<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Alice News &#187; Comunicación</title>
	<atom:link href="http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;tag=comunicacion" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old</link>
	<description>Alice Project</description>
	<lastBuildDate>Mon, 01 Oct 2018 16:40:12 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1.4</generator>
		<item>
		<title>Boaventura de Sousa Santos: mundo caminha para rupturas</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=6136</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=6136#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2017 23:30:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bolivia]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Democratizing Democracy]]></category>
		<category><![CDATA[Ecuador]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[More countries]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Agronegocio]]></category>
		<category><![CDATA[Buen Vivir]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Colonialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Crisis]]></category>
		<category><![CDATA[Decolonial]]></category>
		<category><![CDATA[Desconstitucionalización]]></category>
		<category><![CDATA[Discrimination]]></category>
		<category><![CDATA[Education]]></category>
		<category><![CDATA[Elections]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemologias do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Extractivismo]]></category>
		<category><![CDATA[Fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Financial Capitalism]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Indigenas]]></category>
		<category><![CDATA[Institutional Politics]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Izquierdas]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Patriarcado]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas sociais]]></category>
		<category><![CDATA[State]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia da Libertação]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=6136</guid>
		<description><![CDATA[Para o professor da Universidade de Coimbra, a peleja entre ideais democráticos e capitalismo em crise levará a rupturas do calibre das revoluções do início do século 20. “Esperemos que menos violentas” Rede...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5686' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Quinze questões para uma nova esquerda'>Boaventura de Sousa Santos: Quinze questões para uma nova esquerda</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4700' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Para ler em 2050'>Boaventura de Sousa Santos: Para ler em 2050</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=6085' rel='bookmark' title='A difícil reinvenção da democracia frente ao fascismo social &#8211; Entrevista com Boaventura de Sousa Santos'>A difícil reinvenção da democracia frente ao fascismo social &#8211; Entrevista com Boaventura de Sousa Santos</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Para o professor da Universidade de Coimbra, a peleja entre ideais democráticos e capitalismo em crise levará a rupturas do calibre das revoluções do início do século 20. “Esperemos que menos violentas”</p></blockquote>
<p><a href="http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/124/boaventura-de-sousa-santos-mundo-caminha-para-rupturas">Rede Brasil Atual</a><br />
Sarah Fernandes<br />
08 Jan 2017<br />
 <br />
Pouca gente no planeta observa a geopolítica mundial com a lucidez de Boaventura de Sousa Santos. Catedrático aposentado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal, e professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin, Estados Unidos, Boaventura é também profundo conhecedor da realidade do Brasil, onde passou a ser mais conhecido no início deste século, ao organizar e participar de edições do Fórum Social Mundial, e onde esteve recentemente para lançar seu novo livro, <em>A Difícil Democracia</em> (Editora Boitempo).</p>
<p>Ao analisar o complexo cenário político e econômico global, o professor considera incompatível a coexistência entre a democracia e as modernas sociedades capitalistas. Para ele, a democracia, limitada ao nível do sistema político, sempre sucumbe, na prática, aos três modos de dominação de classes: capitalismo, colonialismo e patriarcado. O resultado, com alguma variação de tons aqui e ali, é a prevalência de um fascismo social. Tome-se o caso brasileiro no qual, segundo Boaventura, a democracia tinha mais intensidade antes do “golpe parlamentar-midiático-judicial” do que tem agora. Agora, a simples composição do governo mostra como a democracia está mais capitalista, colonialista e patriarcal. E o que tem o fascismo social a ver com isso?</p>
<p>Sua definição das situações em que o fenômeno ocorre soará familiar: quando uma família tem comida para dar aos filhos hoje, mas não sabe se a terá amanhã; quando um trabalhador desempregado se vê obrigado a aceitar as condições ilegais que o patrão impõe; quando uma mulher é violada a caminho de casa ou é assassinada em casa pelo companheiro; quando povos indígenas são expulsos de suas terras ou assassinados impunemente por capangas a serviço de latifundiários; quando jovens negros são vítimas de racismo e de brutalidade policial nas periferias das cidades.</p>
<p>“Em todos estes casos, as vítimas são formalmente cidadãos, mas não têm realisticamente qualquer possibilidade de invocar eficazmente direitos de cidadania a seu favor”, define o professor. As vítimas de fascismo social, portanto, não são consideradas plenamente humanas, como ele resume. Boaventura vê ainda nos planos do atual governo um potencial devastador, de definhamento da democracia e de um aumento brutal do fascismo social. Confira entrevista para a <em>Revista do Brasil</em>, disponível apenas no site.</p>
<p><em>É possível funcionar uma democracia plena em um sistema capitalista globalizado, neoliberal e com mídia oligopolizada?<br />
</em><br />
Nas sociedades capitalistas em que vivemos e que, aliás, além de serem capitalistas, são colonialistas e patriarcais, não é possível democracia plena porque ela só opera (e mesmo assim com muitos limites) ao nível do sistema político, enquanto as relações sociais diretamente decorrentes dos três modos de dominação (capitalismo, colonialismo e patriarcado. Ou seja, as relações patrão/trabalhador, branco/negro ou indígena, homem/mulher) só muito marginalmente podem ser democratizadas a partir do atual sistema político. Aliás, torna-se virtualmente impossível quando o sistema político é, ele próprio, dominado por patrões, por homens e por brancos. Ao deixar um vasto campo de relações sociais por democratizar, a democracia é sempre de baixa intensidade. Mas obviamente há graus de intensidade e os graus contam muito na vida das pessoas. A democracia brasileira tinha mais intensidade antes do golpe parlamentar-midiático-judicial do que tem agora. A simples composição do governo mostra como a democracia é agora mais capitalista, colonialista e patriarcal.</p>
<p><em>O que seria a democracia do futuro? Em que ela precisa romper com a democracia que temos hoje?</em><br />
A democracia que temos não tem futuro, porque as forças sociais e econômicas que atualmente a dominam e a manipulam estão possuídas de uma tal voracidade de poder que as impede de aceitar os resultados incertos do jogo democrático sempre que estes não lhes convêm. A manipulação midiática e a fraude eleitoral (constitutiva no caso dos Estados Unidos) vão acabar por retirar qualquer vestígio de credibilidade à democracia. Nessas condições, a luta pelo ideal democrático vai implicar no futuro próximo uma ruptura do mesmo calibre das revoluções da primeira metade do século 20. Esperemos que menos violenta. Será uma democracia de tipo novo que procurará garantir o máximo de autonomia do sistema político em relação aos três modos de dominação acima referidos – para o que será necessária uma Assembleia Constituinte originária – para a partir desse sistema político: a) pressionar até o limite a dominação capitalista em nome da igualdade socioeconômica por via da redistribuição da riqueza, dos direitos laborais, do acesso à terra, da tributação progressiva, do reconhecimento de outras formas de propriedade para além da privada; e b) pressionar até ao limite a dominação colonialista e patriarcal em nome do reconhecimento da igual dignidade das diferenças raciais, etnoculturais e de gênero. Ao contrário do que aconteceu até agora, as duas pressões são igualmente importantes e têm de ser simultâneas. Na medida em que tiverem êxito, as duas pressões irão deixando emergir uma outra matriz social e política que muitos chamarão socialismo, se por socialismo entendermos democracia sem fim.</p>
<blockquote><p>A PEC 55 destinou-se a fazer a população crer que o pouco que deve esperar do Estado é o que for dado pela direita. Espero que o povo torne o país ingovernável aos que o querem governar com tais medidas</p></blockquote>
<p><em>E como isso seria possível?</em><br />
O sistema político terá de combinar democracia representativa e participativa, o pluralismo econômico será o outro lado do pluralismo político, a ecologia será a medida do crescimento econômico e não o contrário, como acontece agora, e a educação será a prioridade das prioridades, orientada para democratizar, desmercantilizar, descolonizar e despatriarcalizar as relações sociais. As condições para ruptura são imprevisíveis e podem implicar muito sofrimento humano injusto. O importante é ter ideias para as pôr em prática quando o momento chegar e convicções para distinguir rupturas dos novos disfarces da continuidade. Até agora, as ideias de ruptura estão a vir da direita e não da esquerda, como bem ilustra a eleição de Donald Trump e o crescimento da extrema-direita na Europa. O sistema disfarça-se de antissistema para aprofundar o seu domínio e a sua capacidade de exclusão.</p>
<p><em>No livro <em>A Difícil Democracia</em>, o senhor observa que temos uma democracia de baixa intensidade e que “vivemos em sociedades politicamente democráticas e socialmente fascistas”. Que impactos isso causa no funcionamento da sociedade e por que chegamos nesse ponto?</em><br />
As situações de fascismo social ocorrem sempre que pessoas ou grupos sociais estão à mercê das decisões unilaterais daqueles que têm poder sobre eles. Exemplos de fascismo social: quando uma família tem comida para dar aos filhos hoje, mas não sabe se a terá amanhã; quando um trabalhador desempregado se vê na contingência de ter de aceitar as condições ilegais que o patrão lhe impõe para poder sustentar a família; quando uma mulher é violada a caminho de casa ou é assassinada em casa pelo companheiro; quando os povos indígenas são expulsos das suas terras ou assassinados impunemente por capangas ao serviço dos agronegociantes e latifundiários; quando os jovens negros são vítimas de racismo e de brutalidade policial nas periferias das cidades. Em todos estes casos, estou a referir situações em que as vítimas são formalmente cidadãos mas não têm realisticamente qualquer possibilidade de invocar eficazmente direitos de cidadania a seu favor. A situação agrava-se quando se trata de imigrantes, refugiados etc. Por exemplo, a situação de trabalho escravo de milhares de imigrantes bolivianos nas fábricas de São Paulo. As vítimas de fascismo social não são consideradas plenamente humanas por quem impunemente as pode agredir ou explorar.</p>
<p>Mas o fascismo não tem apenas a face violenta. Tem também a face benevolente da filantropia. Na filantropia quem dá não tem dever de dar e quem recebe não tem direito de receber. Em tempos recentes, a classe alta e média alta do Brasil ressentiu muito que as empregadas domésticas ou os motoristas já não precisavam dos favores dos patrões para comprar um computador aos filhos ou fazer um curso. Ressentiam o fato de os seus subordinados se terem libertado do fascismo social. Quanto mais vasto é o número dos que vivem em fascismo social, menor é a intensidade da democracia.</p>
<blockquote><p>Manipulações midiática e eleitoral abalam a credibilidade da democracia. A simples composição do governo mostra como a democracia é agora mais capitalista, colonialista e patriarcal</p></blockquote>
<p><em>O senhor classifica como esquerda um conjunto de teorias e práticas que resistiram ao capitalismo e à crença em um futuro pós-capitalista, mais justo, centrado na satisfação das necessidades dos indivíduos e da liberdade. O quanto a esquerda de hoje se aproxima desse conceito?</em><br />
Desde a queda do Muro de Berlim a esquerda mundial perdeu a memória e a aspiração de uma sociedade pós-capitalista. Na América Latina, os movimentos indígenas vieram trazer para a agenda política, sobretudo na primeira década do século 21, uma alternativa vibrante ao socialismo, o <em>buen vivir</em> (<em>sumak kawsay</em> em quíchua, “bem viver”) dos povos andinos como matriz de desenvolvimento não capitalista. Essa nova matriz foi consagrada nas Constituições do Equador de 2008 e da Bolívia de 2009. Infelizmente, a prática política tem vindo a contradizer a Constituição. No fundo, a esquerda latino-americana foi sempre muito eurocêntrica e, por vezes, racista, sobretudo em relação aos povos indígenas e quilombolas. O problema da esquerda neste momento é não ter uma resposta progressista para crise do neoliberalismo que se avizinha. A eleição de Donald Trump e o crescimento da extrema-direita na Europa mostram que as forças de direita estão mais bem posicionadas para impor uma resposta reacionária.</p>
<p><em>Por que o senhor afirma em seu livro que Cuba se transformou em um problema para a esquerda?</em><br />
Quando, na primeira década do novo milênio, se começou a discutir no continente o socialismo do século 21, algo inédito em nível mundial, muitas vozes (a minha incluída) advertiram que tal discussão só faria sentido se primeiro discutíssemos os erros do socialismo do século 20. Acontece que Cuba era um dos socialismos do século 20 e haveria de incluí-lo na crítica. Muitos companheiros acharam que tal crítica acabaria por vulnerabilizar ainda mais a corajosa luta do povo cubano ante a agressão do imperialismo norte-americano e o infame embargo. O capítulo do livro a que se refere foi escrito a partir de uma perspectiva socialista e solidária para com a luta do povo cubano. O texto foi muito bem recebido em Cuba por intelectuais que muito respeitamos, mas a publicação foi embargada por ordens superiores. Como vai a esquerda reagir se Cuba caminhar para uma solução de capitalismo de Estado à la chinesa ou à la vietnamita? Mas mais problemático ainda é como a esquerda reagirá a algo que tem vindo a querer desconhecer: como reagir ao fato de em vários países da Europa Oriental as sondagens de opinião revelarem repetidamente que a maioria da população destes países considera que vivia melhor no tempo do socialismo de Estado?</p>
<p><em>O Brasil da era Lula é citado como nova potência “benévola e inclusiva”. Quais foram os limites desse modelo? Como o Brasil pode ser classificado agora?</em><br />
O Brasil de Lula foi o produto de uma conjuntura que dificilmente se repetirá nos próximos tempos. Tratou-se da alta dos preços dos recursos naturais e agrícolas impulsionada pelo desenvolvimento da China (e também por especulação). Permitiu que se realizasse uma notável diminuição da pobreza sem que os ricos deixassem de enriquecer, sem que o sistema político e a prática política fossem democratizados, sem que se fizesse reforma tributária, do sistema financeiro e dos meios de comunicação. E sem que se pusesse em causa, e antes se aprofundasse, um modelo de crescimento assentado na desindustrialização, na destruição do equilíbrio ecológico do país e na imposição de sofrimento injusto e ilegal (à luz do direito interno e internacional) aos povos indígenas, aos camponeses e às populações ribeirinhas. Todas estas omissões foram os limites do modelo do período Lula, um modelo tão brilhante nos êxitos do curto prazo, como leviano no descuidar das suas condições de sustentabilidade. O Brasil de agora é politicamente uma sociedade mais capitalista, mais colonialista e mais patriarcal do que era antes do golpe, e por isso menos democrática e com mais fascismo social.</p>
<blockquote><p>O problema da esquerda é não ter resposta progressista à crise do neoliberalismo. Trump e a extrema-direita europeia mostram que a direita está mais bem posicionada para impor uma resposta reacionária</p></blockquote>
<p><em>Se o futuro da esquerda não será uma continuação linear do seu passado, como será esse futuro?</em><br />
Estamos num período de bifurcação política, uma conjuntura altamente instável que pode caminhar em uma de duas direções opostas: ou o fascismo social se expande e se transforma em fascismo político; ou as forças democráticas prevalecem antecipando-se às forças de direita que se posicionam para “resolver” a crise do neoliberalismo que se avizinha – uma crise que elas próprias criaram com a colaboração ativa de alguma esquerda rendida à “evidência” do pensamento único. A esquerda só tem futuro no segundo caso, e para isso tem de se refundar numa dupla crença: os grandes empresários, os banqueiros e a mídia corporativa a serviço dele nunca aceitarão a “paz e amor” com as forças de esquerda. Quem governa à direita tem não só o controle do governo, como também o do poder social, econômico e político no seu sentido mais amplo. Quem governa à esquerda só tem o controle do governo e o tem de usar para neutralizar os outros poderes fáticos. Perante essa assimetria, governar à esquerda é sempre governar contra a corrente, com tolerância zero com a corrupção e dando prioridade à reforma do sistema político de modo a autonomizá-lo o mais possível em relação aos poderes que reproduzem a dominação capitalista, colonialista e patriarcal. Os lideres adequados a essa esquerda terão de ser muito diferentes dos atuais, centrados em ampliar e manter autônomas e ativas as organizações de cidadãos e cidadãs segundo mecanismos de democracia participativa. O poder político das forças de esquerda será tanto maior quanto mais amplamente for partilhado por quem não se considera “político”.</p>
<p><em>Há também um refluxo do neoliberalismo em toda a América Latina. Como a esquerda reagirá a esse contexto?</em><br />
A esquerda latino-americana perdeu uma grande oportunidade histórica. Na primeira década do novo milênio o neoliberalismo estava na defensiva no continente devido à guerra no Iraque. Os governos de esquerda fizeram sonoras declarações contra o neoliberalismo e o imperialismo, mas não se envolveram com entusiasmo (sobretudo os países maiores como o Brasil) na implementação de políticas regionais que blindassem o continente depois da exaltante vitória da luta continental contra a ­Alca e tornassem a solidariedade regional numa prática consistente. Organizações como a Alba, Unasur, Banco do Sul foram sendo negligenciadas, tal como o próprio Mercosul.</p>
<p><em>Os erros da esquerda explicam a retomada neoliberal?</em><br />
Hoje, o neoliberalismo na América Latina tem dois nomes: o imperialismo norte-americano e o imperialismo da União Europeia. A esquerda latino-americana está despreparada para combater eficazmente esse perigo para as forças progressistas. Desde que a Teologia da Libertação foi praticamente banida por papas reacionários, a esquerda deixou de saber onde moram os desgraçados, condenados, excluídos, silenciados, ressentidos do continente. E se soubesse onde moram, não saberia como falar com eles. Parafraseando um grande marxista deste continente, José Carlos Mariátegui (pensador peruano), o pecado capital da esquerda latino-americana é ter-se esquecido dos desgraçados e desgraçadas do continente, levada pela miragem da conquista de supostas classes médias que no continente sempre estiveram ao lado das oligarquias.</p>
<p><em>Quais podem ser os impactos de uma medida que limita gastos públicos por 20 anos para a democracia brasileira e para a sociedade?</em><br />
Devastador. Anuncia um brutal aumento do fascismo social e o consequente definhamento da democracia. Trata-se de uma medida provocatória destinada a mostrar às classes populares que não poderão mais acreditar nas promessas da esquerda e que o pouco que poderão esperar do Estado é o que lhes for dado pela direita. Espero que os brasileiros e as brasileiras tornem o país ingovernável aos poderes que os querem governar com tais medidas.</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5686' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Quinze questões para uma nova esquerda'>Boaventura de Sousa Santos: Quinze questões para uma nova esquerda</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4700' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Para ler em 2050'>Boaventura de Sousa Santos: Para ler em 2050</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=6085' rel='bookmark' title='A difícil reinvenção da democracia frente ao fascismo social &#8211; Entrevista com Boaventura de Sousa Santos'>A difícil reinvenção da democracia frente ao fascismo social &#8211; Entrevista com Boaventura de Sousa Santos</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=6136</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>“La culpa es de la flor”, por SupGaleano</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=6111</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=6111#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Dec 2016 18:12:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Democratizing Democracy]]></category>
		<category><![CDATA[Español]]></category>
		<category><![CDATA[Events / Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[More countries]]></category>
		<category><![CDATA[Opinión]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Anti-imperialism]]></category>
		<category><![CDATA[Art]]></category>
		<category><![CDATA[Capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cognitive Justice]]></category>
		<category><![CDATA[Colonialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Decolonial]]></category>
		<category><![CDATA[Ecologia de Saberes]]></category>
		<category><![CDATA[Education]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemologias do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Indigenas]]></category>
		<category><![CDATA[Intercultural Translation]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Izquierdas]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Patriarcado]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=6111</guid>
		<description><![CDATA[¿Por qué esa flor es de ese color, por qué tiene esa forma, por qué tiene ese olor? Enlace Zapatista 27 Dec 2016 El 30 de febrero de este año de 2016, la...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5965' rel='bookmark' title='“Vivemos ainda sob a lógica do colonialismo”'>“Vivemos ainda sob a lógica do colonialismo”</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4397' rel='bookmark' title='Fallece el escritor uruguayo Eduardo Galeano'>Fallece el escritor uruguayo Eduardo Galeano</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5243' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa, el pensador estrella de los movimientos sociales'>Boaventura de Sousa, el pensador estrella de los movimientos sociales</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>¿Por qué esa flor es de ese color, por qué tiene esa forma, por qué tiene ese olor?</strong></p>
<p><a href="http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2016/12/27/la-culpa-es-de-la-flor/">Enlace Zapatista</a><br />
27 Dec 2016</p>
<p><em>El 30 de febrero de este año de 2016, la revista electrónica sueca especializada en temas científicos, “River´s Scientist Research Institute”, publicó un estudio que, tal vez, habrá de revolucionar las ciencias y su aplicación al entorno social.</p>
<p>Un grupo de científicos, encabezados por los doctores suecos Stod Sverderg, Kurt Wallander y Stellan Skarsgard, presentaron un complejo análisis multidisciplinario que llega a una conclusión que sonará escandalosa: hay una relación directa entre el aumento en la cantidad y calidad de los movimientos feministas y la disminución de la tasa de natalidad.</p>
<p>Combinando métodos de estadística, embriología, biología molecular, genética y análisis conductual, los científicos establecen que el aumento en la diversidad y beligerancia del feminismo, provoca una inhibición de la libido en los varones, lo que reduce la frecuencia de la actividad sexual reproductiva.</p>
<p>Pero no sólo. Análisis de laboratorio establecen que los espermatozoides de los varones expuestos a la actividad feminista son más débiles que los de los varones que no están expuestos. Lo que se conoce como astebizisoermia, o síndrome del “espermatozoide perezoso”, tiene más presencia en la población masculina de las sociedades donde el feminismo ocupa un lugar protagónico en las relaciones sociales. Según la prestigiada publicación citada, el doctor Everet Bacstrom, del “Rainn Wilson Institute”, con sede en Londres, Inglaterra, confrontó los resultados de la investigación con una muestra de varones europeos, de clase media, WASP, y obtuvo la misma conclusión.</p>
<p>Por su parte, las activistas feministas europeas, Chloë Sevigny y Sarah Linden, consultadas por la publicación, declararon que todo no era más que una sucia maniobra de lo que llamaron “el cientificismo patriarcal”.</p>
<p>Mientras tanto, el centro internacional de consultoría para gobiernos “Odenkirk Associated”, declaró, a través de sus voceros, James Gordon y Harvey Bullock, que recomendarían a los gobiernos de los países del primer mundo, cito textualmente, “inhibir el activismo y la beligerancia de los grupos feministas”, para así elevar la tasa de natalidad en los países desarrollados. Así mismo, declararon que recomendarán a los gobiernos de los países del Tercer mundo, principalmente en África y Latinoamérica, alentar el surgimiento y participación de grupos feministas, principalmente en zonas marginadas, de modo que se reduzca la tasa de natalidad en esos sectores, evitando así que proliferen los disturbios sociales.</p>
<p>Consultadas al respecto, las asesoras de la Comunidad Económica Europea, Stella Gibson y Gillian Anderson, se negaron a confirmar o desmentir que el citado estudio será la base de la nueva política internacional de Europa para con el tercer mundo.</em></p>
<p>Bien, esto que les he leído es un ejemplo del nuevo periodismo científico. Aunque es mi autoría total, se los damos como regalo de fiestas decembrinas. Tómenlo y hagan un experimento: publíquenlo.</p>
<p>No recurran a la prensa escrita. Salvo el que esto escribe y un cada vez más reducido número de personas, ya nadie lee los periódicos y revistas para informarse. Vaya, ni siquiera quienes escriben en esos medios los leen, sólo consultan las referencias que de sus textos se hagan en redes sociales; y más, son las redes sociales quienes les dictan el tema que deben tratar. Hace apenas unos meses, leí a un “líder de opinión” y “analista especializado”, preguntar a sus “seguidores” el tema que debía tratar en su columna periodística: “fav, si sobre la candidata del Consejo Nacional Indigenista” (me cae que así escribió), “rt, si sobre el gran camarada y dirigente, sol de nuestra ruta y preclaro constructor del porvenir”. No necesito decirles que ganaron los rt.</p>
<p>No, si quieren tener “repercusión mediática” recurran, como fuente primaria de difusión, a las redes sociales.</p>
<p>Busquen a una estrella de las redes sociales, por ejemplo, un adolescente tuitstar con cientos de miles de seguidores, alguien preocupado siempre por darle a sus fans materiales que promuevan la tolerancia crítica, el debate racional y la reflexión profunda (cosas que, es evidente, se encuentran en abundancia en esa estimulante red social). Alguien como, por ejemplo, John M. Ackerman (253 mil seguidores). Sí, ya sé que dije que un adolescente, y el señor John Ackerman ya tiene sus kilómetros recorridos, pero estoy hablando de edad mental, así que sean comprensivos.</p>
<p>Luego “síganlo” y consigan que no los bloquee. Esto es muy sencillo, no necesitan escribir nada medianamente inteligible. Basta con llenar su “time line” de rt´s de todas las grandes y sólidas verdades que emanan del teclado del susodicho. Y tampoco eso es complicado, porque pueden configurar su cuenta de ustedes para que dé rt en automático.</p>
<p>Bien, ahora sólo necesitan convencer a ese “influencer” que ponga una breve referencia al citado estudio, y sus cientos de miles de seguidores, en automático, le darán fav y rt.</p>
<p>Así el estudio “científico” será un éxito y será la base de futuros análisis, coloquios, mesas redondas y entrará a la abultada biblioteca de las teorías de la conspiración.</p>
<p>No, no tendrán que preocuparse de que alguien se tome la molestia de analizar críticamente la nota supuestamente científica y se dé cuenta de lo siguiente:</p>
<p>.- Febrero no tiene 30 días.<br />
.- “River” es una serie policial británica en la que protagonista, John River, es interpretado por el sueco Stellan John Skarsgård.<br />
.- Stod Sverderg y Kurt Wallander, son personajes de la serie policial sueca “Wallander”.<br />
.- Everet Bacstrom, es el nombre del protagonista de la serie policial “Bacstrom”, y Rainn Wilson es el nombre del actor.<br />
.- Chloë Sevigny es el nombre de la actriz que protagoniza, en el papel de Catherine Jensen, la serie policial danesa “Those Who Kill”<br />
.- Sarah Linden es el nombre de la protagonista de la serie policial estadunidense The Killing, con la actriz Mireille Enos.<br />
.- Bob Odenkirk es el nombre del actor principal de la serie “Better Call Saul”, supuestamente la precuela de Breaking Bad.<br />
.- James Gordon y Harvey Bullock son personajes de la serie “Gotham”.<br />
.- La Comunidad Económica Europea no existe más, desapareció en 2009 para dar paso a Unión Europea.<br />
.- Y Stella Gibson y Gillian Anderson, son respectivamente el personaje protagónico y la actriz que desempeña ese papel en la serie “The Fall”.</p>
<p>Ahí disculpen si mi pronunciación del inglés está lejos de la etiqueta de coloquios científicos internacionales, y más bien parece de “wet back” de los años 40´s, pero la solidaridad con los migrantes latinos que padecen la pesadilla Trump tiene caminos insospechados y no siempre evidentes. En todo caso, quienes lean y no escuchen estas palabras, no tendrán por qué ligar nada con el horror que ya se vive al norte del río Bravo.</p>
<p>Claro, hubiera bastado que cualquiera de ustedes “googleara” las principales referencias para darse cuenta de que el supuesto “estudio científico” descrito, es un completo fraude.<br />
-*-<br />
¿Tiene qué preocuparse la ciencia de esos fraudes que reducen el quehacer científico a una caricatura de consumo masivo?</p>
<p>¿Creen que sólo deben enfrentarse a la religión y al creacionismo? La religión es la religión, no pretende ser científica. En cambio, la pseudociencia sí es un problema mayor. Si creen que están en la época de la Ilustración, y son felices ridiculizando los paradigmas religiosos y ganando las encuestas de popularidad de la televisión en stream, donde se enfrentan ateos contra creyentes, no se han dado cuenta del boquete que las ciencias tienen bajo la línea de flotación.</p>
<p>Las pseudociencias o ciencias falsas no sólo ganan cada vez más seguidores, se están convirtiendo ya en una explicación aceptada de la realidad.</p>
<p>Si no me creen, tomen una terapia de cuarzo y de balance bioenergético. O inscríbanse en un diplomado de “Teoría de la Ciencia”, en la división de estudios superiores de una universidad respetable, y sorpréndanse de que deben cursar una materia que se llama “filosofía científica” (el oximorón que les persigue desde aún antes de las leyendas de Prometeo, Sísifo y Teseo).</p>
<p>Créanlo o no, los tiempos oscuros que se vienen, llevan ya a las ciencias, del banquillo de los acusados, al patíbulo social.</p>
<p>Ya volveré en otra ocasión sobre este punto más en extenso.</p>
<p>Pero ahora esto viene al caso, o cosa, según, porque, así como ustedes tienen que confrontar la invasión de esas ciencias falsas, nosotras, nosotros zapatistas enfrentamos eso y algunas cosas más.<br />
-*-<br />
En nuestra participación en la primera sesión general de ayer, les presenté algunas de las preguntas que mis compañeras y compañeros que han sido seleccionados como alumnas y alumnos suyos, prepararon.</p>
<p>No son mis preguntas. Si fueran mías, hubieran sido de otro estilo. Serían preguntas tipo: ¿Qué relación hay entre la sopa de calabaza y la deficiencia cognitiva?, ¿Cuáles son cualidades nutritivas de ese portento alimenticio que es el helado de nuez?, ¿las inyecciones son una forma pseudocientífica de la tortura?, etcétera.</p>
<p>Así que lo único que hice con las preguntas de mis compas fue agruparlas. Quité algunas preguntas porque supuse que serían respondidas en las exposiciones y por otra razón que, si da tiempo, les explicaré.</p>
<p>Estas 200 compañeras y compañeros, 100 mujeres y 100 hombres, fueron seleccionados para asistir, es decir, responden a colectivos. Su presencia aquí no obedece a interés o beneficio personal. Al regresar, deben responder a sus colectivos sobre lo que este encuentro fue, lo que aprendieron o no, lo que entendieron o no. O sea que están obligados a socializar el conocimiento. Esta es la razón por la que ven que estos compas escriben y escriben en sus cuadernos y se consultan entre sí, con una agitación que dudo que encuentren en su alumnado en la academia.</p>
<p>Con esto quiero decirles que, aunque aparentemente ustedes están confrontando a 200 encapuchados y encapuchadas, en realidad sus palabras llegarán a decenas de miles de indígenas de diferentes lenguas originarias.</p>
<p>Sí, da un poco de miedo. O mucho, según.<br />
El interés por la ciencia en las comunidades zapatistas es legítimo, real. Pero es relativamente nuevo, no ha sido siempre así. Responde a una de las transformaciones que nuestra lucha ha experimentado, a nuestro proceso de construcción de nuestra autonomía, es decir, de nuestra libertad.</p>
<p>Esto se los explicará más en extenso el compañero Subcomandante Insurgente Moisés en la sesión de mañana. Por ahora sólo me detendré en un par de detalles:</p>
<p>1.- Las comunidades indígenas zapatistas, representadas aquí por estos 200 transgresores del estereotipo del indígena que reina en la derecha y la izquierda institucional, no conciben este encuentro como un evento único. Para que me entiendan: no es una aventura pasajera. Ellos, los pueblos zapatistas, esperan que este primer encuentro sea el inicio de una relación estable y duradera. Esperan seguir en contacto con ustedes, mantener un continuo intercambio. O como dicen en los pueblos: “que no sea la primera ni la última vez”.</p>
<p>2.- El modo de nuestro modo. Para que no se desesperen y para que entiendan por qué no hay preguntas después de cada exposición, permítanme explicarles cuál es nuestro modo como alumnas y alumnos.</p>
<p>Nosotras, nosotros, no nos planteamos problemas individuales. Como alumnado funcionamos también en colectivo. Cada quien hace sus apuntes, luego de la clase o la plática, se reúne el colectivo y se completan los apuntes tomando lo de todos. Así, si alguna o alguno se distrajo o entendió otra cosa, los demás le completan o le aclaran. Por ejemplo, en la ponencia de ayer, la del físico que leyó la Doctora, hay una parte donde él señala que alguien pudiera decir que no hay avances en las ciencias, comparando con países desarrollados, porque en México somos indios. Un compa zapatista estaba bastante molesto porque, según él, el físico nos estaba criticando como indígenas que somos y nos echaba la culpa del nulo avance científico en nuestro país. En la recapitulación colectiva le aclararon que no el físico decía eso, sino que el físico criticaba a los que decían eso.</p>
<p>Con las preguntas ocurre lo mismo. Primero se preguntan entre ellos sus dudas. Así, buena parte de ellas se aclaran porque son producto de que no escucharon, o no apuntaron bien o no entendieron lo que se decía. Otro tanto de las preguntas las responden entre sí. Y ya entonces quedan las preguntas que sí son dudas colectivas.</p>
<p>Yo sé que a ustedes les puede parecer un proceso engorroso y tardado, y que más de una, uno se desilusione pensando que no participamos, o que no supo captar la atención de nosotros. Se equivoca: después de que se reúnan los colectivos de cada zona, escribirán las preguntas que les surgieron y se las haremos llegar por el mismo medio por el que se les invitó a este encuentro. Al menos mientras acordamos un medio y un modo para estar comunicados.</p>
<p>Claro, todo esto parte del convencimiento nuestro de que este encuentro es el primero de muchos, y que todas, todos ustedes mantendrán comunicación con sus alumnas y alumnos, y, a través de ellas y ellos, con decenas de miles de zapatistas.</p>
<p>Entonces, tengan paciencia. Al menos la misma con la que acometen sus investigaciones y experimentos, o con la que desesperan a que les aprueben el presupuesto para sus proyectos.</p>
<p>Dicho lo anterior, permítanme proponerles la metodología zapatista por excelencia: responder a una pregunta con otra pregunta.</p>
<p>Así, tendrían que iniciar sus respuestas con una pregunta fundamental: ¿por qué están preguntando eso?<br />
Bien, les explico. Debido al modo del zapatismo, nuestra acción en las comunidades no pretende hegemonizar ni homogeneizar. Esto es: no nos relacionamos sólo entre zapatistas, ni pretendemos que todos lo sean. Mientras nuestros tropiezos y errores son sólo nuestros, nuestros logros y avances los compartimos con quienes no son zapatistas e incluso con quienes son antizapatistas. Para entender el porqué de eso, sería necesario estudiar nuestra historia, algo que rebasa con mucho las pretensiones de este encuentro.</p>
<p>Por ahora baste con decir que, por ejemplo, los promotores de salud apoyan también a partidistas. Así que, si un promotor de salud está vacunando, no es extraño que se tope con partidistas que se niegan porque, argumentan, las vacunas no son naturales, porque son venenosas, porque enferman, porque meten males en el cuerpo y otras supercherías que se deben, lo que sea de cada quien, al fraude que es el sistema gubernamental de salud. En efecto, los mayores y mejores promotores de la mala salud en las comunidades partidistas, son las autoridades gubernamentales.</p>
<p>Por eso, frente a los dichos de los partidistas, la promotora de salud busca cómo argumentar y convencer de que sí es buena la vacuna. Por eso es lógico que una de las preguntas que les leí ayer sea: ¿Científicamente es necesario vacunarse y por qué, o hay medios y/o formas para sustituir las vacunas por otras cosas? Por ejemplo, las enfermedades de tosferina, sarampión, viruela, tétano, etc. Con esta pregunta, les están pidiendo más argumentos.</p>
<p>Igual es con los promotores de educación, las locutoras de radio comunitaria, las autoridades y las coordinaciones de colectivos.</p>
<p>Otro ejemplo: cuando en una comunidad una persona se convulsiona o se enferma y presenta síntomas extraños, los partidistas empiezan a decirse que es que alguien hizo brujería. Como las acusaciones de brujería suelen terminar en linchamientos, los zapatistas se esfuerzan en convencer a los partidistas de que no hay tal cosa, que las convulsiones tienen una explicación científica y no mágica, y que no es brujería sino epilepsia lo que provoca esos ataques. Por eso les preguntan de lo sobrenatural, las ciencias ocultas, la telepatía, etcétera. No hay estadísticas de esto, pero más de un partidista le debe al neozapatismo el no haber sido linchado por brujería, mal de ojo, y cosas parecidas.</p>
<p>Están también las preguntas sobre tópicos de los que han recibido visiones contradictorias. Por ejemplo, los transgénicos. Hay quien les dice que son perjudiciales y hay quien dice que no, o que no como se cree. Entonces los compas piden pruebas científicas, y no consignas, de una u otra posición.</p>
<p>El día de ayer, la bióloga nos platicaba de una encuesta que realizó, me parece, en redes sociales. Nos dijo que alguien le respondió que participaría cuando incluyera entre las opciones algo como “la ciencia es un mal”.</p>
<p>Bueno, a las comunidades zapatistas llega todo tipo de gente. La mayoría a decirnos lo que debemos o no hacer. Llega gente, por ejemplo, que nos dice que es bueno vivir en casas con piso de tierra y paredes de bajareque y barro; que es bueno andar descalzos; que todo eso nos beneficia porque nos pone en contacto directo con la madre naturaleza y recibimos así, directamente, los efluvios benéficos de la armonía universal. No se reían pensando que estoy caricaturizando, estoy transcribiendo textualmente una valoración de un exalumno de la escuelita zapatista.</p>
<p>“La modernidad es mala”, dicen, e incluyen en ella el calzado, el piso, las paredes y el techo de material, y la ciencia.</p>
<p>Claro, la ciencia no tiene mucho a su favor. De su mano llegan las minas a cielo abierto, las maquinarias para levantar hoteles y fraccionamientos, los cultivos impuestos con dádivas y programas gubernamentales de “progreso”.</p>
<p>Se dice que la religión llegó a las comunidades indígenas con la espada, cierto. Pero se olvida que las pseudociencias y las anticiencias llegan de la mano de la buena vibra, el naturismo como neo-religión, el esoterismo como “sabiduría ancestral”, y las microdosis como neo-medicina.</p>
<p>Yo comprendo que esas cosas funcionen en los establecimientos hípsters de San Cristóbal de Las Casas o de los Coyoacanes más cercanos a su corazón, y que suenen bien mientras se dan un toquecín (prexta pa la orquexta), bebiendo smartdrinks y consumiendo drogas blandas. Ok, cada quien se evade de la realidad según su presupuesto. No lo juzgamos.</p>
<p>Pero entiendan que el reto que nos hemos propuesto afrontar como zapatistas que somos, necesita herramientas que, lamento si desilusiono a más de una, uno, SÓLO nos pueden proporcionar las “ciencias científicas”, que es como el Subcomandante Insurgente Moisés denomina a las ciencias “que sí son ciencias”, a diferencia de las ciencias que no lo son.<br />
-*-<br />
También ayer se nos habló de un experimento de algo así como “ciencia y género”. Creo que era así: se ponían a un hombre y a una mujer a competir por un puesto en la academia, una y otro con idéntico curriculum vitae; quienes seleccionaban, estaban al par: igual cantidad de hombres que de mujeres; seleccionaban al hombre; les preguntaban por qué lo habían elegido a él y no a ella, y respondieron que la mujer era sumisa, conciliadora y débil.</p>
<p>Claro, mi composición químico biológica incluye las obras completas de José Alfredo Jiménez y Pedro Infante, así que celebré la decisión. Pero luego, con el SubMoy quedamos pensando y haciendo cuentas.</p>
<p>Le preguntamos a la insurgenta Erika (aquí presente) qué pensaba de eso. Ella, a su vez, me preguntó qué significaba “sumisa”, le dije que “obediente”. Luego que qué quería decir “conciliadora”, “que no pelea, que no quiere imponer, que busca el acuerdo”, le respondí. De “débil”, dijo que sí entendía. Quedó pensando un rato y nos respondió: “creo no conozco esas cosas”.</p>
<p>Así que, discúlpenme si vivimos en otro mundo, pero no conocemos a ninguna compañera que sea sumisa, conciliadora y débil. Tal vez porque si lo fueran, no serían zapatistas.</p>
<p>Sin embargo, creo que en estas tierras, ése experimento tendría tal vez el mismo resultado, pero con la razones en contra, a favor. Es decir, elegirían al hombre precisamente porque la mujer no es sumisa, ni conciliadora, ni mucho menos débil.</p>
<p>Y les menciono esto, por lo que a continuación explico:</p>
<p>La anécdota me la contó el Subcomandante Insurgente Moisés y se las narro aquí, después de confirmar los detalles con él.</p>
<p>Debió haber sido en un caracol, en una reunión para el curso de la Hidra que se dio a mensajeros y mensajeras, no está seguro.</p>
<p>El asunto es que una compañera jóvena lo topó al SubMoy y le dijo algo como “Oí compañero subcomandante, yo tengo una duda a ver si lo puedes resolver” (el cambio continuo del femenino al masculino en una misma oración no debe sorprenderles, es ya parte del “modo” en que se habla la castilla en muchas de las comunidades).</p>
<p>El SubMoy le respondió algo como “bueno compañera, dime y si sí sé, te respondo; y si no, pues vamos a ver cómo le hacemos”.</p>
<p>Se veía que la jóvena tenía días y noches con la pregunta rondándole la cabeza, así que la soltó sin titubear:<br />
¿Por qué esa flor es de ese color, por qué tiene esa forma, por qué tiene ese olor?</p>
<p>Ella no se detuvo ahí. Sentía que había librado el obstáculo principal (expresar la pregunta), así que se siguió de largo:<br />
“Y no quiero que me respondan que la madre tierra con su sabiduría así la hizo a la flor, o que el Dios, o lo que sea. Quiero saber cuál es la respuesta científica”.</p>
<p>El SubMoy pudo haber respondido lo que cualquier militar, de izquierda o de derecha, hubiera respondido: que se dejara la compañera de tonterías y se fuera a la posta, o al trabajo que le tocaba, o que se pusiera a estudiar los 7 principios, o que se aprendiera bien la explicación de la Hidra; o tal vez la hubiera remitido a la JBG o al MAREZ o a la comisión de educación o de salud.</p>
<p>Pudo haber hecho eso, pero no lo hizo. El SubMoy me explicó lo que le respondió, cierto. Pero yo me quedé pensando en la multitud de opciones que, en diferentes calendarios y geografías, hubieran inspirado otras respuestas.</p>
<p>Ya con todo eso pasado, a mí, alquimista inédito y anacrónico, se me ocurre que la compañera zapatista no esperaba que el SubMoy le respondiera por qué la mentada flor era la flor que era, sino que captara, como quien dice, la complejidad que en esa flor se anidaba</p>
<p>Tan sólo la pregunta y quien la hacía, ya daba para un seminario completo de historia del zapatismo. No, no los voy a abrumar contándoles una historia que seguro no les interesa. Ustedes ahora, como yo entonces, están más interesados en saber qué le respondió el SubMoy a la compañera.</p>
<p>El SubMoy me contó, con el tono pausado y didáctico que es su modo de por sí, que se dio cuenta de que, detrás de esa pregunta, había no sólo una pregunta, sino una pregunta todavía más grande.</p>
<p>Una pregunta que tenía qué ver con lo que, entonces y ahora, se refiere a los cambios que hay en las comunidades zapatistas.</p>
<p>La compañera jóvena, a diferencia de su madre y de su abuela cuando tenían la misma edad, ha ya rechazado dos propuestas matrimoniales (“acaso estoy pensando en marido”, fue la idéntica respuesta que recibieron los 2 pretendientes que, previamente, se habían vaciado medio frasco de loción y se habían peinado con un gel que les durará siglos); habla con fluidez dos lenguas, la materna y la castilla; sabe leer y escribir con una corrección que ya quisieran estudiantes de licenciatura de cierta universidad nacional; ha cursado la primaria y la secundaria autónomas; se desempeña como promotora de salud y Tercio Compa; maneja sin dificultad la computadora y hasta 3 sistemas operativos distintos (iOS, Windows y Linux), además de cámara y programas de edición de video; y navega con soltura en internet, claro, siempre que el clima atmosférico le permita al enlace satelital de la JBG superar la barrera de upload y download de 0,05 kilobites por segundo, y que el límite contratado no se haya agotado con las denuncias de las comunidades.</p>
<p>Con esos antecedentes, era de esperar que no quedara satisfecha con la respuesta de “la madre tierra, con su infinita sabiduría, ha hecho esa flor así como es, porque todo está en armonía con la fuerza universal que emana de la naturaleza” (aquí pueden todos cerrar los ojos, tomarse de las manos y repetir conmigo “ommm, ommmm”).</p>
<p>O sería lógico pensar que, cuando su madre, como respuesta a la pregunta, la hubiera mandado por agua o por leña, la jóvena fuera por las susodichas sin rezongar, pero rumiando la pregunta en el camino de 4 kilómetros a por la leña, o de 2 km a por el agua.</p>
<p>Claro, si les digo que la jóvena zapatista de la pregunta se llama “Azucena”, o “Camelia”, o “Dalia”, o “Jazmín”, o “Violeta”, o, claro, “Flor”, ustedes van a pensar si no son ya suficientes las obviedades absurdas como para seguir lloviendo sobre mojado, así que no, no tiene ninguno de esos nombres. Y no les diré la verdad, a saber, que la compañera se llama Rosita, su mamá se llama Rosa y su abuela se llama Rosalía. Imaginen el horror si la compañera tiene una cría hembra, seguro le va a poner de nombre “Rositía”.</p>
<p>Bueno, el asunto es que, cuando unos días después, el SubMoy me dijo que teníamos que pensar en cómo contactar a los científicos, yo puse la misma cara de extrañeza que pusieron ustedes cuando vieron el título de esta participación. Por supuesto que el SubMoy no se dio por aludido, así que me obligó a preguntarle: “¿y eso por qué, o a qué viene?”</p>
<p>El SupMoy encendió un cigarrillo y me respondió lacónico: “La culpa es de la flor”.</p>
<p>Yo, claro, a mi vez encendí la pipa y quedé callado, pero puse cara de “ah, ¿te cae?”. Nah, no es cierto, puse cara de “¡¿What?!”. Nah, tampoco es cierto. Pero de algo puse cara, porque no traía pasamontañas y el SubMoy se río y me explicó lo que antes les he referido.</p>
<p>El contexto, como quien dice, de la pregunta, y la respuesta, es lo que el SubMoy les platicará mañana.</p>
<p>Así que si a ustedes, científicas y científicos, cuando ya estén de regreso en sus mundos, alguien les pregunta por qué se realizó este encuentro, o a qué vinieron, o de qué se trató, o cómo les fue, pueden ustedes iniciar su larga o corta respuesta así:</p>
<p>“La culpa es de la flor”.</p>
<p>Muchas gracias.</p>
<p>Desde el CIDECI-Unitierra, San Cristóbal de las Casas, Chiapas, México, Latinoamérica, planeta Tierra, Sistema Solar, etc.</p>
<p>SupGaleano.</p>
<p>27 de diciembre del 2016.</p>
<p>-*-</p>
<p>Del Cuaderno de Apuntes del Gato-Perro:<br />
Defensa Zapatista, el arte y la ciencia.</p>
<p>No se ha podido esclarecer bien a bien la razón. Unos dicen que fue una apuesta. Otros que el Pedrito se pasó de rosca y así le fue. Algunos señalan que sólo era una práctica. Los menos, hablan de un partido de fútbol en toda su forma, decidiéndose en los últimos segundos cuando el árbitro, el SupMoisés, decretó la pena máxima.<br />
El caso, o cosa, según, es que la niña Defensa Zapatista está a unos metros del manchón de penal, donde un balón deshilachado espera.</p>
<p>En la portería, el Pedrito balancea sus brazos como el portero que fue de lo que fue la selección de fútbol de lo que fue la Unión de Repúblicas Socialistas Soviéticas: Lev Yashin, “la araña negra”. Pedrito sonríe socarrón, pues según él, puede predecir a dónde dirigirá su disparo la niña: “Defensa Zapatista es perfectamente predecible. Como acaba de regresar de la plática de mensajeras, seguro que tirará abajo y a la izquierda”</p>
<p>Por su parte la niña, que apenas levanta poco más de un metro del suelo, voltea a mirar hacia uno de los costados de la cancha (en realidad es un potrero en el que irrumpen, impertinentes, vacas con becerros, además de un caballo tuerto).</p>
<p>En ese costado se pueden ver: un extraño ser, mitad perro y mitad gato, meneando alegre la cola; y a dos individuos que, si no fueran éstas tierras zapatistas, se podría decir que desentonaban totalmente con el paisaje. El uno, de complexión mediana, cabello canoso y corto, portando una especie de gabardina. El otro, flaco, alto y desgarbado, con un elegante gabán y un sombrero ridículo en la cabeza.</p>
<p>La niña va hacia el extraño grupo. El caballo choco se acerca también. Cuando están reunidos, el hombre delgado dibuja extrañas figuras sobre el suelo, mientras la niña mira con atención y asiente cada tanto con la cabeza.</p>
<p>La niña Defensa Zapatista regresa al área grande y toma posición. Inicia un trote hacia el balón, pero se sigue de largo, sin tocar siquiera el esférico, y se detiene a pocos centímetros del lado derecho de la portería defendida por el Pedrito, que mira receloso a la niña. Defensa Zapatista se ha detenido y, en cuclillas, empieza a escarbar un poco el suelo, de modo de tomar una flor con todo y su raíz. Con cuidado, la niña lleva la flor en sus manitas, la planta de nuevo lejos de la portería y regresa a la cancha.</p>
<p>El respetable está en vilo, intuyendo que está presenciando uno de esos eventos irrepetibles en la historia del mundo mundial.</p>
<p>El Pedrito, por su parte, está más que confiado. Si tenía alguna duda, Defensa Zapatista ha cometido un grave error: al quitar la flor de donde se encontraba, la niña ha delatado la dirección a la que irá su disparo: abajo y a la izquierda de Pedrito. Claro, se dijo Pedrito, porque las niñas cuidan las flores, entonces Defensa Zapatista no querría que el balón arrancara la flor.</p>
<p>Por si faltara más suspenso, la niña se ha colocado no a distancia del balón y frente a la portería, sino que se coloca justo a un lado de la pelota y dándole la espalda a un Pedrito que ya sonríe imaginando las burlas que le hará a Defensa Zapatista por el penal fallado.</p>
<p>Defensa Zapatista voltea el rostro hacia donde se encuentra el extraño ser llamado Gato-perro, quien empieza a dar brinquitos, girando sobre sí mismo, como un monito bailarín. La niña sonríe e inicia un movimiento que dividirá las opiniones durante las próximas décadas:</p>
<p>Unas participantes del CompArte dicen que inició con la primera posición de ballet, levantó y recogió su pierna derecha, y empezó a girar sobre sí misma, en el movimiento que llaman “pirouette en dehors”, con “relevés” y “passés” rotados. “Fue impecable”, añadieron.</p>
<p>El finado SupMarcos dijo que lo que había ejecutado Defensa Zapatista no era otra cosa que la Ushiro Mawashi Geri Ashi Mawatte, el movimiento de artes marciales que se logra poniéndose de espaldas al objetivo, dando un giro de casi 360 grados y culminando con una patada al frente con el talón del pie.</p>
<p>Las insurgentas reunidas en la célula “Como Mujeres que Somos”, por su parte, dijeron que la flor que recogió Defensa Zapatista era del bejuco conocido como “Chenek Caribe”, cuyas flores semejan pollitos o pajaritos y que es con lo que las niñas más pequeñas juegan en las comunidades indígenas de la Selva Lacandona. El “Chenek Caribe” suele florecer en potreros y acahuales, y es un indicador de que la tierra está lista para la siembra de maíz y frijol.</p>
<p>El SupGaleano que, como siempre, está de colado en estos textos, dice que estaba claro que el Pedrito se iba a confundir con lo evidente; que, en efecto, Defensa Zapatista iba a tirar el disparo abajo y la izquierda, pero que Pedrito pensó que a SU abajo y a la izquierda, y el tiro fue abajo y a la izquierda sí, pero desde la perspectiva de la niña.</p>
<p>El Doctor Watson dijo que lo que hizo Defensa Zapatista fue una breve emulación de la danza-meditación Sema de los Derviches de la orden Sufí, tal y como la vio en su estancia en Turquía, y en la que los danzantes giran sobre sí mismos y se desplazan, semejando el movimiento de los planetas en el cosmos.</p>
<p>El detective consultor Sherlock Holmes explica que ni una cosa ni la otra, que lo que hizo la niña fue aplicar la explicación científica que le dio sobre la inercia rotacional de un cuerpo y la aplicación de la fuerza centrífuga sobre el esférico. “Elemental, mi querido Watson” dijo el detective extraviado en las montañas del Sureste Mexicano, “era claro que, dado el peso y la estatura de Defensa Zapatista, había que aumentar lo más posible la fuerza con la que conectará el esférico, de modo de darle al balón la velocidad y aceleración necesarias para recorrer los 11 metros. Claro, las probabilidades de que el disparo tuviera éxito estaban en 50 y 50%. Es decir, el guardameta bien podría moverse al lado contrario, o moverse hacia el lado donde iría el balón, deteniéndolo sin dificultad.”</p>
<p>“¿Y la flor?”, preguntó el Doctor Watson. “Ah”, respondió Sherlock, “eso, mi querido Watson, es aportación de la niña y no se me ocurrió a mí. Es más, me sorprendió tanto como al parecer sorprendió al niño que resguardaba el marco. Con eso que hizo, aumentó las probabilidades de que el portero se moviera hacia la dirección donde se encontraba la flor. Fue algo que, es claro, no tenía qué ver con la ciencia, ni con el arte. Si me permite Doctor Watson, fue como si ella hubiera logrado sintetizar ambas cosas. Muy interesante, mi querido Watson, muy interesante.”</p>
<p>Después de la algarabía, los Tercio Compas entrevistaron al Pedrito. Cuestionado sobre la causa del gol recibido, el Pedrito respondió lacónico:</p>
<p>“La culpa es de la flor”.</p>
<p>Doy fe.</p>
<p>Guau-miau.</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5965' rel='bookmark' title='“Vivemos ainda sob a lógica do colonialismo”'>“Vivemos ainda sob a lógica do colonialismo”</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4397' rel='bookmark' title='Fallece el escritor uruguayo Eduardo Galeano'>Fallece el escritor uruguayo Eduardo Galeano</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5243' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa, el pensador estrella de los movimientos sociales'>Boaventura de Sousa, el pensador estrella de los movimientos sociales</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=6111</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Boaventura de Sousa: “Hay en Nicaragua un déficit democrático”</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5916</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5916#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 Oct 2016 11:37:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Democratizing Democracy]]></category>
		<category><![CDATA[Español]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[More countries]]></category>
		<category><![CDATA[Opinión]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Crisis]]></category>
		<category><![CDATA[Elections]]></category>
		<category><![CDATA[Indigenas]]></category>
		<category><![CDATA[Institutional Politics]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Izquierdas]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Movimientos Campesinos]]></category>
		<category><![CDATA[Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5916</guid>
		<description><![CDATA[Boaventura de Sousa Santos es un portugués que ha dedicado su vida a estudiar los movimientos sociales. Es un sociólogo que estuvo recientemente como invitado especial en un Congreso de los sociólogos del...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5676' rel='bookmark' title='“Los más poderosos son quienes más salen del juego democrático para después imponerlo a los de abajo”'>“Los más poderosos son quienes más salen del juego democrático para después imponerlo a los de abajo”</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5686' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Quinze questões para uma nova esquerda'>Boaventura de Sousa Santos: Quinze questões para uma nova esquerda</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5530' rel='bookmark' title='Entrevista con Boaventura de Sousa: “Hay que empezar de nuevo”'>Entrevista con Boaventura de Sousa: “Hay que empezar de nuevo”</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Boaventura de Sousa Santos es un portugués que ha dedicado su vida a estudiar los movimientos sociales. Es un sociólogo que estuvo recientemente como invitado especial en un Congreso de los sociólogos del país.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.laprensa.com.ni/2016/10/16/politica/2117970-hay-en-nicaragua-un-deficit-democratico">La Prensa</a><br />
Ismael López<br />
16 Oct 2016</p>
<p>El sociólogo, catedrático de importantes universidades en Estados Unidos, simpatizante de gobiernos progresistas, tuvo tiempo durante su breve visita para analizar el declive de muchos gobiernos considerados progresistas en América Latina y también del régimen de Daniel Ortega.</p>
<p>Dice, por ejemplo, que los gobiernos de izquierda no lograron hacer “transformaciones profundas” en sus países y que en Brasil, el gran problema de la izquierda es que la “oligarquía” maneja los medios de comunicación, que se inclinan en contra del Partido de los Trabajadores.</p>
<p>Durante su ponencia en el Congreso con los sociólogos del país, un estudiante le preguntó que cuáles eran las armas de los jóvenes para luchar hoy en día y él dijo que la única arma posible hoy era la democracia.</p>
<p>“Yo siempre digo cada generación lucha con las armas que tiene, y las armas de ahora son la democracia”, especificó.</p>
<p><em>Desde la izquierda democrática internacional, ¿cómo se ve al Gobierno de Nicaragua?</em><br />
Mira, yo pertenezco a una generación que en los 70 estábamos muy solidarios con el Frente Sandinista de Liberación Nacional  (FSLN). Portugal estuvo bajo una dictadura hasta 1974, teníamos que ser solidarios con Nicaragua… Lo que veo con gran preocupación es realmente que hay en Nicaragua un déficit democrático que se está ampliando en el país, <a href="http://www.laprensa.com.ni/2016/10/14/nacionales/2117056-la-fidh-exige-nicaragua-desechar-proyecto-del-canal-impacto-ambiental">de criminalización de la protesta</a>, de reducción del pluralismo político en el país con algunas medidas que nos parecen muy extrañas como <a href="http://www.laprensa.com.ni/2016/08/02/politica/2077402-rosario-murillo-es-candidata-a-vicepresidente">la candidatura a la Vicepresidencia de la primera dama (Rosario Murillo)</a>. O sea, veo con gran preocupación un creciente autoritarismo del régimen que no es el caso nada más de Nicaragua. Esto ha pasado en países de África que se deslizan de una democracia de baja intensidad a restricciones más duras. Hay pluralidad de partidos pero más vigilancia, más control… Control incluso de gente que vienen a este país. Me cuentan colegas sociólogos que vienen a Nicaragua y traen sus libros y no les dejan pasar sus libros porque preguntan ¿para qué son los libros? Y esas son formas de control que no se entienden. Eso es un autoritarismo para controlar el disenso.</p>
<p><em>¿Considera usted que el gobierno de Daniel Ortega es un gobierno de izquierda como se vende a nivel local e internacional?</em><br />
Sabes, no conozco suficiente del proceso de Nicaragua, pero me parece que para mí hoy ser de izquierda tomando en cuenta que no tenemos otra arma que no sea la democracia porque la revolución no está en la agenda política y en un país un gobierno que se diga revolucionario no quiere decir que lo sea, la revolución pasó por muchas metamorfosis en los últimos años… Para mí el criterio de ser de izquierda es promover tres  cosas:  una redistribución social fuerte de la riqueza, garantizar el máximo pluralismo político y permitir la democracia participativa y representativa…  Si miramos por estos criterios, pienso que (en) la redistribución social en Nicaragua hay mucho que hacer, en pluralismo político he visto que hay restricciones, hay unas elecciones que son altamente problemáticas , sobre todo con lo que pasó anteriormente y cuando miramos la participación ciudadana me parece que está muy instrumentalizada partidariamente. <a href="http://www.laprensa.com.ni/2016/04/08/nacionales/2014780-gabinetes-frustran-la-autentica-participacion-ciudadana-en-la-escuela">Cuando la participación ciudadana es instrumentalizada por un partido cualquiera que sea, ya no hay participación ciudadana</a>, es una fachada, desaparece y se convierte en una fachada, con estas declaraciones dejo a los nicaragüenses los criterios que a mi juicio deben tenerse para catalogar o no a un gobierno como de izquierda.</p>
<p><em>Ortega para volver al poder hizo alianzas y ahora tiene alianzas con los empresarios…</em><br />
Es conocido que esa fue la política de Daniel Ortega para llegar al poder: buscar alianzas, primero con Alemán y luego con las oligarquías del país para intentar mantenerse en el poder. Obviamente, también se ha mantenido por  un impacto fuerte del apoyo de Venezuela y las alianzas con Rusia… Hubo aquí realmente una alianza con el gran capital que no es en realidad completa porque si los Estados Unidos están preocupados (con la Ley Nica Act) es porque no es completa esa alianza con el capital.</p>
<p><em>¿Cuál debe ser el trato de un gobierno que  dice ser de izquierda hacia movimientos sociales como los campesinos que se oponen al Canal Interoceánico?</em><br />
En todo el continente y en todo el mundo las luchas más riesgosas son las de los campesinos, porque la búsqueda del capital por la tierra es constante en todo el mundo, es una búsqueda sin límites, por eso al <a href="http://www.laprensa.com.ni/2016/08/09/nacionales/2080432-indigenas-de-nicaragua-estan-excluidos-dice-lider-miskito">frente de esas luchas siempre están los campesinos y están los indígenas&#8230;</a> Resisten, son expulsados de sus tierras, sujetos de aislamientos…</p>
<p><em>¿Ha tenido contacto con el Movimiento Anticanal de Nicaragua?</em><br />
Sí, he tenido noticias, y no es tan distinta la situación que viven los campesinos en otros países como Argentina con la siembra de la soya…</p>
<p><em>¿Ha visto el culto a la personalidad que hay aquí hacia la pareja presidencial?</em><br />
Sí lo he visto… Hay muchos aspectos que son casi caricaturescos, <a href="http://www.laprensa.com.ni/2012/08/14/opinion/112335-el-culto-a-la-personalidad-de-ortega">me parece que es una dimensión pobre de la política…</a></p>
<p><em>Sus colegas sociólogos nicaragüenses, ¿qué le han contado de Nicaragua?</em><br />
Están bastante preocupados por el rumbo democrático. En general, los intelectuales son bien sensibles a este tipo de control, pero a veces no son tan sensibles a la injusticia social, pero cuando entran en control del pluralismo político de intentar acabar con la oposición, son muy sensibles, están muy preocupados y en los barrios los movimientos sociales están bien preocupados también.</p>
<p><em>Boaventura de Sousa Santos es doctor en Sociología por la Universidad de Yale. Escribió “Descolonizar el saber”, “Revueltas de indignación y otras conversas”,  “Refundación del estado en América Latina: Perspectivas desde una epistemología del sur”, e innumerables ensayos sobre política y luchas sociales.</p>
<p>El sociólogo portugués imparte clases en la universidad de Coimbra y dirige el Centro de Estudios Sociales y del Centro de Documentación 25 de Abril.</em></p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5676' rel='bookmark' title='“Los más poderosos son quienes más salen del juego democrático para después imponerlo a los de abajo”'>“Los más poderosos son quienes más salen del juego democrático para después imponerlo a los de abajo”</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5686' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Quinze questões para uma nova esquerda'>Boaventura de Sousa Santos: Quinze questões para uma nova esquerda</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5530' rel='bookmark' title='Entrevista con Boaventura de Sousa: “Hay que empezar de nuevo”'>Entrevista con Boaventura de Sousa: “Hay que empezar de nuevo”</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5916</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Colonial Sahara</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5919</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5919#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 Oct 2016 13:11:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Africa]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Human Rights]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[More countries]]></category>
		<category><![CDATA[Multimedia content / Contenido multimedia / Conteúdo multimídia]]></category>
		<category><![CDATA[News]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Art]]></category>
		<category><![CDATA[Colonialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Doc]]></category>
		<category><![CDATA[Institutional Politics]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Refugees]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5919</guid>
		<description><![CDATA[Western Sahara serves as a powerful and timely reminder to the world that colonialism has not ended in Africa. It continues in the form of what the Sahrawi (the indigenous people of Western...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5492' rel='bookmark' title='Asylum seekers in Denmark: Manifesto &#8211; For the right to have rights'>Asylum seekers in Denmark: Manifesto &#8211; For the right to have rights</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4460' rel='bookmark' title='Africans unite against xenophobia in South Africa'>Africans unite against xenophobia in South Africa</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5853' rel='bookmark' title='Legitimacy and Justice over “Legality”: How the Peoples´ Tribunal on Transnational Corporations is giving hope to affected communities'>Legitimacy and Justice over “Legality”: How the Peoples´ Tribunal on Transnational Corporations is giving hope to affected communities</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Western Sahara serves as a powerful and timely reminder to the world that colonialism has not ended in Africa. It continues in the form of what the Sahrawi (the indigenous people of Western Sahara) activist Maty Mohamed-Fadel referred to as “the global shame” that is the Moroccan occupation of Western Sahara.</p></blockquote>
<p><a href="http://africasacountry.com/2016/10/colonial-sahara/">Africa is a Country</a><br />
Aubrey Bloomfield*<br />
16 Oct 2016</p>
<p>The majority of Western Sahara has been under occupation by Morocco for decades, following incomplete decolonization by Spain in 1975 when the territory was split between Morocco and Mauritania. A bitter war between the Polisario (the Sahrawi resistance movement) and Moroccan and Mauritanian forces ended in a ceasefire in 1991, and left Morocco in control of most of the territory. Polisario controls a small liberated zone, while hundreds of thousands of Sahrawi refugees live in camps in neighboring Algeria. Life for the Sahrawi people has effectively been on hold since then, as they continue waiting for their right to self-determination through a referendum on independence that was meant to take place in 1992.</p>
<p>Despite the ongoing, and often brutal Moroccan occupation, and the lack of international attention paid to the situation, the Sahrawi are not idly waiting for things to change. A new documentary film,<em> <a href="http://culturesofresistancefilms.com/western-sahara">Life is Waiting</a></em>, directed by Iara Lee, is a celebration of Sahrawi strength and resistance, which is clearly alive and well amongst those living in Western Sahara and those in the refugee camps or in exile in other parts of the world.</p>
<p><iframe src="https://player.vimeo.com/video/123847322" width="460" height="260" frameborder="0" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen></iframe></p>
<p>The film opens with vibrant scenes of exiled Sahrawi engaging in an annual nonviolent demonstration in Madrid, Spain intercut with an overview of the history of the territory. It then goes on to vividly portray the constant struggle of the Sahrawi to assert their identity in the face of the everyday violence of the occupation.</p>
<p>We see Sahrawi poets, musicians, dancers, singers, media activists, athletes, and filmmakers all engaging in non-violent acts of resistance from graffiti, raising the Western Sahara flag (which is illegal), and watch as Lee covertly films police brutality in the occupied territory. Refugees also host an international marathon, international art festival, and an international film festival in the camps. Popular Sahrawi singer, Mariem Hassan (to whom the film is dedicated), describes the importance of using art to show the strength of the Sahrawi people. Even the structure of the refugee camps in Algeria is a symbolic act of resistance, with different areas deliberately named after parts of the occupied territory in order to reproduce and sustain the connection to it.</p>
<p>Lee largely eschews the use of narration and the opportunity to interview officials from the United Nations, Morocco, or even the Sahrawi Arab Democratic Republic (SADR), which controls the liberated territory. Instead she simply lets the Sahrawi people tell their story in their own voices (although some international activists are also interviewed). This gives a platform to the ordinary, perhaps the extraordinary people who are directly affected by the occupation, and the highlights variety of ways in which they continue to resist it.</p>
<p>The chance to be at the center of the narrative is one that the Sahrawi rarely get. Despite the fact that no state recognizes Moroccan sovereignty over Western Sahara and more than 80 states have at various times recognized SADR’s claims to the territory, the world continues to remain largely indifferent to the situation. As Mohamed Laabied, director of RASD-TV, the Sahrawi TV station headquartered in the refugee camps laments: the lack of attention paid to the occupation by international media and Moroccan censorship efforts “hurts, it really hurts … without the media there is nothing.”</p>
<p>The dangers of international indifference and the perpetuation of the status quo, which one Sahrawi describes as a “situation of neither war nor peace,” are evident in the film when a number of young Sahrawi, who have grown up knowing only occupation or exile, raise the possibility of a return to war, saying that it cannot be worse than a life of exile or living in a refugee camp. But the overwhelming majority of Sahrawi in the film, young and old, are in favor of using non-violent resistance and talk of their songs or films as the new weapons in the struggle.</p>
<p>Recently, the Polisario has <a href="http://bigstory.ap.org/article/bb1b2d1e2a1849668a8f817c4984a2bd/polisario-front-warns-its-closer-conflict-morocco">warned</a> that tensions with Morocco are coming close to devolving into a military confrontation. This highlights how unsustainable the current situation is. Watching this film serves as a timely reminder that it should not take a return to war to bring attention to the issue. The ongoing failure to advance a political solution and the warning from the Polisario makes the Sahrawi commitment to non-violent resistance even more remarkable. Towards the end of the film, the British human rights activist, Keith Lomax, emphasizes the need to find peaceful ways to give visibility to the conflict. The Sahrawi people are clearly doing this already and it is up to the rest of the world to do its part.</p>
<p>Watching and sharing <em>Life is Waiting</em> is an excellent start. Another step, as Lomax points out, is to support the boycott, divestment, and sanctions campaign against companies complicit in the Moroccan occupation (for instance through the exploitation of Western Sahara’s natural resources) like the one that targeted apartheid South Africa or the one targeting Israel for its violation of international law and Palestinian rights.</p>
<p><em>*Aubrey Bloomfield is a graduate student at The New School in New York City and has written on occupations in <a href="http://www.jadaliyya.com/pages/index/24805/the-western-sahara-and-football_a-path-toward-self">Western Sahara</a> and <a href="http://www.jadaliyya.com/pages/index/24805/the-western-sahara-and-football_a-path-toward-self">Palestine</a>.</em></p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5492' rel='bookmark' title='Asylum seekers in Denmark: Manifesto &#8211; For the right to have rights'>Asylum seekers in Denmark: Manifesto &#8211; For the right to have rights</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4460' rel='bookmark' title='Africans unite against xenophobia in South Africa'>Africans unite against xenophobia in South Africa</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5853' rel='bookmark' title='Legitimacy and Justice over “Legality”: How the Peoples´ Tribunal on Transnational Corporations is giving hope to affected communities'>Legitimacy and Justice over “Legality”: How the Peoples´ Tribunal on Transnational Corporations is giving hope to affected communities</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5919</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>International Scholars Condemn the Attack on Faculty and Students of Central University of Haryana</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5925</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5925#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2016 13:35:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Asia]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[Human Rights]]></category>
		<category><![CDATA[India]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[Opinion]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Art]]></category>
		<category><![CDATA[Cognitive Justice]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Crisis]]></category>
		<category><![CDATA[Education]]></category>
		<category><![CDATA[Freedom of Expression]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5925</guid>
		<description><![CDATA[Over 70 UK and Europe-based scholars concerned with South Asia have written a letter to the Vice Chancellor of the Central University of Haryana. They have condemned the September 21, 2016 attack on...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5331' rel='bookmark' title='Rebellion as contagion: What the High Court possibly meant when it spoke of an infection'>Rebellion as contagion: What the High Court possibly meant when it spoke of an infection</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5579' rel='bookmark' title='Choice, Agency and the Naming of Names – The Trap of ‘Immediate Identities’ and the Vision of a Democratic Revolution'>Choice, Agency and the Naming of Names – The Trap of ‘Immediate Identities’ and the Vision of a Democratic Revolution</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5260' rel='bookmark' title='Spring Comes to JNU: Love, Laughter and Rage'>Spring Comes to JNU: Love, Laughter and Rage</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Over 70 UK and Europe-based scholars concerned with South Asia have written a letter to the Vice Chancellor of the Central University of Haryana. They have condemned the September 21, 2016 attack on a group of staff and students of CUH who were involved in putting together a performance based on the award-winning writer Mahasweta Devi’s acclaimed short story “Draupadi”.</p></blockquote>
<p><a href="https://kafila.online/2016/10/07/international-scholars-condemn-the-attack-on-faculty-and-students-of-central-university-of-haryana/#more-33986">Kafila</a><br />
Nivedita Menon<br />
7 Oct 2016</p>
<p>The attack and threats of charges of sedition against those involved in the performance were instigated by the BJP-affiliated student group ABVP as well as by the local press, which has falsely and maliciously spread the view that the play is anti-national and represented an attack on Indian soldiers. The letter appeals to the Vice Chancellor of CUH to protect the freedom of expression of the university’s staff and students, and to encourage the democratic exchange of ideas through means of debate and discussion.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Dear Vice-Chancellor Mahendra Pal Singh,</p>
<p>We, the undersigned, strongly condemn the attack on faculty members and students of the Department of English and Foreign Literatures at your university by members of the Akhil Bhartiya Vidyarthi Parishad (ABVP) for the performance of a play on 21 September 2016. The play was based on a short story by the eminent Bengali writer Mahasweta Devi. We understand that the staff and students involved in the performance had sought and received all necessary permissions for the event, which was organized to commemorate the literary achievements of Mahasweta Devi, the recipient of some of the most prestigious Indian and international awards.</p>
<p>We write to express our serious concern over this attack on the freedom of academic expression of the staff and students at your university. Mahasweta Devi’s story “Draupadi” was written in 1971 and represents her creative expression of the exploitation of India’s tribals.  It is regularly taught as part of course syllabi all over India and the world, including at the universities of some of the signatories to this letter. The claim by the ABVP and the local press that the play is an attack on Indian soldiers is manifestly fabricated. As one of the faculty members involved in the production, Dr Snehsata, has explained, students and teachers saw the programme as an academic and creative pursuit and their intention was certainly not to hurt the sentiments of soldiers as the ABVP has claimed: “In this event, I read the epilogue of the play recounting the data about atrocities on tribal people, especially sexual crimes against women by the Indian army. How ordinary soldiers are used by the state as a tool against its own people and how the body, especially the female body, becomes the site of revenge in the hands of Indian soldiers by the same state. All the teachers and students who were present there came up and congratulated us.”</p>
<p>We stand in solidarity with the courageous faculty members and students who performed the play and strongly oppose the sedition charges being brought on them. The university should be a place for the free expression of ideas, and thoughts; it should create space for dialogue and debate, and even disagreement. It is therefore further regrettable that the university caved in to political pressure and has instituted an inquiry into a matter that it had previously approved.</p>
<p>We appeal to you and other involved authorities to stand in support of your members of faculty and students who are courageously promoting the importance of literature and art in education.</p>
<p>You may contact us on the following email addresses:<br />
Rashmi.Varma@warwick.ac.uk<br />
rkalpana_w@yahoo.co.uk</p>
<p>Thank you for your attention,</p>
<p>Signed:<br />
Dr. Rashmi Varma, University of Warwick<br />
Dr. Kalpana Wilson, Birkbeck, University of London<br />
Dr. Subir Sinha, School of Oriental and African Studies (SOAS), London<br />
Professor Gilbert Achcar, SOAS, University of London<br />
Professor Nadje Al-Ali, SOAS, University of London<br />
Professor Dibyesh Anand, University of Westminster<br />
Dr. Sundari Anitha, University of Lincoln<br />
Professor Gautam Appa, London School of Economics and Political Science<br />
Professor Jairus Banaji, SOAS, University of London<br />
Dr. Murad Banaji, University of Middlesex<br />
Dr. Shakuntala Banaji, London School of Economics and Political Science<br />
Professor Gurminder Bhambra, University of Warwick<br />
Dr. Brenna Bhandar, SOAS, University of London<br />
Professor Chetan Bhatt, London School of Economics and Political Science<br />
Professor Gargi Bhattacharyya, University of East London<br />
Sourit Bhattacharya, PhD candidate, University of Warwick<br />
Dr. Angela Chiu, SOAS, University of London<br />
Dr. Rohit Dasgupta, University of Loughborough<br />
Dr. Sukhwant Dhaliwal<br />
Dr. Meena Dhanda, University of Wolverhampton<br />
Professor Stephen Dodd, SOAS, University of London<br />
Dr. Lee Edwards, University of Leeds<br />
Professor Bashabi Fraser, Edinburgh Napier University<br />
Ken Fero, Coventry University<br />
Dr. Radhika Govinda, University of Edinburgh<br />
Dr. Hugo Gorringe, University of Edinburgh<br />
Professor Bishnupriya Gupta, University of Warwick<br />
Chris Gutkind, SOAS, University of London<br />
Dr. Vanja Hamzic, SOAS, University of London<br />
Dr. Christopher Harding, University of Edinburgh<br />
Dr. Adam Hanieh, SOAS, University of London<br />
Dr. Sarah Hodges, University of Warwick<br />
Dr. Feyzi Ismail, SOAS, University of London<br />
Professor Patricia Jeffery, University of Edinburgh<br />
Revd. Dr. Anderson H M Jeremiah, Lancaster University<br />
Dr. Virinder S. Kalra, University of Manchester<br />
Dr. Lars Laamann, SOAS, University of London<br />
Dr. Florence Libert<br />
Dr. Sumi Madhok, London School of Economics and Political Science<br />
Dr. Caspar Melville, SOAS, University of London<br />
Dr. Alessandra Mezzadri, SOAS, University of London<br />
Dr. Satoshi Miyamura, SOAS, University of London<br />
Dr. Nayanika Mookherjee, University of Durham<br />
Maggie Morrison, PhD candidate, University of Edinburgh<br />
Professor Upamanyu Pablo Mukherjee, University of Warwick<br />
Nithya Natarajan. PhD candidate, SOAS, University of London<br />
Dr. Eleanor Newbigin, SOAS, University of London<br />
Dr. Kerem Nisancioglu, SOAS, University of London<br />
Dr. Paolo Novak, SOAS, University of London<br />
Dr. Goldie Osuri, University of Warwick<br />
Dr. Sharri Plonski, SOAS, University of London<br />
Dr. Tim Pringle, SOAS, University of London<br />
Dr Navtej Purewal, SOAS, University of London<br />
Dr. Amit Rai, Queen Mary College, University of London<br />
Professor Shirin Rai, University of Warwick<br />
Dr. Anandi Ramamurthy, Sheffield Hallam University<br />
Dr. Rahul Rao, SOAS, University of London<br />
Professor Ben Rogaly, University of Susse<br />
Professor Srirupa Roy, University of Goettingen, Germany<br />
Dr. Kanchana N. Ruwanpura, University of Edinburgh<br />
Dr. Aditya Sarkar, University of Warwick<br />
Dr. Eurig Scandrett, Queen Margaret University<br />
Dr. Alpa Shah, London School of Economics<br />
Dr. Amrita Shodhan, SOAS, London<br />
Professor Pritam Singh, Oxford Brookes University<br />
Shreya Sinha, PhD candidate, SOAS, University of London<br />
Dr. Shruti Sinha, Toulouse School of Economics, France<br />
Dr. Harriet Tarlo, Sheffield Hallam University<br />
Dr. Shabnam Tejani, SOAS, University of London<br />
Dr. Isabelle van der Bom, Sheffield Hallam University<br />
Dr. Leandro Vergara-Camus, SOAS, University of London<br />
Dr. Amina Yaquin, SOAS, University of London<br />
Dr. Richard Whitecross, Edinburgh Napier University</p>
<p>Contacts:<br />
Dr. Rashmi Varma, University of Warwick<br />
Rashmi.Varma@warwick.ac.uk<br />
Dr. Kalpana Wilson, Birkbeck College, University of London<br />
rkalpana_w@yahoo.co.uk<br />
Dr. Subir Sinha, SOAS, University of London<br />
Ss61@soas.ac.uk</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5331' rel='bookmark' title='Rebellion as contagion: What the High Court possibly meant when it spoke of an infection'>Rebellion as contagion: What the High Court possibly meant when it spoke of an infection</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5579' rel='bookmark' title='Choice, Agency and the Naming of Names – The Trap of ‘Immediate Identities’ and the Vision of a Democratic Revolution'>Choice, Agency and the Naming of Names – The Trap of ‘Immediate Identities’ and the Vision of a Democratic Revolution</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5260' rel='bookmark' title='Spring Comes to JNU: Love, Laughter and Rage'>Spring Comes to JNU: Love, Laughter and Rage</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5925</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>PM reprime nova manifestação contra Temer no centro de São Paulo</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5883</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5883#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Sep 2016 15:41:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Human Rights]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Crisis]]></category>
		<category><![CDATA[Freedom of Expression]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Institutional Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Police]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5883</guid>
		<description><![CDATA[Truculência policial em protestos contra o golpe tem feito mais vítimas entre jornalistas de fora da mídia tradicional. Ato de ontem também lembrou manifestante que perdeu o olho na noite anterior Rede Brasil...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=2144' rel='bookmark' title='Policiais aterrorizam manifestantes durante ato em São Paulo'>Policiais aterrorizam manifestantes durante ato em São Paulo</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5179' rel='bookmark' title='Assembleia dos movimentos sociais propõe luta global contra retrocessos civilizatórios do capitalismo'>Assembleia dos movimentos sociais propõe luta global contra retrocessos civilizatórios do capitalismo</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5365' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Manifestação no Brasil é tentativa de golpe parlamentar'>Boaventura de Sousa Santos: Manifestação no Brasil é tentativa de golpe parlamentar</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Truculência policial em protestos contra o golpe tem feito mais vítimas entre jornalistas de fora da mídia tradicional. Ato de ontem também lembrou manifestante que perdeu o olho na noite anterior </p></blockquote>
<p><a href="http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/09/pm-reprime-nova-manifestacao-contra-temer-no-centro-de-sao-paulo-3057.html">Rede Brasil Atual</a><br />
Redação (Com reportagem de Bruno Bocchini, da Agência Brasil)<br />
02 Sep 2016</p>
<p>Bombas e gás de pimenta lançados pela Polícia Militar dispersaram novamente ontem (1º) manifestação na capital paulista que pedia a saída do presidente da República, Michel Temer, e protestava contra a perda de direitos sociais. Desde o início da semana, em São Paulo, ao menos três manifestações contra o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer como presidente terminaram com ação truculenta e intolerante da polícia paulista.</p>
<p>A passeata partiu por volta das 18h40 do Museu de Arte de São Paulo (Masp) cercada por forte policiamento. Diferentemente do previsto, a manifestação se dirigiu à Praça do Ciclista, em vez de ir para o Largo da Batata. Logo em seguida, os manifestantes decidiram ir até o diretório estadual do PMDB em São Paulo, na região do Ibirapuera. No entanto, a polícia impediu que a passeata seguisse para lá, e autorizou somente que a manifestação se dirigisse à Praça da República, no centro.</p>
<p>Por vezes, os ativistas gritaram <a href="http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2016/09/estilhaco-de-bomba-da-pm-atinge-olho-de-manifestante-jovem-perdeu-a-visao-8180.html">&#8220;Deborah presente&#8221;, nome da estudante da Universidade Federal do ABC, Deborah Fabri, que perdeu a visão do olho esquerdo no protesto de ontem, após ser atingida por estilhaços ou por uma bala de borracha</a>.</p>
<p>No trajeto para o centro da cidade, os ativistas também entoaram o bordão &#8220;Diretas Já&#8221;, e palavras de ordem como &#8220;nenhum direito a menos&#8221;, e &#8220;fora, Temer&#8221;. No final do percurso, os manifestantes desviaram da Praça da República, e se dirigiram para a região do vale do Anhangabaú.</p>
<p>Na esquina da Avenida Nove de Julho com a Rua João Adolfo, rojões foram disparados e, logo em seguida, a polícia começou a repressão da manifestação com bombas e gás de pimenta. Houve dispersão dos manifestantes.</p>
<p>Segundo o Grupo de Apoio ao Protesto Popular (Gapp), uma mulher asmática teve de ser atendida após passar mal em razão do gás lançado pela polícia na região da Nove de Julho.</p>
<p><em>Assista ao vídeo abaixo que registra a ação violenta e arbitrária da PM contra jornalistas que cobriam o protesto de ontem, no centro de São Paulo. Um deles é cercado por motocicleta, agarrado, leva chutes, é jogado ao chão e os policiais ameaçam os que tentavam registrar a cena.</em></p>
<p><iframe width="460" height="260" src="https://www.youtube.com/embed/WrEspOMwTa0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<blockquote><p>ONGs de direitos humanos repudiam violência policial em protestos contra Temer</p></blockquote>
<p><a href="http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2016/09/repressao-da-pm-e-denunciada-por-organizacoes-de-direitos-humanos-9454.html">Três importantes organizações de direitos humanos do Brasil – Anistia Internacional, Conectas e Artigo 19 – emitiram nota condenando a violência cometida pela Polícia Militar de São Paulo contra manifestantes </a>que, desde a última segunda-feira (29), realizam protestos contra o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.</p>
<p>&#8220;A liberdade de expressão e manifestação pacífica é um direito humano fundamental garantido na Constituição Brasileira e na legislação internacional de direitos humanos. Em um contexto de grave crise política nacional e de polarização da sociedade, é fundamental que as autoridades municipais, estaduais e federais garantam o pleno exercício do direito à liberdade de expressão e manifestação pacífica e que assegurem que as forças de segurança policiando protestos não façam uso desnecessário ou excessivo da força e das chamadas armas menos letais&#8221;, diz a nota da Anistia Internacional.</p>
<p>Já a Artigo 19, em seu posicionamento, lembrou que &#8220;a voz das ruas&#8221; foi considerada um elemento importante por diversos políticos ao longo do processo de impeachment. &#8220;Em momentos como o atual, em que a conjuntura política se encontra extremamente polarizada em função do processo de impeachment em curso em Brasília, é de suma importância que as forças de segurança exerçam um grau ainda maior de tolerância nas manifestações, independentemente da posição defendida por manifestantes. Protestos de rua, nestas situações, são meios legítimos para expressar o acirramento político na sociedade, tendo sido mencionados e defendidos até mesmo por parlamentares, que por diversas vezes citaram a &#8220;importância de que a voz das ruas sejam ouvidas pela classe política&#8221; em seus discursos no Congresso. A Artigo 19 lamenta uma vez mais os recentes episódios de repressão policial ocorridos em São Paulo, que engrossa a lista de violações à liberdade de expressão cometidas pela PM-SP nos últimos anos, e pede publicamente que o direito de protesto, sobretudo na atual conjuntura política, seja assegurado pelas forças de segurança de todo o país.&#8221;</p>
<p>A Artigo 19 também reforça a inconstitucionalidade que vem sendo cometida pela PM de São Paulo há algum tempo, ao querer determinar o trajeto das manifestações. &#8220;O argumento – que já foi utilizado anteriormente em outras repressões policiais– não encontra respaldo jurídico na legislação nacional, tampouco nos padrões internacionais que dispõem sobre o direito de protesto. Vale lembrar que a única exigência da Constituição Federal para a realização de uma reunião pública (artigo 5º) é o aviso prévio, que foi cumprido pelos organizadores da manifestação na medida em que houve ampla divulgação do evento. Nesse sentido, não é razoável, nem constitucional, que o poder público pretenda se dar a prerrogativa de impor trajetos a manifestações.&#8221;</p>
<p>Em sua manifestação, a Conectas denuncia a nítida decisão política que indica às forças de segurança qual protesto deve ser reprimido e qual não. &#8220;Vemos com profunda preocupação algumas ameaças que já se confirmaram durante o período de administração interina, em particular o endurecimento do Estado no controle e na vigilância sobre o dissenso. Denunciamos a resposta violenta do Estado a manifestações sociais contrárias ao processo de impeachment. Os eventos de repressão policial observados nessa semana repetem um modus operandi já amplamente denunciado por sua desproporção, uso desmedido da força e inconstitucionalidade. Ainda que a responsabilidade direta pelas polícias militares seja dos governos estaduais, existe uma clara discricionariedade política sobre quais protestos incidirá a repressão&#8221;, afirma a nota.</p>
<p>A organização ainda alerta para a intenção do novo governo em restringir direitos que possam causar o aumento da desigualdade social. &#8220;O novo governo promete mudanças profundas no país, que não espelham as necessidades das populações mais vulneráveis. Temer assume com baixa legitimidade política e aliado às forças que, no Congresso Nacional, impulsionam retrocessos na igualdade de gênero, raça, orientação sexual, direitos trabalhistas e dos povos indígenas e quilombolas, entre outros&#8221;, pontua a manifestação da Conectas.</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=2144' rel='bookmark' title='Policiais aterrorizam manifestantes durante ato em São Paulo'>Policiais aterrorizam manifestantes durante ato em São Paulo</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5179' rel='bookmark' title='Assembleia dos movimentos sociais propõe luta global contra retrocessos civilizatórios do capitalismo'>Assembleia dos movimentos sociais propõe luta global contra retrocessos civilizatórios do capitalismo</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5365' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Manifestação no Brasil é tentativa de golpe parlamentar'>Boaventura de Sousa Santos: Manifestação no Brasil é tentativa de golpe parlamentar</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5883</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Wanderley Guilherme dos Santos: ‘Governo Temer é profundamente antinacional. É pior que 1964’</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5830</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5830#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Aug 2016 12:25:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bolivia]]></category>
		<category><![CDATA[Democratizing Democracy]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[Latin America]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Anti-imperialism]]></category>
		<category><![CDATA[Austerity]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Crisis]]></category>
		<category><![CDATA[Derechas]]></category>
		<category><![CDATA[Elections]]></category>
		<category><![CDATA[Financial Capitalism]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Institutional Politics]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Izquierdas]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Sindicatos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5830</guid>
		<description><![CDATA[O governo de Michel Temer dá as primeiras passadas, acelerando para o grande salto para trás e a grande queima de estoques. A massa assalariada brasileira está sendo vendida a preços de saldo,...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5158' rel='bookmark' title='Boaventura: ‘O governo está dando tiros no pé, corroendo a base social de apoio’'>Boaventura: ‘O governo está dando tiros no pé, corroendo a base social de apoio’</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5585' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Contra o golpe parlamentar no Brasil'>Boaventura de Sousa Santos: Contra o golpe parlamentar no Brasil</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4700' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Para ler em 2050'>Boaventura de Sousa Santos: Para ler em 2050</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>O governo de Michel Temer dá as primeiras passadas, acelerando para o grande salto para trás e a grande queima de estoques. A massa assalariada brasileira está sendo vendida a preços de saldo, com as liquidações iniciais dos programas educativos e sociais. O patrimônio de recursos materiais, como antes, será oferecido como xepa. A repressão à divergência não será tímida. Não há nada a esperar</p></blockquote>
<p><a href="http://www.sul21.com.br/jornal/governo-temer-e-profundamente-antinacional-e-pior-que-64-diz-wanderley-guilherme/">Sul21</a><br />
Marco Weissheimer<br />
29 Aug 2016</p>
<div id="attachment_5832" class="wp-caption aligncenter" style="width: 414px"><a href="http://alice.ces.uc.pt/news/wp-content/uploads/2016/08/wgs_rba.jpg"><img src="http://alice.ces.uc.pt/news/wp-content/uploads/2016/08/wgs_rba.jpg" alt="" title="wgs_rba" width="414" height="294" class="size-full wp-image-5832" /></a>
<p class="wp-caption-text">“Há um trabalho que vem sendo realizado há alguns anos junto ao subconsciente da sociedade para cultivar a impressão de que tudo o que vinha sendo feito desde 2002 era algo paliativo, populista e maligno” (Foto: Thiago Ripper/RBA)</p>
</div>
<p>Esse é o resumo da obra que será exibida no Brasil nos próximos meses, talvez anos, na avaliação do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, professor aposentado de Teoria Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ).</p>
<p>Em um artigo intitulado <a href="http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=410">“O grande salto para trás de Michel Temer”</a>, publicado em seu blog “Segunda Opinião”, o cientista político prevê dias sombrios para o país e aponta algumas características do bloco que apoia Temer e que pretende implantar uma nova agenda política e econômica no país, sem ser referendada pelo voto popular, com a confirmação da derrubada da presidenta Dilma Rousseff.</p>
<p>Em entrevista ao <em>Sul21</em>, Wanderley Guilherme dos Santos fala sobre essa agenda, destacando o seu caráter profundamente antinacional. Para ele, o movimento golpista pretende recolocar o Brasil no fluxo normal das relações do capitalismo que havia sido interrompido com a eleição de Lula em 2002. “O que vai acontecer agora, e já começou a acontecer, como tem ocorrido em várias democracias sociais no mundo inteiro, uma redefinição programática drástico dos contratos de solidariedade social com uma hegemonia desabrida da lógica do interesse do capital”, assinala. Para tanto, acrescenta, a esquerda foi expulsa do jogo político legal por algum tempo. “Eles não deixarão Lula ganhar a eleição em 2018 em hipótese alguma. Não sei como vão fazer, mas não deixarão”, diz, advertindo que a tentativa de prisão do ex-presidente Lula é uma possibilidade real neste cenário.</p>
<p><em>Sul21: Como você definiria a atual situação política do país e, mais especificamente, o que está acontecendo no Senado nos últimos dias, com o julgamento do impeachment da presidenta Dilma Rousseff?</em><br />
Wanderley Guilherme dos Santos: Eu não tenho acompanhado o Senado e nem o Supremo Tribunal Federal porque, já há algum tempo, tenho a convicção de que está tudo essencialmente resolvido. É uma peça cuja primeira montagem, para a minha sensibilidade, teve alguma emoção. Agora, virou algo mecânico. Por isso não estou acompanhando o que ocorre no Senado. Não vai daí nenhuma depreciação das pessoas. Elas estão cumprindo o protocolo, mas, no fundo, todos sabem que está resolvido.</p>
<p><em>Com a confirmação do afastamento de Dilma, quais podem ser as repercussões políticas e sociais no país?</em><br />
Acho que ocorrerão desdobramentos e aprofundamentos do telos, da finalidade deste movimento que pretende recolocar o Brasil no fluxo normal das relações do capitalismo que havia sido interrompido com a eleição de Lula em 2002. A inserção do Brasil no sistema capitalista evoluiu muito durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, quando foram construídos laços explícitos com o modelo internacional. Previamente a isso, havia uma indefinição sobre o rumo que o país iria tomar. Mesmo durante o período militar, havia uma disputa permanente entre os nacionalistas e os mais, digamos cosmopolitas. Isso foi resolvido, primeiro, com a vitória de Collor e, depois, com a de Fernando Henrique, quando tivemos oito anos de ajustamento da dinâmica brasileira ao modelo capitalista internacional. Isso foi interrompido em 2002.<br />
O que vai acontecer agora, e já começou a acontecer, como tem ocorrido em várias democracias sociais no mundo inteiro, uma redefinição programática drástica dos contratos de solidariedade social com uma hegemonia desabrida da lógica do interesse do capital. Esse processo já está em curso.</p>
<p><em>Na sua opinião, pode ocorrer uma reação na sociedade a esse processo, especialmente entre os setores que devem ser mais atingidos por essa redefinição programática? Há uma aparente calmaria na sociedade hoje, considerando a gravidade de tudo o que está acontecendo. O que essa calmaria expressa? Apatia? Indiferença?</em><br />
Acredito que temos aí uma composição de percepções. Em primeiro lugar, há o reconhecimento da falta de recursos. Os assalariados, de modo geral, com a ameaça de desemprego, estão muito pouco dispostos a participar de manifestações com pautas universais, generalizantes. Só farão isso por questões específicas. Essa postura obedece a razões materiais compreensíveis. Em segundo lugar, por uma avaliação, na minha opinião bastante sensata também, de que esse esquema de redefinição programática e de reajustamento reacionário é muito forte e pouco vulnerável a pressões externas. Ele tem algumas instabilidades, como essa briga agora entre Gilmar Mendes e o Ministério Público Federal, mas elas não transbordarão para uma associação com quem está de fora. Assim, acredito que essa aparente apatia não é, na verdade, uma apatia, mas sim uma avaliação bastante pessimista, porém racional.</p>
<p><em>Em que medida a Constituição de 1988 está sendo afetada pelo que está acontecendo agora no Brasil?</em><br />
A Constituição, propriamente, não está sendo atingida. O texto da Constituição consagra uma série de votos de boa vontade. O que aconteceu, de 2002 até aqui, foi uma tradução desses votos constitucionais em políticas específicas sérias e sistemáticas. Como essas intervenções sociais não foram constitucionalizadas, como ocorreu, por exemplo, com a Consolidação das Leis do Trabalho, elas ficaram muito vulneráveis a mudanças ministeriais e de governo. Então, o que está ocorrendo agora é um desmanche das políticas sociais construídas a partir de 2002 e a instalação de uma forma diferente de ler os votos constitucionais que não são específicos, mas sim declarações de intenções. O que está sendo atingido é a gramática que traduzia essas declarações de intenções em políticas sociais específicas.</p>
<p><em>Qual é, na sua avaliação, a capacidade do PT e da esquerda brasileira de um modo geral, de resistir a esse processo e de enfrentar o período que se abre agora na história do país?</em><br />
Há um trabalho que vem sendo realizado há alguns anos junto ao subconsciente da sociedade para cultivar a impressão de que tudo o que vinha sendo feito desde 2002 era algo paliativo, populista e maligno para comprar o apoio das classes mais desfavorecidas. Foram anos de condicionamento da subjetividade nacional e grande parte dela ficou bastante hesitante no que pensar diante de uma [Operação] Lava Jato. Não obstante a execução efetiva dos procedimentos legais que até agora condenaram empresários, burocratas, marqueteiros e alguns políticos, o único grande nome do PT condenado neste processo é o [João] Vaccari [Neto, ex-tesoureiro do partido].<br />
Desde o início da Lava Jato, os vazamentos, delações, declarações são sempre em relação ao PT. Por isso não cessa a Lava Jato. Toda semana tem uma ameaça nova sobre a prisão de fulano ou de sicrano. E não acontece. Não acontece porque não tem base e as coisas não colam. Há alguns meses, o Lula seria preso por causa do sítio em Atibaia ou por um apartamento no Guarujá. Isso era martelado diariamente como se fosse verdadeiro e suficiente para tornar alguém incomunicável. A Lava Jato colheu os frutos desses 13 anos de cultivo de uma subjetividade disposta a aceitar determinadas coisas. E a devastação produzida por isso foi muito grande. A imensa maioria das forças de esquerda não tem nada a ver com o número de pessoas denunciadas e condenadas pela Lava Jato. Há uma discrepância absoluta aí e ninguém está se dando conta disso.<br />
Há dois processos em curso. Há um processo teatral e um processo real. Os personagens reais estão lá na lista de denunciados e sentenciados pela Lava Jato, da qual não constam políticos do PT, com exceção de Vaccari e Delcídio [Amaral, ex-senador pelo PT e ex-líder do governo na Casa], que era um recém-chegado ao partido. A Lava Jato continua produzindo essa devastação na esquerda.<br />
Então, é natural que o eleitorado de esquerda esteja, não digo intimidado, mas aguardando os acontecimentos, pois foi colocado sobre seus representantes um véu generalizado de suspeição, o que faz com que ninguém se arrisque a por a mão no fogo por ninguém. A situação de meio paralisia que vemos hoje é uma situação de intimidação. Tudo contribui para um curto e médio prazo não muito róseo para a esquerda brasileira.</p>
<p><em>Você acredita que a Lava Jato, uma vez confirmado o afastamento da presidenta Dilma, tende a terminar?</em><br />
Não. Pode até ser que eles tenham pensado nisso em algum momento do processo, mas acho que tomaram gosto pela coisa. É um poder que, agora, o Gilmar Mendes identificou. É um poder excepcional esse de ter informações sigilosas sobre as pessoas, de saber quem faz o quê, em um contexto em que acusação e difamação se confundem. É um poder tirânico, aparentemente dentro da lei. Eu duvido que isso termine tão cedo.</p>
<p><em>Em que medida esse bloco que está apoiando Temer e a derrubada da Dilma é um bloco coeso e sólido, considerando especialmente as relações entre PMDB e PSDB?</em><br />
Pode haver algumas rusgas internas, mas acho que o bloco reacionário é sólido. A esquerda foi expulsa do jogo político legal por algum tempo. Lamento, mas eu leio o que está escrito. Posso estar lendo errado, mas tento ler o que está escrito.</p>
<p><em>Como avalia a possibilidade do movimento sindical e dos movimentos sociais resistirem à agenda de políticas defendidas pelo bloco político e social de Temer, que inclui propostas como a flexibilização da CLT e a precarização de direitos?</em><br />
Os movimentos sociais podem resistir um pouco, mas dentro do sistema político legal atual, lá entre eles, a situação não é tão fácil assim. Nem todos são reacionários de alfa a ômega. Há representantes dentro do Legislativo e da burocracia que tem interesses a defender e estão envolvidos com uma série de políticas. Então, acho que não será tão fácil para eles e não cumprirão 100% do que gostariam os mais radicais deles, mas isso por conta de resistências dentro do próprio bloco deles. Esse bloco é muito sólido no seu veto à esquerda. O consenso básico deles é: esquerda fora. Esse é o denominador comum que os unifica.</p>
<blockquote><p>“Em certo sentido, o golpe atual é pior que o de 64, pois tem um compromisso antinacional e reacionário muito mais violento”.
</p></blockquote>
<p>Tudo isso que estou dizendo não significa que nós vamos ficar olhando para tudo isso de braços cruzados, sem fazer nada. O que estou fazendo é procurar ver essa conjuntura com um olhar realista, inclusive para não criar expectativas falsas. As lideranças da esquerda não podem ficar levantando expectativas falsas que sabem que não poderão cumprir. Isso é ruim. O que não quer dizer que vamos ficar parados. Nós ficamos parados durante a ditadura? Não e tampouco ficaremos parados agora. Na ditadura, não acreditávamos que, em 48 horas, iríamos derrubar os generais. Nem por isso ficamos parados.<br />
Em certo sentido, o golpe atual é pior que o de 64, pois tem um compromisso antinacional e reacionário muito mais violento que o dos militares daquela época. Estes tinham uma seção autoritária, mas comprometida com interesses nacionalistas. Não é o caso agora. Cerca de 90% desse bloco que apoia Temer é profundamente antinacional. Isso não está acontecendo só aqui, vem acontecendo pelo mundo inteiro depois da crise de 2008.</p>
<p><em>Você vê alguma possibilidade de Lula vencer a eleição em 2018 e retornar ao governo?</em><br />
Eles não deixarão Lula ganhar essa eleição em hipótese alguma. Não sei como vão fazer, mas não deixarão. A esquerda não ganhará a eleição em 2018 de jeito nenhum. O que não quer dizer que a gente não vá mostrar a cara. Dependendo do andar da carruagem e se as eleições fossem livres, hoje eu acho que eles perderiam. O governo Temer é muito ruim e está afetando todo mundo. Se houvesse uma eleição para valer, eles perderiam. Como é que eles vão fazer eu não sei. O compromisso que eles estão assumindo, em nível nacional e internacional, é de tal envergadura que eles não podem perder a eleição em 2018.</p>
<p><em>Na sua opinião, o tema da prisão de Lula ainda é uma possibilidade?</em><br />
Acho que sim. Estão preparando o ambiente e o farão quando avaliarem que isso provocará apenas alguns protestos impotentes. Há um ano, eles não fariam, pois não daria certo. Eles não estão para brincadeira e vêm trabalhando sistematicamente para “acostumar” a opinião pública com a ideia da prisão de Lula. Eles vêm realizando sucessivas ameaças, às quais reagimos, para ir criando o clima. A ideia é que, ao longo dessas sucessivas ameaças, a nossa reação vá perdendo força na sociedade.</p>
<p><em>Como definiria a atuação do STF neste processo? Há setores do Supremo que fazem parte orgânica desse bloco de Temer?</em><br />
Sim, fazem. A maioria do Supremo é servil. Os que não são, se acomodam e se acovardam. Só esboçam alguma reação em coisas secundárias. Na hora de decidir sobre temas essenciais, isso desaparece.</p>
<p><em>Outra instituição que vem sendo apontada como uma protagonista do golpe é a chamada “grande mídia”. Como definiria o papel desse setor?</em><br />
É claro que também faz parte desse mesmo bloco. Não há nenhuma dúvida quanto a isso. Esse encontro entre Legislativo, Judiciário, Supremo, empresariado e mídia é uma circunstância que aconteceu. Não é fácil de acontecer, mas aconteceu. Acho que nem foi o resultado de uma coisa totalmente planejada, pois é muito difícil planejar algo dessa natureza. Mas acontece e, quando acontece, eles têm consciência de que aconteceu. Eles sabem o que aconteceu e, por isso, estão à vontade para cometer as maiores barbaridades como se fossem verdades. Hoje, se alguém ligado à esquerda entra com um <em>habeas corpus</em> ou algo do gênero no Supremo, eles negarão o pedido. Pode parecer exagerado, mas é isso mesmo. O que está acontecendo não é brincadeira. A gente esquece como isso tudo começou. Há alguns anos, o que estamos vendo agora era algo impensável. Hoje acontece como se fosse algo normal.</p>
<p><em>Considerando o bloco político social que apoia Temer hoje é possível fazer uma comparação com aquele bloco que apoiou o golpe de 1964?</em><br />
Não, é uma realidade bem diferente. Em 1964, não havia uma sociedade organizada e diversificada como hoje. Os militares obtiveram uma maioria conjuntural, mas depois as coisas foram ficando mais complicadas. Não tem nada a ver com 1964. Como disse, acho que o que acontece agora, em certo sentido, é pior em função do caráter profundamente antinacional desse bloco.</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5158' rel='bookmark' title='Boaventura: ‘O governo está dando tiros no pé, corroendo a base social de apoio’'>Boaventura: ‘O governo está dando tiros no pé, corroendo a base social de apoio’</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5585' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Contra o golpe parlamentar no Brasil'>Boaventura de Sousa Santos: Contra o golpe parlamentar no Brasil</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4700' rel='bookmark' title='Boaventura de Sousa Santos: Para ler em 2050'>Boaventura de Sousa Santos: Para ler em 2050</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5830</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Joint statement and open questions on ProSAVANA by the civil society of Mozambique, Brazil and Japan</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5856</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5856#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 29 Aug 2016 10:45:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[More countries]]></category>
		<category><![CDATA[Mozambique]]></category>
		<category><![CDATA[Opinion]]></category>
		<category><![CDATA[Other Economies]]></category>
		<category><![CDATA[Agronegocio]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Anti-imperialism]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Evictions]]></category>
		<category><![CDATA[Extractivismo]]></category>
		<category><![CDATA[Freedom of Expression]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Movimientos Campesinos]]></category>
		<category><![CDATA[Recursos naturales]]></category>
		<category><![CDATA[Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5856</guid>
		<description><![CDATA[In May of this year, 46 documents related to the ProSAVANA “civil society participation project” were leaked. Over one hundred public documents were obtained additionally under the Japanese Administrative Information Disclosure Law. This...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5063' rel='bookmark' title='ProSavana: Consultor da JICA tenta espancar activistas durante consulta pública'>ProSavana: Consultor da JICA tenta espancar activistas durante consulta pública</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5069' rel='bookmark' title='Moçambique: UNAC manifesta indignação e condena processo do ProSavana'>Moçambique: UNAC manifesta indignação e condena processo do ProSavana</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4563' rel='bookmark' title='Aparente auscultação pública sobre o Prosavana: mais um processo de diálogo fantoche'>Aparente auscultação pública sobre o Prosavana: mais um processo de diálogo fantoche</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>In May of this year, 46 documents related to the ProSAVANA “civil society participation project” were leaked. Over one hundred public documents were obtained additionally under the Japanese Administrative Information Disclosure Law. This statement strongly condemns the findings in these documents and demands that the following concerns be addressed and questions answered immediately by the three governments.</p></blockquote>
<p><a href="http://farmlandgrab.org/26457">Farmlandgrab</a><br />
27 August 2016 | <a href="http://www.farmlandgrab.org/post/view/26458">português</a>, <a href="http://www.farmlandgrab.org/post/view/26480">français</a></p>
<p><strong>Background and Purpose</strong><br />
In October 2012, UNAC, the largest peasant movement in Mozambique, came forth with a declaration that outlined its concerns with ProSAVANA (i), a large-scale agricultural development program in the Nacala Corridor in the north of Mozambique. We, as members of civil society from the three countries involved (Mozambique, Brazil, and Japan), have since been actively engaged in seeking change in the program in a direction that respects the rights and sovereignty of local peasants (ii).</p>
<p>In May 2013, an open letter was submitted by UNAC and twenty-three local civil organizations to the governments of the three countries. The open letter requested an immediate suspension of the program, the disclosure of pertinent information, and a fundamental reconsideration of the program that would allow for the independent and active participation of peasants (iii). In response, the governments promised to carry out a “careful dialogue” with peasant and civil society organizations (iv).</p>
<p>However, information concerning the program continues to be withheld, and since 2013, there have been continued threats and human rights violations against individuals and leaders of peasant unions that have raised reservations or are in opposition to the program. “Public hearings” were held in the 19 districts where the program would be implemented between April and June of 2015. However, over 80 civil society organizations around the world, including UNAC, have condemned the “hearings” as rigged, staged, and flawed, and denounced the process and the outcome as invalid (v).</p>
<p>Following such developments, civil society in the three countries has repeatedly requested 1) respect for human rights, 2) improved transparency and accountability, and 3) valid and “Meaningful Dialogue” based on FPIC (free, prior, and informed consent). Despite verbal promises, the situation has only continued to deteriorate.</p>
<p>In October 2015, JICA initiated a “stakeholder engagement project&#8221; (vi) “in order to respond to criticism directed at the public hearings, especially of UNAC” (vii). However, the said projects were rolled out without informing civil society in the three countries, and have had negative repercussions, notably on Mozambican civil society. In February of this year, UNAC and nine local civil organizations issued a statement on ProSAVANA “denouncing the unfairness of the dialogue process” (viii).</p>
<p>In May of this year, 46 documents related to the ProSAVANA “civil society participation project” were leaked (ix). Over one hundred public documents were obtained additionally under the Japanese Administrative Information Disclosure Law.</p>
<p>This statement strongly condemns the findings in these documents and demands that the following concerns be addressed and questions answered immediately by the three governments.</p>
<p><strong>What the Documents Reveal</strong><br />
The evidence from these documents, findings through field research at the program site (x), and a careful assessment of explanations given by the government in various meetings (xi), indicate the following:</p>
<p>1) In December of 2012, immediately following the denunciation of the ProSAVANA program by UNAC in October, the governments of the three countries agreed to adopt a “Communications Strategy” (xii). Various countermeasures against civil society organizations and movements raising reservations or in opposition of the ProSAVANA program were planned and implemented. The scheme was financed by JICA (xiii) as an “Intervention Proposal and Action Plan” (xiv).</p>
<p>2) A “Network of Collaborators” including district administrators, traditional authority figures, and cooperative individuals was formed (xv) in order to diminish the influence of peasant and civil organizations in the local communities of 19 districts targeted by the program and to undermine their claims (xvi).</p>
<p>3) In order to create division among civil society groups and to undermine the credibility of, and trust in international civil society organizations (especially those from Brazil and Japan), various measures were taken involving local government authorities and media (xvii).</p>
<p>4) In October 2015, JICA initiated the “Stakeholder Engagement Project,” and through a contract with local consultants (xviii), implemented a strategy to “achieve buy-in from civil society” (xix). Specifically, they identified potential conflicts of interest between local civil society groups or internally within groups and made strategic interventions (xx); “promoted the development of alliances”xxi in support of the ProSAVANA program; pushed for the “cultivation” of certain groups (xxii); and aimed to create “a (singular) dialogue platform”/“ProSAVANA advisory [working] committee” (xxiii). Only “those who demonstrate willingness” and approved by JICA and ProSAVANA-HQ were invited to the preparatory meetings (xxiv). The “No to ProSAVANA Campaign,” including UNAC and its provincial unions were also excluded and “disregarded in terms of negotiations” (xxv). The creation of the platform moved forward, as they expected to create a circumstance in which groups would have no choice but to participate for fear of being left behind and isolated (xxvi).</p>
<p>A thorough analysis of these documents, which this statement is based on, was published on August 22, 2016, by Japanese civil society (xxvii). The details can be found in that paper, but this statement concludes that it is clear that the ProSAVANA program, far from responding to the urgent concerns and demands of local peasants unions and civil society organizations that support them in the three countries, has actively strategized and sought to weaken, create division, and isolate, those raising valid concerns against the program.</p>
<p><strong>Resistance, Demands, and Open Questions</strong><br />
We strongly condemn this intervention and manipulation of civil society by the government as part of an international cooperation program.</p>
<p>Land grabbing remains a pressing concern in the Nacala Corridor. The “Nacala Corridor Economic Development” program, which is the greater scheme that the ProSAVANA program falls under, continues to promote investment without effectively addressing this issue.xxviii International cooperation and aid programs should support the empowerment and solidarity of peasants and civil society facing these challenges. However, the ProSAVANA program does the opposite, intentionally weakening and creating division among peasants. Meanwhile, there is an increased risk of even more peasants losing their land.</p>
<p>The current situation, as discussed above, not only goes against the principles of “international solidarity” and “international cooperation” as promoted by the governments of Brazil and Japan and their respective agencies, but also violates fundamental constitutional rights of the peoples. We strongly condemn the three governments for withholding and concealing information, in breach of relevant guidelines and laws in each of the countries, and for continuing to deliberately and institutionally implement measures as outlined above. We also stress that these counter-activities taken against civil society are taking place in the context of deteriorating peace, democracy, governance, and human rights in Mozambique (xxix).</p>
<p>We, as citizens of the three countries, demand the following measures be taken immediately:</p>
<p>1. Stop the ProSAVANA program and all related activities<br />
2. Disclose all remaining government documents related to ProSAVANA in order that the three governments fulfill their responsibility and accountability</p>
<p>We also request that the three governments provide clear responses to the following questions:</p>
<p>1. A response to the claims this statement makes on the “Communication Strategy”<br />
2. A response to the claims this statement makes on the “Stakeholder Engagement Project”</p>
<p>Lastly, we manifest our strong concern with the following development:</p>
<p>According to the leaked documents, the “counterpart fund” from food (agriculture) aid (KR/KRII) provided by Japan will be the source of funding for future “dialogue” activities (xxx). The non-transparent nature of this “counterpart fund,” in which the beneficiary country pools funds outside of its own treasury, has been an outstanding concern. This only adds to the continued lack of transparency in the ProSAVANA program.</p>
<p><strong>Conclusion</strong><br />
Since civil society organizations that have decided to participate in the dialogue mechanism are unaware of most of the information discussed above, we request that these organizations carefully examine the primary sources (xxxi) and the analysis paper (xxxii) for this information, and to then reconsider their future engagement with the ProSAVANA program.</p>
<p>We, the citizens of the three countries, declare our resolve to continue working with Mozambican peasants to protect their rights, dignity, sovereignty and land.</p>
<p><em>Organization Signatures</em><br />
<em>MOZAMBIQUE</em><br />
1. National Union of Farmers-Mozambique (UNAC)<br />
2. Justiça Ambiental (JA!)<br />
3. Academic Action for Community Development (ADECRU)<br />
4. World March of Women<br />
5. Fórum Mulher<br />
6. LIVANINGO<br />
7. Mozambican League for Human Rights (LDH)<br />
8. Friends of the Earth Mozambique<br />
9. Comissão Diocesana de Justiça e Paz de Nacala-CDJPN<br />
10. Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Nampula-CaJuPaNa</p>
<p><em>BRAZIL</em><br />
11. AV —Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale<br />
12. Cimi – Conselho Indigenista Missionário<br />
13. CONTAG &#8211; Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares<br />
14. CPT &#8211; Comissão Pastoral da Terra<br />
15. FASE &#8211; Solidariedade e Educação<br />
16. FETRAF &#8211; Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar<br />
17. INESC &#8211; Instituto de Estudos Socioeconômicos<br />
18. MAB &#8211; Movimento dos Atingidos por Barragens<br />
19. MMC &#8211; Movimento de Mulheres Camponesas<br />
20. MST &#8211; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra<br />
21. MPA &#8211; Movimento dos Pequenos Agricultores<br />
22. PACS &#8211; Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul<br />
23. Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional<br />
24. Amigos da Terra Brail</p>
<p>JAPAN<br />
25. Japan International Volunteer Center (JVC)<br />
26. Africa Japan Forum (AJF)<br />
27. Concerned Citizens Group on Mozambican Development (Mokai)<br />
28. No! to landgrab, Japan<br />
29. ATTAC Japan<br />
30. Asian Farmer&#8217;s Exchange Center<br />
31. Japanese Federation of Farmer’s Unions</p>
<p><em>Supporting Organizations </em><br />
1. NRAN (No REDD in Africa Network)<br />
2. KEPA / Finland<br />
3. Alternative Information and Development Centre (AIDC) / South Africa<br />
4. CESTA / El Salvador<br />
5. Centro de Documentación en Derechos Humanos “Segundo Montes Mozo S.J.” (CSMM) / Ecuador<br />
6. Plataforma Interamericana de Derechos Humanos, Democracia y Desarrollo (PIDHDD Regional) /Ecuador<br />
7. FoE Togo<br />
8. Centre for Environment and Development/Cameroon<br />
9. World Rainforest Movement<br />
10. FOE Africa<br />
11. Groundwork South Africa<br />
12. GRAIN<br />
13. FIAN International</p>
<p>* We are collecting signatures of organizations until September 4, 2016. Please register names of organizations in: <a href="https://ssl.form-mailer.jp/fms/df0b2e67461365">https://ssl.form-mailer.jp/fms/df0b2e67461365</a> or send it to: prosavanacomunicado@gmail.com </p>
<p>(i) The abbreviation for “Program for agricultural development in the African tropical savannah through triangular cooperation from Japan, Brazil, and Mozambique (September 2009 agreement).</p>
<p>(ii) “No to ProSavana! Launch of national campaign” (June 2, 2014). http://www.farmlandgrab.org/23577 The advocacy activities on ProSAVANA began with the first statement of UNAC released on October 11, 2012. (http://www.farmlandgrab.org/21211）It followed a position paper released by JA! on January 2013. https://issuu.com/justicaambiental/docs/ja_position_paper_on_the_prosavana_ Since then, many statements have been released by Mozambican, Brazilian, Japanese and international organizations. These are at the following site: http://www.farmlandgrab.org/cat/show/827</p>
<p>(iii) “Open Letter from Mozambican civil society organizations and movements to the presidents of Mozambique and Brazil and the Prime Minister of Japan (calling for the immediate suspension of ProSAVANA)“ (May 28, 2013). http://www.farmlandgrab.org/22150</p>
<p>(iv) House of Councilors Settlement Committee (May 12, 2014). After JICA chairman Tanaka Akihiko and Minister Kishida Fumio promised “careful activities(process)” and “careful dialogue,” on April 20, 2015</p>
<p>(v) Mozambique: People&#8217;s appeal for an immediate invalidation of the &#8216;Public Hearing of ProSavana&#8217;s Master Plan&#8221;（June 4, 2015）http://farmlandgrab.org/25017</p>
<p>(vi) Explained after its creation by JICA at the fifteenth dialogue meeting (February 19, 2016). The sequence of events is collected in the following document. “Voice of Japanese Civil Society: Declaration of Resistance to the ProSAVANA ‘Stakeholder Engagement Project’ and Demand for a Drastic Reevaluation” (March 18, 2016). http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/17kai_shiryo/ref3.pdf</p>
<p>http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/activities/ps20160318statement.html</p>
<p>(vii) The sixteenth dialogue meeting (March 9, 2016).</p>
<p>(viii) “No to ProSavana Campaign denounces irregularities in ProSavana dialogue” (February 17, 2016). http://www.farmlandgrab.org/25797 “Summary of the No to ProSavana Campaign’s meeting for convergence and resistance” (May 7, 2016). http://www.farmlandgrab.org/26181</p>
<p>(ix) The documents are available in their entirety at the following site: http://farmlandgrab.org/26158</p>
<p>(x) Since July of 2013, Japanese NGOs, along with peasant unions and civil society organizations in Mozambique, have conducted 8 joint field research. The results are as follows. “ProSAVANA Civil Society Report 2013: Findings and Recommendations” (April 2014).<br />
http://www.dlmarket.jp/products/detail/263029 “Observations on ProSAVANA: Outline and Changes, and Recommendations from NGOs” (October 28, 2014). http://www.ngo-jvc.net/jp/projects/advocacy-statement/data/proposal%20final.pdf Also see the following report from a dialogue meeting: http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/14kai_shiryo/ref3.pdf</p>
<p>(xi) Since January of 2013, there have been seventeen “dialogue meeting on the ProSAVANA program” between Japanese NGOs and the Ministry of Foreign Affairs and JICA. The summaries a materials from the meetings are available at the following: http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/</p>
<p>http://www.mofa.go.jp/mofaj/gaiko/oda/shimin/oda_ngo/taiwa/prosavana/index.html</p>
<p>(xii) The meeting record from coordination meeting of the three countries is available here: https://www.grain.org/article/entries/4703-leaked-prosavana-master-plan-confirms-worst-fears</p>
<p>(xiii) In order to formulate a communication strategy JICA signed a contract with a local (Portuguese) consulting agency, CV&#038;A, and gave this as the purpose in the project aims (ToR [Terms of Reference], page 4). http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/docs/102.pdf For the primary sources related to the “Communication Strategy” see http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/index_docs.html</p>
<p>(xiv) ToR, page 4. In the “Monthly Report (Relatório de actividade ProSAVANA)” by CV&#038;A, it became clear that CV&#038;A had moved to enact the strategy they formulated. Only the monthly reports for July, August, and October of 2014 were disclosed by JICA.</p>
<p>(xv) “ProSAVANA Communication Strategy (Estratégia de Comunicação: ProSAVANA)” (September 2013), pages 10-12, 23-26, 46. http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/docs/104.pdf</p>
<p>(xvi) “By having direct contact with these communities, it will devalue these associations representing the communities or farmers. In order to minimize the strength of these organizations are as follows:…. By taking importance away from the Mozambican civil society organizations, it will take strength away from the foreign NGOs to operate in Mozambique.&#8221; (ProSAVANA Communication Strategy) (September 2013, pages 34-35.) http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/docs/104.pdf Original in Portuguese. This “strategy,” as a public document for the ProSAVANA program, was agreed upon by the three countries and JICA, authored and released by ProSAVANA.</p>
<p>(xvii) The original uses the word “devaluing.” And see the following description: “Additionally, following this communication strategy and doing away with the connection between the Nacala Corridor and the Brazilian Cerrado will help devaluate some of the principal argument points of these international NGOs” (“ProSAVANA Communication Strategy, pages 30-35. “The international media does not tend to take such offers, but ProSAVANA must always offer to support expenses” (34). These proposals are not solely from CV&#038;A, as it is clear by the same appearing in the appended documents to its contract with JICA (ToR, “Communication Strategy in the Framework of ProSAVANA.” The latter is available here: http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/docs/103.pdf</p>
<p>(xviii) JICA’s ToR to MAJOL. http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/docs/122.pdf</p>
<p>(xix) Made clear in MAJOL’s “Inception Report” (page 5) disclosed by JICA. http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/docs/123.pdf</p>
<p>(xx) The original gives “identification of …potential conflicts or conflicts of interest between the project and particular groups or between the groups themselves.”</p>
<p>(xxi) MAJOL’s “Inception Report” disclosed by JICA“ (page 18).</p>
<p>(xxii) The leaked “semi-final draft” of the “ProSAVANA, Stakeholder Mapping” by MAJOL (page 20). http://www.farmlandgrab.org/uploads/attachment/Map.2.pdf</p>
<p>(xxiii) “A dialogue platform” in JICA’s ToR (October 2015) was transformed to a “ProSAVANA advisory committee” in MAJOL’s inception report (November 2015). MAJOL suggested JICA to modify “advisory” to “working,” and remained that way until January 2016 (MAJOL’s invitation letter).</p>
<p>(xxiv) Clearly written in JICA’s ToR (pages 2-3). http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/docs/122.pdf</p>
<p>(xxv) “Stakeholder mapping” (page 33) http://www.farmlandgrab.org/uploads/attachment/Map.3.pdf</p>
<p>(xxvi) See page 33 of the leaked “Stakeholder Mapping.” The original gives “is small enough to be essentially disregarded in terms of negotiation…” http://www.farmlandgrab.org/uploads/attachment/Map.3.pdf Disclosure from JICA has been denied.</p>
<p>(xxvii) No! to landgrab, Japan “ProSAVANA’s communication strategy and its impact: An analysis of JICA’s disclosed and leaked documents” (22 August 2016) http://farmlandgrab.org/26449</p>
<p>(xxviii) The internationally-known researcher on Mozambique, Joseph Hanlon, in his article “Comment on ProSAVANA: What does a successful campaign do after it wins?” (June 26, 2016), praised the campaign as “the most successful campaign in Mozambique.” Yet he criticizes organizations for continuing to focus on campaign against land grabs in Northern Mozambique, arguing that land grabs are no longer a major threat in the area. He writes, “There appear to have been no new large agricultural land grabs in the past five years. And existing projects are not doing well.” This is not how we view the situation. The dangers of land grabbing in the area are not decreasing. For example, Hanlon dismisses a proposed 240,000 ha project along the Rio Luirió (Lurio Valley Development Project) that could displace 500,000 families as not being serious. A recent article, based in part on information from the Panama Papers database, shows however that the project remains under examination by the Mozambique government and DUATs (land title) have been applied for. There is also the involvement of a company belonging to a holding company of the Abu Dhabi Royal Family, indicating that funding is a real possibility. (http://farmlandgrab.org/26386). If we follow Hanlon’s claim, the peasant and civil society organizations will not be able to engage in this kind of landgrabbing “plans” and in rolling back activities for already grabbed land. Further, the area along the current Nacala corridor is also experiencing land grabbing from not oJoint statement and open questions on ProSAVANA by the civil society of Mozambique, Brazil and Japan in response to newly leaked government documents.</p>
<p>(xxix) See “State of Military, Government, and Society in Mozambique: Focus on the Nacala Corridor and ProSAVANA” (March 3, 2016). http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/oda/2015301.pdf</p>
<p>(xxx) http://www.farmlandgrab.org/uploads/attachment/doc_2.pdf</p>
<p>(xxxi) http://farmlandgrab.org/26158 http://www.ajf.gr.jp/lang_ja/ProSAVANA/index_docs.html</p>
<p>(xxxii) http://farmlandgrab.org/26449</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5063' rel='bookmark' title='ProSavana: Consultor da JICA tenta espancar activistas durante consulta pública'>ProSavana: Consultor da JICA tenta espancar activistas durante consulta pública</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5069' rel='bookmark' title='Moçambique: UNAC manifesta indignação e condena processo do ProSavana'>Moçambique: UNAC manifesta indignação e condena processo do ProSavana</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=4563' rel='bookmark' title='Aparente auscultação pública sobre o Prosavana: mais um processo de diálogo fantoche'>Aparente auscultação pública sobre o Prosavana: mais um processo de diálogo fantoche</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5856</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Hebe de Bonafini: “No nos podemos quedar sentados”</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5787</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5787#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Aug 2016 09:20:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brazil]]></category>
		<category><![CDATA[Español]]></category>
		<category><![CDATA[Human Rights]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[More countries]]></category>
		<category><![CDATA[Opinión]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Crisis]]></category>
		<category><![CDATA[Desconstitucionalización]]></category>
		<category><![CDATA[Feminism]]></category>
		<category><![CDATA[Freedom of Expression]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Institutional Politics]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Izquierdas]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Violencia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5787</guid>
		<description><![CDATA[La titular de Madres de Plaza de Mayo destaca la reacción popular ante el intento de detenerla. “El pueblo ha demostrado que hay muchas cosas que podemos, que la calle es nuestra”, dice...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5643' rel='bookmark' title='Mexico &#8211; “No podemos callar ante la mentira burda convertida en discurso oficial”: organizaciones sociales y populares a la CNTE'>Mexico &#8211; “No podemos callar ante la mentira burda convertida en discurso oficial”: organizaciones sociales y populares a la CNTE</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5550' rel='bookmark' title='Hablemos del golpe en Brasil, hijo'>Hablemos del golpe en Brasil, hijo</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5676' rel='bookmark' title='“Los más poderosos son quienes más salen del juego democrático para después imponerlo a los de abajo”'>“Los más poderosos son quienes más salen del juego democrático para después imponerlo a los de abajo”</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>La titular de Madres de Plaza de Mayo destaca la reacción popular ante el intento de detenerla. “El pueblo ha demostrado que hay muchas cosas que podemos, que la calle es nuestra”, dice y afirma que “Macri no es el dueño del país”.</p></blockquote>
<p><a href="http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-306241-2016-08-07.html">Página 12</a><br />
Nora Veiras<br />
07 Aug 2016</p>
<div id="attachment_5788" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a href="http://alice.ces.uc.pt/news/wp-content/uploads/2016/08/hebe_p12_.jpg"><img src="http://alice.ces.uc.pt/news/wp-content/uploads/2016/08/hebe_p12_.jpg" alt="" title="hebe_p12_" width="360" height="275" class="size-full wp-image-5788" /></a>
<p class="wp-caption-text">La presidenta de la Asociación Madres de Plaza de Mayo, Hebe de Bonafini (Foto: Leandro Teysseire)</p>
</div>
<p>Como tantas otras veces Hebe de Bonafini, a los 87 años, demostró que se anima a hacer lo que nadie se anima. Y esta vez provocó un hecho político inesperado. Se resistió a una orden judicial que la obligaba a ejercer su derecho de defensa. Sí, la citación a declaración indagatoria dispuesta por el juez Marcelo Martínez de Giorgi es una instancia procesal pensada en beneficio del denunciado. La presidenta de la Asociación Madres de Plaza de Mayo está siendo investigada en el marco de la causa por defraudación en la construcción de viviendas, conocida como Sueños Compartidos, y había anticipado que no se presentaría a declarar porque ya lo había hecho y, además, había entregado toda la documentación. El magistrado dictó una orden de detención, que intentó efectivizarse con policías pertrechados para la guerra, en el momento en que las madres salían, como todos los jueves, para la ronda en Plaza de Mayo, el lugar en el mundo donde sienten que se encuentran con sus hijos desaparecidos. Una multitud espontánea las arrulló, y le puso un límite a la desmesura. Un día después, el juez revió el pedido de detención y admitió que iría a tomarle declaración en la casa de Madres. Hebe partió en caravana hacia Mar del Plata y desde allí habló con Página/12.</p>
<p>“Estoy contenta no por lo que le pasa al país sino porque el pueblo ha demostrado que hay muchas cosas que podemos, que la calle es nuestra, que no pasó nada en todo el recorrido, la gente nos tiraba papelitos ¡qué hermosura! No todos son PRO. Yo no quiero cambiar la consigna pero el ‘Sí podemos’ nos corresponde a nosotros ahora. Nos apropiamos de la consigna, no la voy a poner porque no me quiero copiar, voy a pensar en alguna otra pero… Macri ¡Sí podemos!”</p>
<p><em>–Parece que tuviera un Jaime Durán Barba…</em><br />
–Ni Dios permita. Se me ocurren las consignas, todo, porque tengo la cabeza puesta en eso.<br />
El trajín de los últimos días le dejó dolores en todo el cuerpo y la voz cascada. Está satisfecha. “Es una locura lo que pasó. La emoción de la gente…nos esperaban al borde la ruta con regalitos, con banderas.</p>
<p><em>–¿Que le decía la gente?</em><br />
–Me daba las gracias. Yo le decía que lo hicieron ellos, no yo. Me animé a hacer lo que nadie se anima. Los pueblos tenemos que entender que las plazas y las calles son formas también de darnos la razón. Paramos en Varela, en Gutiérrez, en Hudson, en Chascomús, en Lezama, en Maipú y la caravana se concentró a la entrada de Mar de Plata. Había gente que estaba sola en la ruta, motos que nos seguían y filmaban lo que estaba pasando. Era muy fuerte, nunca vi algo igual para una mujer de un pueblo, no para un personaje, no podíamos entrar, la gente estaba como loca. Estoy super impresionada.</p>
<p><em>–La llamó Cristina Fernández de Kirchner ¿cómo fue esa charla?</em><br />
–Sí, varias veces. Ella primero se preocupaba por mi vida. El primer operativo fue tremendo. Me daba mucho miedo la seguridad de la militancia. Había tres hidrantes, dos filas de fuerzas de choque, civiles armados, tres camiones de los que llevan a las personas y cantidad de patrulleros de la Federal rodeando la casa de las Madres. Pensaba “esto puede ser una masacre, tengo que cuidar esto”. Por eso hicimos esa manganeta y salimos por la vereda, La gente sale a la calle por una cosa que uno hace y después hay que cuidarla. Cristina tenía mucho miedo de que me llevaran y me pasara algo, que me descompusiera, me muriera. Me decía “cuidate, cuidate”. Le dije: “Yo sé lo que voy a hacer Cristina, siempre pienso en mis hijos que dieron todo lo que tenían y me parece que llegó el momento de dar todo lo que uno tiene. A mí me queda tan poquito para vivir que si no lo pongo en esto, dónde lo voy a poner”. “Bueno, bueno –me dijo- hacé lo que quieras”. Después estaba contenta, me volvió a llamar porque había salido todo como no lo pensábamos ninguno ¿no?</p>
<p><em>–Usted había anticipado que no iría a declarar ¿pensó que se desplegaría un operativo semejante?</em><br />
–Nunca, si no detienen a nadie de los que tienen que detener. Llegaron marchando con escudos, vestidos para la guerra. Y ya estaba llena de militantes la casa de las Madres. Había civiles armados.</p>
<p><em>–¿Civiles armados?</em><br />
–Sí, la gente que ellos mandan de civil, los espías, vienen siempre, esta vez había muchos. A veces en las marchas los detecto y los echo y se van. A veces vienen vestidos de viejos, camuflados, o te mandan una piba mal vestida y te das cuenta que están espiando, se pone al lado mío, ocupan lugares estratégicos en la plaza, para escuchar a la gente que me viene a ver. Me asomé, vi los hidrantes. Juan Manuel Morente, el abogado, tuvo el buen tino de sacar al oficial que venía a allanar pero no le mostraba la orden. Juan Manuel es un chico joven, muy inteligente. En el juzgado el escrito mío, que es el escrito de una mujer, no se lo querían recibir porque no era jurídico. La verdad, siempre me sometí a la ley. Fui muchas veces, no es que no fui. Viste que Kafka decía que la ley es la ley de los burgueses y lo que hicimos un poco es rebelarse ante eso, a que los burgueses siempre tengan razón. Después eso que pasó: llamaron de todas partes de Latinoamérica, de Europa, de todas partes del mundo, no me dieron paz. Algunos me decían “cambiaste la jurisprudencia”. No sé, no entiendo de derecho, lo que sé es que es muy bueno que pase esto y que los pueblos tengamos claro que cuando salimos a la calle y tenemos razón, tenemos razón. Si nos quedamos adentro, es complicado.</p>
<p><em>–Lo concreto es que después de la reacción popular, el juez dio marcha atrás con su orden de captura y dijo que está dispuesto a ir a la casa de las Madres. ¿Cómo evalúa este hecho jurídico que obviamente tiene una lectura política?</em><br />
–Si el juez viene a la casa de las Madres, lo vamos a recibir. Nosotras nunca le cerramos la puerta ni a los allanamientos. Muchas veces nos allanaron pero como no tenemos nada que ocultar…En el primer allanamiento que tuvimos por lo de Schoklender vino cualquier cantidad de milicos. Las Madres vinieron también y les dije: “Ustedes no se asusten porque no tenemos nada que ocultar, que abran todos los muebles, que revisen todo y nosotras nos quedamos sentadas en la cocina”. Como nos quedamos ahí, un oficial dijo “yo voy a empezar por acá” y abrió un mueble de la cocina y sacó tres libros azules, él pensó que eran libros de cuentas, y resulta que eran libros donde tenemos los diarios de las Madres, el tipo los abrió y saltó “Juicio y castigo a los culpables”, la tapa de uno de los diarios de las Madres, era como si se lo estuviéramos diciendo a él, el tipo no sabía qué hacer. Cada cosa que abrían saltaban las cosas de las Madres. Revolvieron todo, no tiraron nada al piso, se quedaron cualquier cantidad de horas. No es que nos resistimos a la justicia, les abrimos todas las puertas, ya bastante hicimos, ahora que llamen a quien tengan que llamar.</p>
<p><em>–¿A quién cree que no están llamado?</em><br />
–A un montón de gente. Hay ciento y pico imputados. De la banda, banda, dieciocho. Yo fui a hablar con el juez a ver cómo iba la causa, no es que no fuimos. Me pareció que era necesario decir basta, basta Macri también, que la termine Macri también.</p>
<p><em>–¿Quiso ponerle un alerta política al macrismo?</em><br />
–Claro. No es que puede hacer todo lo que quiere. Macri no es el rey del país, eso se lo hicieron creer los yanquis, pero no es el dueño del país. Él vino para gobernar el país, no para adueñarse del país, que es otra cosa. Él se adueñó del país y lo está rematando y regalando. Ahora el 26 y 27 de agosto hacemos la Marcha de la Resistencia, tenemos que hacerlo en todo el país. La falta de trabajo es un crimen que alguien tiene que pagar, se ven colas de gente que busca comida a la noche y no la gente que vive en la calle. Gente que no puede comprar la comida no porque no puede pagar el gas, no puede comprar la comida porque no tiene trabajo.</p>
<p><em>–¿Va a declarar ante el juez?</em><br />
–No. Yo tengo derecho a no declarar. Me lo dijo (Raúl) Zaffaroni, muchos de los que me han llamado. Recibirlo sí como corresponde pero no declarar. “Vos tenés derechos”, me decían los abogados. Los más viejos no, que son más rancios, me decían que tenía que ir. Me tironeaban para los dos lados de cada oreja pero yo tenía que tener la cabeza fría pensando qué quería yo. Yo pensaba qué querrían mis hijos y qué le haría bien a toda la gente. Me parece que es lo que hicimos.</p>
<p><em>–Desde Macri hasta Gabriela Michetti, pasando por Marcos Peña, repitieron que todos somos iguales ante la ley y que por lo tanto tenía que presentarte ante la Justicia.</em><br />
–Yo no quiero ser iguales a ellos ni ante la ley. Lo más lejos posible de ellos. Mirá cómo se quieren igualar a nosotros ahora. No nos parecemos en nada.</p>
<p><em>–¿Con el juez tuvo algún contacto o todo a través del abogado?</em><br />
–Todo a través del abogado. Ahí soy muy jurídica.</p>
<p><em>–Va a ser un encuentro difícil, le ha dicho de todo al juez.</em><br />
–Lo que no puede decir es que no soy sincera. Así que bueno. Yo lo voy a recibir con mucho respeto. No tengo por qué faltarle el respeto, se lo falto públicamente porque a veces uno se zarpa. Las Madres no tenemos ningún problema y de paso le va a venir bien conocer la casa de las Madres. Conocer la casa de las Madres es sanador, es linda, es alegre, tenemos tantas cosas para mostrar.</p>
<p><em>–El juez dijo que estaba analizando dar curso a la denuncia por encubrimiento contra los dirigentes políticos que la acompañaron. ¿Cómo lo analiza?</em><br />
–(Risa) Podríamos hacer una obra de teatro, un sainete sería fantástico, el problema es que no lo creería la gente. Algunos se querían quedar más y les decía “No. Tenemos que hacer pis, las Madres hace un montón de rato que no vamos al baño”. Nos volvimos apuradas por eso, si no tomáramos Paxon, el diurético, que ahora el PAMI te lo cobra, nos hubiéramos quedado más.</p>
<p><em>–Fue todo desmesurado. ¿Piensa que el juez pensó las implicancias de dictar una orden de detención por una instancia procesal contra la presidenta de la Asociación Madres de Plaza de Mayo?</em><br />
–El operativo de seguridad desató todo. No hay dimensión de la historia. Él cree que soy una pobre mujer del pueblo que va todos los jueves a la Plaza. No sabe el juez todo lo que han hecho las Madres, no sabe lo que nos quiere el pueblo. Es el trabajo de cuarenta años. Yo nunca medí, mucha gente me decía “Hebe te puede pasar algo”. Yo desde el principio, cuando se llevaron a mis hijos, la pasé mal pero nunca pensé en mí. Cada vez que uno hace algo es como un parto, uno no puede pensar en uno, uno tiene que pensar que el bebé tiene que nacer sano. Esto era como un parto, tenía que nacer sano lo que saliera de esto. Yo a los diez días que llevaron a mi hijo, que me avisaron que hacía diez días que lo torturaban, fui a la comisaría 5 porque el juez no quiso ir. El juez Aramo, de La Plata, me dijo “señora usted está loca’. Yo me fui como una loca verdaderamente, entré a la comisaría, no me pudieron agarrar, me dieron una paliza, llovía a baldes, y me tiraron a la calle. Me quedé llorando arriba de las piedras, yo no pensaba en mí, pensaba en mi hijo que estaba adentro. Cuando hice esta presentación, pensaba en eso, pensaba en mis hijos, pensaba en cuánta gente tiene que darse cuenta cuánto poder tenemos para hacer las cosas que queremos y que sentimos que debemos hacer. No nos podemos quedar sentados diciendo “Ay, qué mal que nos va. Ay, me echaron del trabajo”. No compañeros, hay muchas cosas: no romper nada, no tirar nada, no ser provocadores, Ellos lo que están buscando es un muerto. Yo tenía terror el otro día, pensaba “¿Qué quieren? Que un pibe se rebele y le metan un tiro en a cabeza”. Imaginate cómo se ponían los pibes cuando llegaban cada vez más tipos ¿Cuánta gente van a traer para detener a una vieja de 87 años?</p>
<p><em>–La prédica de los medios dominantes era la violencia que implicaba su rebeldía.</em><br />
–Exactamente. Así que uno tiene que ver hasta dónde va y cómo va. Las Madres estamos acostumbradas a gambetear a la policía. Hace cuarenta años que los esquivamos, hace cuarenta años que los echamos de la Plaza porque no los queremos en la Plaza, porque no los necesitamos. Cuando (Fernando) de la Rua un jueves nos cerró la plaza y no la quiso abrir, alquilamos dos escaleras de aluminio, subimos por una y bajamos por la otra por sobre las vallas y entramos. En esa época podíamos, teníamos muchos años menos. Los pueblos siempre tenemos formas de hacer otra cosa. Ahora que estoy acá, en Mar del Plata, en este encuentro de comunicación, traje las primeras tarjetas que hicimos las Madres. Al principio no queríamos hacer volantes, teníamos miedo, el volante había sido para muchas madres el responsable de que se llevaran a sus hijos. Entonces las Madres de La Plata inventamos que cada una hiciera tarjetas como quisiera… hacíamos cada tarjeta horrible que ni te cuento, con un corazón sangrante, con una cruz, con Jesucristo con los clavos. La segunda Navidad, en el ‘78, nos parábamos en las esquinas y repartíamos esas tarjetas en plena dictadura, pero eran personales, eran de una madre, pero había muchas madres y eran una más una más una. Hice fotocopias y para estos chicos que están aprendiendo comunicación y periodismo, les quiero mostrar que no se necesitan todos esos aparatos nuevos que hay ahora, cuando uno quiere hacer algo, cuando quiere denunciar algo siempre hay una manera de hacerlo. A nosotras muchas veces nos llevaban presas y nos ponían con un muerto en una celda, un muerto con olor, que sabíamos que era uno de los nuestros, para asustarnos y que no saliéramos más ¿De qué nos vamos a asustar ahora?, ¿de qué nos lleven presas?</p>
<p><em>–No hay dimensión de lo que vivieron.</em><br />
–Hasta quince días nos tuvieron presas. Pensaba cómo contar lo que nos pasaba, no nos iban a creer, yo me llevaba una camarita en la barriga, iba al baño y sacaba fotos del baño. Así que tengo un montón de fotos de inodoros de las comisarías donde estuvimos presas. Son formas de rebelarse porque no servían para nada.</p>
<p><em>–Es justamente el rebelarse lo que resulta intolerable.</em><br />
–Es una ley de burgueses. Tenemos que cambiar la Constitución, tenemos que tener una Constitución que nos defienda. Los países que están más firmes en América Latina son los que han cambiado la Constitución, aunque tengan problemas no es lo que le pasa a Brasil o lo que nos pasó a nosotros. Si nosotros hubiésemos tenido otra Constitución, estos tipos no nos hubiesen sacado la ley de medios y todo lo que nos están sacando. Nos vamos a poner a trabajar en eso. Nos vamos a morir, no importa, vendrán otros que la sigan.</p>
<p><em>–En este momento la relación de fuerzas es adversa.</em><br />
–Depende, si contamos con la gente que está en la calle no. Ellos lo que no tienen es eso. Macri para algunos actos contrata extras. Inauguran casas pero no aparece la gente que va a ocupar las casas, llevan a su gente por el miedo a que lo puteen. Yo no podría pagarle a todos los extras que vinieron estos días a acompañarme por la calle. Eso es lo que no pueden ellos. Eso es lo que ellos no tienen, pueblo. El pueblo está en otro lado. Y ni somos todos chorros, ni somos todos tarados, ni somos todos traidores. Con Cristina conducción vamos a llegar lejos. Hay muchas maneras de conducir y ella es un ejemplo todo el tiempo.</p>
<p><em>–¿Qué le dice a quienes cuestionan que asimile tantos años de lucha al kirchnerismo?</em><br />
–Yo estoy muy honrada de haber hecho esto y honrada de que me permitan ser kirchnerista. El peronismo y el kirchnerismo son los que más sufrieron, los que más han sido castigados, han sufrido más masacres. No por las masacres sino porque eran tipos que se jugaban: desde (Rodolfo) Walsh hasta el que pidas, sabiendo lo que les iba a pasar, sí que sabían. Es como si yo dijera “no sé lo que me va a pasar si voy a una comisaría”. Cuando uno está haciendo cosas sabe que algunas cosas te pueden pasar pero bueno si nosotros vamos a pensar solo en nosotros, estamos en el horno.</p>
<p><em>- Ahora están organizando la marcha 2000 para el jueves próximo.</em><br />
–Sí, 2000 marchas que no es poca cosa. Estamos muy contentas, viene mucha gente, va a haber marchas en muchas partes, ahora estoy con las compañeras de Mar del Plata. Había venido con la idea de descansar un día, no sabía que me iba a pasar todo esto que pasó. Lo único que voy a hacer es salir a charlar con mis compañeras y con Silvina que se vino de Córdoba, ella es la médica que me acompañó a Roma, y con Sofía, mi secretaria, que la tengo corriendo todo el día. Estoy preparando tantas cosas entre la marcha del jueves, la Marcha de la Resistencia, vamos a reinaugurar, el 22 de agosto, el bar El revolucionario, porque consideramos que en esa fecha ocurrieron dos cosas gravísimas pero que dejaron saldos muy buenos: la masacre de Trelew, que mostró que la unidad de los compañeros para defender la patria era lo que servía, y las Madres, que firmamos por primera vez nuestra carta de fundación. Un escribano nos prestaba un sucuchito para que fuéramos a firmar en distintas horas el acta. Hicimos una elección con papelitos el 14 de agosto en la casa de Emilio Mignone y después quién le ponía el cascabel al gato, tenían miedo los escribanos. Y de pura casualidad, el 22 de agosto de 1979 inscribimos la asociación.</p>
<p><em>–¿Qué conversa con las madres?</em><br />
–De todo. Ahora quiero organizar un encuentro grandísimo para cambiar la Constitución. Zaffaroni, que lo está diciendo desde hace rato, será uno de los principales participantes y hay un montón de abogados jóvenes que me llaman y me dicen que hace falta porque en la universidad les siguen enseñando el derecho para los ricos, para los burgueses, como decía Kafka. No crean que leí Kafka, lo aprendí ayer y lo estoy repitiendo. Los intelectuales te hablan y te mandan todos los que leyeron. Yo empecé leyendo Upa.</p>
<p><em>–Y acá llegó…</em><br />
–Llego porque estoy acompañada por mucha gente. Lo que quiero que entiendan es que todos pusieron un poco, muchos periodistas que me ayudan un montón, no todos son turros. Lo que pasaba por televisión el enemigo hizo que la gente saliera a la calle. Veían esa monstruosidad y decían “con las Madres no”. Cuando vi tanta locura le dije a las madres: “Nos tenemos que escapar por la vereda”. La policía se quedó con una vena… ellos tenían todo ese operativo y nos pudimos escapar.</p>
<p><em>–Si uno toma distancia es grotesco que un grupo de viejitas hayan logrado eludir tremendo operativo.</em><br />
–Nosotros estamos acostumbradas. A veces cuando no nos dejan pasar, le digo a alguno “comisario, sáquenos la moto” y nos dejan pasar. A ellos les encanta que le diga comisario y me hacen la venia. Hay que darles vuelo, pobres.</p>
<p><em>–¿Cree que esta reacción popular puede repercutir en otro caso inadmisible como es la prisión de Milagro Sala?</em><br />
–Depende de la gente, hay que salir a la calle y cuidar que no pase nada. Ahora creo que hay que salir por la falta de trabajo de todo el mundo. Basta de echar gente, hay que pararlo de alguna manera, el pueblo en la calle puede parar los despidos. Siempre el hombre es ingenioso. En la época de De la Rua, un amigo que estaba en la lona me dice un día “voy a vender huevos duros hechos, así no los tienen que hervir” y tiene una fábrica ahora. No hay nada imposible par el hombre. Tal vez alguna nueva forma de trueque. Si nos dieran pedacitos de tierra, no digo sacarles los campos a los ricos para dárselos a los pobres, porque eso no es posible porque los ricos tienen mucha fuerza. Pero sí terrenos que están cerca de las rutas, un pedacito para sembrar, comer de la propia quintita. ¡No estoy hablando de la reforma agraria!</p>
<p>Hoy Hebe de Bonafini emprende el regreso a su casa de La Plata. A partir de mañana, el juez decidirá cuando le tomará declaración. No importa en qué momento ni cómo se concrete el trámite, la presidenta de la Asociación Madres de Plaza de Mayo volvió a imprimir su huella en la actualidad argentina</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5643' rel='bookmark' title='Mexico &#8211; “No podemos callar ante la mentira burda convertida en discurso oficial”: organizaciones sociales y populares a la CNTE'>Mexico &#8211; “No podemos callar ante la mentira burda convertida en discurso oficial”: organizaciones sociales y populares a la CNTE</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5550' rel='bookmark' title='Hablemos del golpe en Brasil, hijo'>Hablemos del golpe en Brasil, hijo</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5676' rel='bookmark' title='“Los más poderosos son quienes más salen del juego democrático para después imponerlo a los de abajo”'>“Los más poderosos son quienes más salen del juego democrático para después imponerlo a los de abajo”</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5787</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Zimbabwe: Fed up and not afraid!</title>
		<link>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5734</link>
		<comments>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5734#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2016 14:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Democratizing Democracy]]></category>
		<category><![CDATA[English]]></category>
		<category><![CDATA[International]]></category>
		<category><![CDATA[More countries]]></category>
		<category><![CDATA[Opinion]]></category>
		<category><![CDATA[South Africa]]></category>
		<category><![CDATA[Alternatives]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicación]]></category>
		<category><![CDATA[Crisis]]></category>
		<category><![CDATA[Education]]></category>
		<category><![CDATA[Freedom of Expression]]></category>
		<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[Institutional Politics]]></category>
		<category><![CDATA[International Politics]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilization]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas sociais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://alice.ces.uc.pt/news/?p=5734</guid>
		<description><![CDATA[Following weeks of public demonstrations against corruption, bad governance and a rapidly deteriorating economy, people all across Zimbabwe heeded a call last week for a nationwide stay-away, in an act of defiance against...
Related posts:<ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5708' rel='bookmark' title='UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Elizabeth Mpofu &#8211; Statement'>UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Elizabeth Mpofu &#8211; Statement</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5703' rel='bookmark' title='UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Walter Chambati &#8211; Statement'>UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Walter Chambati &#8211; Statement</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5710' rel='bookmark' title='UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Boaventura de Sousa Santos &#8211; Statement'>UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Boaventura de Sousa Santos &#8211; Statement</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Following weeks of public demonstrations against corruption, bad governance and a rapidly deteriorating economy, people all across Zimbabwe heeded a call last week for a nationwide stay-away, in an act of defiance against the government.</p></blockquote>
<p><a href="http://africasacountry.com/2016/07/fed-up-and-not-afraid/">Africa is a Country</a><br />
Jacquelin Kataneksza<br />
12 Jul 2017</p>
<p>In recent weeks, protests both within and outside the country have increased in both number and intensity. On Friday July 1, the Zimbabwe-South Africa border post, Beitbridge, was shut down and a Zimbabwe Revenue Authority warehouse set on fire, after citizens took to the streets to protest a <a href="http://www.zimra.co.zw/index.php?option=com_phocadownload&#038;view=category&#038;id=25:statutory-instruments&#038;">government ban on the importation of basic goods</a>.</p>
<p>On Monday July 4, public transportation drivers in Harare clashed violently with police during riots over police harassment and extortion on the roads, while in London, <a href="http://nehandaradio.com/2016/07/06/chinamasa-trapped-london-pictures/">UK activists besieged Finance Minister Patrick Chinamasa</a>. The following day, teachers, doctors and nurses in Zimbabwe began nationwide strikes over the <a href="http://www.reuters.com/article/us-zimbabwe-strike-idUSKCN0ZL1H2?utm_campaign=trueAnthem:+Trending+Content&#038;utm_content=577c3d1e04d30103d93d8760&#038;utm_medium=trueAnthem&#038;utm_source=twitter">government’s failure to pay their salaries on time</a>.</p>
<p>President Robert Mugabe’s order for Zimbabweans to “go about their normal business” on Wednesday went unheeded. Rather, the national stay-away day, galvanized by the social media movement <a href="https://soundcloud.com/primediabroadcasting/thisflag-pastor-evan-mawarire-shutting-zimbabwe-down-today">#ThisFlag </a>(<a href="http://africanarguments.org/2016/07/04/zimbabwe-the-revolution-will-be-hashtagged/">to contest ownership of national symbols by the ruling party</a>), marked one of the biggest and most peaceful stay-away actions since <a href="https://www.amnesty.org.uk/press-releases/zimbabwe-threat-police-beatings-and-torture-trade-unionists-during-%25E2%2580%2598stay-away%25E2%2580%2599-action">2007</a>.</p>
<p>In South Africa, a wing of demonstrators from the <a href="http://nehandaradio.com/2016/07/06/tajamuka-organizes-protests-zimbabwean-embassy-south-africa/">#tajamuka</a> movement, called for Zimbabwean residents there to protest outside the Zimbabwean consulate. The Zimbabwean government responded by <a href="https://africacheck.org/2016/07/08/could-the-zim-government-really-have-shut-down-whatsapp-an-expert-weighs-in/?ct=t(July_8_20167_8_2016)&#038;mc_cid=232cc82248&#038;mc_eid=3f84eecde8">shutting down the social media networks, particularly Whatsapp</a>, in an effort to thwart the stay-away. The Postal and Telecommunications Regulatory Authority of Zimbabwe (POTRAZ) further warned members of the public against sharing information or images pertaining to the stay-away, citing such materials as <a href="http://zimbabwenewsday.co.uk/2016/07/those-sharing-pictures-from-shutdownzim-to-be-arrested-potraz/">threatening, subversive and offensive</a>, and stating that anyone generating or sharing such materials would be arrested. Hackers from the group Anonymous Africa retaliated by<a href="http://thesoutherndaily.co.zw/2016/07/06/zanu-zim-govt-hacked/"> shutting down government websites and the state controlled broadcaster, the Zimbabwe Broadcasting Corporation (ZBC). </a>In the aftermath of the stay-away, leaders of the #tajamuka movement are calling on citizens to march on the State House this coming Saturday and demand Mugabe’s resignation.</p>
<p>While stay-aways have been held several times since 2000, this one is markedly different on account of its non-partisanship, and its use of social media as a mechanism through which to foment and coordinate dissent: Citizens, through direct public mobilization, have deliberately articulated the need for an alternative social order; they have done so without a formal opposition political party to galvanize them; they have done so using the technological avenues available to them. Zimbabwean Twitter feeds, Whatsapp threads and Facebook walls have become spaces of electronic civil disobedience.</p>
<p>This digital activism is not restricted to the online environment. It has manifested in the form of collective public action. The use of social media platforms allows for the co-construction of a new type of social movement and the possibility for alternative forms of social, political and economic organization. Concrete demands have been made. Calls have gone out for the government to remove roadblocks that police officers use to demand bribes, pay civil servants on time (by the end of last week, <a href="http://www.bdlive.co.za/africa/africannews/2016/07/08/uneasy-calm-prevails-in-zimbabwe-after-violent-clashes?ct=t(July_8_20167_8_2016)&#038;mc_cid=232cc82248&#038;mc_eid=3f84eecde8">the government had paid some of the salary arrears</a>), take action against corrupt ministers, remove import controls (<a href="http://www.bdlive.co.za/africa/africannews/2016/07/11/news-analysis-zim-protests-show-people-have-power">which have since been somewhat relaxed</a>), and rescind plans to introduce “bond notes” as a means of easing the liquidity crisis in the country.</p>
<p>Mugabe’s government is facing serious popular resistance. Could this resistance be the basis of a national movement with real political potential? Yes, absolutely. Zimbabwe is in a new phase of politics. The public demonstrations – both organic in the form of riots and protests and organized in the form of the strike and national stay-away – point to an increasingly active and performative citizenry. Through the interface of global digital platforms and local activism, Zimbabweans are reconfiguring visibility and voice, understanding them locally, nationally and transnationally, and thereby illuminating new possibilities for alternative subjectivities and social formations.</p>
<p>But, there are concerns. As things stand, three separate resistance blocs are most visible; #ThisFlag, #tajamuka and Acie Lumumba’s fledgling political party, <a href="http://nehandaradio.com/2016/06/30/acie-lumumba-gives-mugabe-middlle-finger/">Viva Zimbabwe</a>. A key challenge moving forward is to foster a continued coalescence of ideas, visions and plans beyond anti-Mugabe rhetoric and politics. The recent and ongoing actions in Zimbabwe point to very real forces at work, with the potential to transmute political and social arrangements within the country. Looking ahead, Zimbabweans will need to harness those actions, ideals and agendas cohesively so as not to lose momentum or face the risk of falling into obscurity – the unfortunate and all too common destination of many such movements.</p>
<p>Related posts:</p><ol>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5708' rel='bookmark' title='UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Elizabeth Mpofu &#8211; Statement'>UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Elizabeth Mpofu &#8211; Statement</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5703' rel='bookmark' title='UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Walter Chambati &#8211; Statement'>UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Walter Chambati &#8211; Statement</a></li>
<li><a href='http://alice.ces.uc.pt/news-old/?p=5710' rel='bookmark' title='UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Boaventura de Sousa Santos &#8211; Statement'>UPMS Workshop Harare Zimbabwe 2016 &#8211; Boaventura de Sousa Santos &#8211; Statement</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://alice.ces.uc.pt/news-old/?feed=rss2&#038;p=5734</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
