdades sociais “geridas” por uma concertação política que quer agradar, simultaneamente, a trabalhador e patrão; camponês e latifundiário; especulador e ocupação.<br />
Toda a criminalização e repressão dos protestos, aliados ao marketing e a força da propaganda capitalista, tiveram um objetivo claro: matar junho! Impedir que a Copa do Mundo, assim como foi a Copa das Confederações, se transformasse em um período de intensificação da luta social. </p>
<p>As manifestações que se iniciaram para exigir a reparação dos direitos violados das populações no contexto da Copa do Mundo, e para denunciar a política da FIFA e o estado de exceção instaurado no país, converteram-se, em grande medida, em protestos pelo direito de manifestar. Assim como em Junho de 2013 pessoas saíram às ruas revoltadas com a violência policial na repressão dos protestos pela redução da tarifa em São Paulo, fazendo um apelo aos direitos e à democracia, hoje ativistas lutam para que esse estado de exceção não deixe no país um legado ainda mais profundo de militarismo e repressão.</p>
<p>Ao contrário do que propagam os meios de comunicação, as manifestações são contra a violência. Para os manifestantes essa Copa é violenta, até hoje tem gente sem casa, sem trabalho e presa por lutar. Os ativistas querem a paz, mas não existe paz sem voz, por isso reafirmam a necessidade de ocupar as ruas durante a Copa do Mundo mesmo diante das condições mais adversas, porque para transformar o país não adianta torcer, é preciso lutar!</p>
<p>No meio de uma parede policial repressora, essas pessoas conseguem afirmar a democracia real e popular por meio da resistência e da organização coletiva. Assembleias são realizadas dentro de cercamentos policias para debater os rumos das manifestações. A fragilidade de seus corpos contrasta com a fortaleza das suas convicções e da capacidade de resistência e criatividade.</p>
<p>Em Belo Horizonte, com intervenções criativas na cidade como performances, shows e campeonatos de futebol de rua, os manifestantes quebramos o cerco policial com uma arte confrontativa, com direito ao tropeiro do Mineirão, proibido nos estádios da FIFA. Formaram-se mais de 34 times, um retrato da confluência das pautas políticas e da construção de uma unidade aberta por uma cidade das pessoas e não do capital. Jogaram feministas, ocupantes, feirantes, o povo da rua, artistas, palhaços, hippies, marxistas, argentinos, venezuelanos, anarquistas e outros libertários. Quem apareceu e não topou tirar a farda e entrar no jogo foi a PM, que ficou de atenta espectadora, vendo a alegria do povo e o cheirinho de tropeiro do Mineirão, mas perdeu de W.O.</p>
<p>Outras ações como essa, como a Copa Rebelde e os campeonatos nas comunidades do Rio, mostram que os manifestantes estão dispostos a fazer um Gol da resistência e da criatividade coletiva contra a repressão e o medo!</p>
<p>Para que junho não seja aniquilado dentro de cada um e cada uma, brotou dos olhos dos manifestantes, junto às lágrimas de revolta, uma paixão compartilhada pela cidade que amam e pelas pessoas que fazem dela algo mais do que um território de indiferença, controle e desencontro. A capacidade de permanecer nas ruas revela que o movimento está mais maduro, e se alguém achou que iriam recuar diante da criminalização midiática e do estado de exceção promovido pela FIFA, eles e elas provaram que estão 100% na rua e 100% anticopa, e assim estarão durante todo o campeonato e depois dele.</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=3282' rel='bookmark' title='﻿Brasil: &#8216;Que um grito de gol não abafe a nossa história&#8217;'>﻿Brasil: &#8216;Que um grito de gol não abafe a nossa história&#8217;</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=3317' rel='bookmark' title='Por que não abrir mão da crítica à Copa do Mundo?'>Por que não abrir mão da crítica à Copa do Mundo?</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=2542' rel='bookmark' title='Brasil Periferia(s): Andreia Moassab em Coimbra para conversa sobre cultura e comunicação'>Brasil Periferia(s): Andreia Moassab em Coimbra para conversa sobre cultura e comunicação</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=3508</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
